Adoro quando leio as percepções do universo masculino escritas por eles mesmos.
Sinto-me integrada com eles.
Leio vários blogs escritos por homens inteligentes, porém, digamos que hoje em dia, um pouco em crise.
Na área dos relacionamentos, eles ainda têm questões um pouco indefinidas e relacionamentos abandonados sem razão, ou com razão (não-ditas à parceira) permeados por muita falta de comunicação.
Isso por mais que eles pensem. E pensem muito. Muito racional, lógica e praticamente.
Anos atrás, ou há uma década atrás, perguntei a um dos meus amigos, Nick, porque o meu namorado da época estava comigo e com uma pessoa do nosso grupo ao mesmo tempo e enquanto eu dizia a verdade a ele, ele nunca compartilhou o triângulo dele comigo. Ao invés disso, falava mal da sicrana para mim e mal de mim para a sicrana. Nós como mulheres em um círculo social inglês éramos muito cordiais, porém sem motivo nos odiávamos secretamente. Tudo por causa dele.
Nick ouviu por horas minha reclamação e disse em uma frase:
'Eu acho que os meninos em geral são assim. Não sabem como dizer algo e acabam fazendo besteira. Talvez ele tivesse vergonha da situação, ou talvez não quisesse resolver com você a situação.'
Diante dessa resposta, eu assumi a segunda probabilidade como a correta porque é algo que eu pratico muito: 'quando não se discute, é porque não se quer resolver!'
Meus textos masculinos preferidos hoje em dia são da Marie Claire inglesa, onde os homens têm uma coluna chamada 'Man Talk'.
O assunto desse mês era um que hoje em dia me parece bem comum por aqui: casamento sem sexo.
Até programas de TV prometem solucionar esse problema sob o título 'How to have sex after your marriage!'.
Li o artigo e assisti ao programa e para os homens, a visão é pragmática.
Muitos preferem não ter que fazer sexo por obrigação para manter um relacionamento. O que une um casal emocionalmente, para eles, às vezes é muito mais importante.
E muitos aceitariam se suas parceiras definissem seus relacionamentos como 'sex-free'.
Tudo isso em uma relação monogâmica.
Assim teriam mais tempo para dedicarem-se às suas carreiras, aos interesses em comum, às conversas, às leituras e ao social.
Aos homens do artigo da revista cabe o penar por suas mulheres sofrerem com tal situação, e por isso sentem uma pequena 'pena' de suas parceiras. Mas não querem ser forçados a mudar tal situação.
A necessidade física, simplesmente, inexiste.
Fiquei surpresa ao notar que homens hoje em dia querem mesmo é livrar-se da obrigação de
satisfazer uma mulher! Segundo eles: 'sex is overrated!'. A mídia pede que sejamos sexuais, como uma forma de poder, então fazemos muito sexo, como consumimos muitas roupas e bolsas e sapatos. E alguns se recusam a entrar nesse jogo.
Pelo menos quando estão já dentro da instituição que os une por muitos e muitos anos.
Esse compromisso para eles já é suficiente.
Para os homens que precisam resolver essa situação para manter suas mulheres satisfeitas (ou a separação é o próximo passo), resta a opção de ir a um programa de TV que promete 'apimentar' o relacionamento em decadência em algumas semanas.
Primeiro os casais têm aulas em separado de como tocar o sexo oposto. Para isso, experimentam em uma pessoa real, que nua, será tocada por eles guiadas por um professor.
Depois, receberão de seus parceiros uma lista com notas de quesitos como aparência, intimidade, comunicação e sexo. Geralmente, as notas são horríveis.
Após isso, escreverão uma carta onde falam o que gostam, ou não, no seus relacionamentos e como se sentem em relação ao seu parceiro. Inferiores, ou assustados, ou menosprezados, esquecidos são palavras usadas com frequência por eles.
O passo seguinte é uma preparação para o reencontro e então eles têm aula de auto-estima junto com uma 'makeover', ou repaginada no visual.
O encontro final será no lugar onde tiverão pela última vez o melhor período de intimidade sexual do seu relacionamento inteiro, e assim viajam para a Espanha em busca dos bons tempos.
Não preciso dizer que o final do programa é feliz e eles estão muito satisfeitos, pois do contrário a fórmula da emissão não seria de sucesso.
Eu não veria muita solução para um casamento deste tipo, se fosse o meu.
Por mais silenciosa e concentrada que eu seja, tenho uma necessidade física que a leitura de nenhum livro apaga.
Mas por outro lado, entendo o elo que uma relação emocional pode trazer por mais que não haja sexo dentro dela.
Como disse no começo, adoro ouvir os homens falarem e escreverem.
Sinto-me integrada com eles.
Friday, 12 October 2007
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