Monday, 15 October 2007

Paola e sua varinha de condão!

Domingo, 14 de Outubro 2007.

Eu acordei me sentindo uma dona-de-casa abandonada.

Os olhos inchados de tanto chorar a morte do Paulo Autran, uma ressaca leve e a pele do rosto seca pelo frio que me descasca como uma cobra.
No mínimo, horrível.

Mas eu precisava me recuperar, pois tinha o aniversário de uma amiga professora de yoga para ir.
Uma festa somente para mulheres para comemorar seu aniversário entre bolos sem glúten e chás diversos.
Seria o meu detox!

Fiz um esforço e aproveitei para ir de bicicleta e completar o processo suando as toxinas logo no início da tarde.

Cheguei lá e já fui logo notando o cenário.

Cinco mulheres já estavam lá. Todas latinas. Quatro de origem espanhola e uma única brasileira, a Mônica.
Acho que Mônica previu a saia justa e levou Paola, sua filha de 12 anos como acompanhante.

E Paola foi a responsável por quebrar o gelo na sala que estava formal e sem jeito.

Entre um espanhol capenga e um português recém-conquistado (seus pais se divorciaram faz tempo e nos últimos anos Paola mora sozinha com sua outra irmã e Mônica) era ela a que fazia perguntas a todas. Entre elas, uma antropóloga, uma bailarina, uma tradutora, duas terapeutas corporais e uma professora de espanhol.

E assim Paola seguia:

'Como é o seu nome?'
'Você mora aonde?'
'Você é amiga da minha mãe?'
'Posso mexer no seu cabelo?'
'Posso ver a sua bolsa?'

Eu respondi a todas as perguntas e permiti todos os pedidos.

Paola me fez um rabo-de- cavalo e prendeu minha franja com uma fivela.

As mulheres ao redor comentavam o meu cabelo e o gelo foi quebrado assim, com Paola me fazendo de atração.

O que se viu depois foi uma descontração digna de um domingo de sol em Guadalajara.
Os risos eram ensurdecedores, o espanhol ia em ritmo de trem, e todas já sabiam o caminho da cozinha e do banheiro sem cerimônias.
Estavam em casa.
Afinal, não é à toa que os palhaços têm prioridade na apresentação de qualquer circo!

Eu adorei Paola ter me feito um rabo-de-cavalo, mas não gostei muito dela ter deixado meu I-pod recém-carregado ligado. Ah, moleca!

E enfim, chegou a hora de Paola ir embora, e Mônica gritou:
'Leva ela para sua casa, Maria. Ela tá apaixonada. Sabe o que ela falou quando você entrou... 'mãe, ela é bonita!'. Então: pode levar!'

Ri e convidei Paola para um filme com sorvete e fofoca lá em casa.
Ela adorou.

O detox nem foi mais preciso, pois a varinha de condão de Paola foi mais poderosa do que qualquer chá da aniversariante.
Estou descascando mas sou bonita!