Monday, 15 October 2007

Elizabeth e a chegada do inverno.

Soube da chegada de Elizabeth pela primeira vez quando cheguei de viagem do Brasil este ano.

Meu marido anunciou:
'Temos uma nova vizinha no apartamento em cima do nosso. Ela tem os pés pesados como os seus.'

Perguntei:
'E eu tenho os pés pesados?'

Ele:
'Sim, você não anda. Marcha!' - e riu!

É verdade!
Essa sou eu.
Os amigos em um antigo trabalho aqui diziam em grupo que já sabiam quando eu vinha de longe: meu salto alto anunciava de longe a minha chegada.

Aparentemente, eu em casa e descalça sou a mesma coisa.

Ele continuou:
'O nome dela é Elizabeth, é jovem, gosta de escutar música, mas a gente pode escutar quando ela acorda, dança e vai dormir.'

Eu pensei: ótimo.
Antes o apartamento acima tinha uma criança de 4 anos que corria. O barulho dos seus passos seguiam rápido pelo teto, mas automaticamente pensávamos: ela está brincando!

Agora com Elizabeth seria: bem ela está fazendo o quê agora?

Eu disse a ele: 'Tá, vou prestar atenção nela, já que é o seu tipo, querido!'

Ele, riu.

Durante aquela semana, eu segui os passos de Elizabeth com os ouvidos e chequei os correios para saber o seu sobrenome. Downson. Miss Elizabeth Downson.
Elizabeth Downson, solteira, que mora sozinha, é legal, tem pés pesados e gosta de música.

Mas, de repente Elizabeth sumiu.

Sabemos que ela ainda mora lá pela correspondência, e pelos passos.
Mas não a vemos mais.

Semana passada, cheguei duas horas mais cedo do que de costume e cruzo com Elizabeth e seus cabelos ruivos enlaçada nos braços de um típico jovem inglês alto de boina.

Trocamos sempre o 'oi' cordial.

E lembrei dos tempos de namoro, quando você dorme na casa do seu fulano e só volta para casa no meio da noite, ou de manhã cedo, ou no começo da semana.

O início do inverno contribuia para isso, pois era difícil deixar aquela cama quente de amor, e lavar o cabelo de manhã.. nem pensar!

Ficávamos com aquele cabelo usado e suado até a hora de voltarmos do trabalho e tomarmos o banho apropriado no nosso próprio apartamento.

Hoje em dia, sempre passo por Elizabeth às 8h45 da manhã na porta de entrada do prédio.

Eu saindo atrasada para trabalhar e ela chegando em correria para o seu apartamento, em tom de atraso, também.

O final do outono tem então, nesses dias soado assim, romântico, por que Elizabeth me lembra agora todos os dias dos tempos de romance e também da chegada do inverno.

Elizabeth, sim, é livre!

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