Thursday, 25 October 2007

O passado.

O passado já foi!
É passado! Não vai ser revivido.

Mas, de vez em quando, ele volta.
E, geralmente, é para lembrá-lo de alguma coisa.

Hoje, dei-me conta e lembrei-me de como gosto de ser tratada em meus relacionamentos amorosos: com importância, admiração e respeito.

Esse sentimento mútuo para mim é essencial em um envolvimento amoroso.
E posteriormente em um de amizade, quando o relacionamento acaba.

Além disso, os dois têm que estar na 'mesma página do texto'.
O nível mental dos indivíduos têm que ser o mesmo.

Senão, não funciona!
Vira filho ou filha.
Um superior ao outro, guiando seus passos na vida....
Não dá!
Cooperação, interação, impulso é primordial!

Mas, eu falava do passado.

Melhor; do passado no presente. Quando ele reaparece.
Quando reaparece para você, enquanto você está em um novo casal.

Essa semana, alguém voltou em nome e forma virtual.
Não em presença, por que está no Brasil.

Mas não voltou para mim!
Voltou para o meu marido.

No intuito de ser amigo dele, passou por cima da minha presença e virou seu amigo no Facebook.
Tristan não tem noção de que este é parte do meu passado, e eu o avisei logo:
'Prepare-se que esse um dia vai te pedir um favor!'

Por quê isso eu era para ele: uma escada para os seus planos, uma capaz de favores.
E como a escada sumiu, ele buscou outros caminhos.
E eu virei invisível.

No mais, tudo bem. Há algum tempo eu já sabia que ele foi um erro.
O do Facebook foi somente a confirmação.

O segundo veio há semanas atrás e apareceu em presença.
Cruzou nossa calçada.

Olhou-me nos olhos, ao lado de Tristan, e após tanto tempo me disse em alto e bom som para o atual ouvir:
'Hi gorgeous!'

Ele não precisou falar com Tristan.
Essa relação, claramente, nunca existiu e ele sabia muito bem disso. Um homem inteligente.

Esse até aquele momento de dias atrás me dá importância.
No final das contas, a que é importante sou eu!

E o respeito, por dias após aquele reencontro, continuou!

Ele não foi um erro, mas o momento no qual nos encontramos foi errado.
O encontro na rua foi somente a confirmação.

No final das contas, passado bom é aquele que nos faz não ter vergonha de ter se envolvido com tal pessoa.
Foi bom, passou, e valeu!

O mais maluco?

Leio a coluna do Ciro Pessoa na revista Criativa todos os meses.
Na versão online, lógico.

Não vejo idéias fora do comum, a solidão é abordada com frequência e o texto é ligeiro, com o qual me identifico.

Ao lê-lo, vejo que existe vida presente na Terra e parecida com a minha.
De alguma maneira....

No entanto, só hoje notei a definição da revista Criativa para quem é o Ciro Pessoa.

Segundo a revista:
'Ciro Pessoa é poeta, cronista, compositor e o mais maluco dos ex-titãs.'

Mais maluco?
Será que é mesmo?

Meu ex-coordenador de curso na UPFE, Mariano, dizia quando passava por mim: 'Eita, Maria, sempre doidinha!'

Conhecia Mariano de outros carnavais.
Ele é o pai de Lorena, que fez um curso de violino comigo por anos quando criança, no Conservatório Pernambucano de Música.
Lorena e eu tínhamos o mesmo professor e queríamos fazer música. Para isso, estudávamos corretamente.

Depois, cada uma de nós duas entramos em uma faculdade e fizemos cursos superiores.
Porém, Mariano, por mais que me conhecesse há muito tempo e soubesse do meu esforço pessoal, continuava achando-me 'doidinha'.
Aliás, qualquer pessoa espontânea em Recife me parecia que ganhava o mesmo rótulo.

No último ano do curso de jornalismo, Mariano me disse pela última vez a mesma frase.
Foi quando ouviu de mim:
'Ah, Mariano, ainda bem que é doidinha, né? Por quê gente careta é muito chata!'

Ele repetiu: 'Gente careta... hahahahahaaha! Essa Maria!'
E fizemos nossas pazes. Soube ali que ele conseguia escutar uns forinhas e não era tão babaca assim como eu pensei tanto no passado.

No entanto, esse rótulo sempre me incomodou muito por muito tempo.

Geralmente, ouvia a definição de um bando de picaretas, ou pseudo-intelectuais, que agindo de acordo com a lei do nepotismo brasileiro, do vai-não-vai, do agrado, do jeitinho para ganhar favores com outras pessoas, geralmente se referiam a mim como 'doidinha' em diferentes ocasiões.

Era sempre a mesma maneira de desmoralizar um indivíduo que tinha razão em uma discussão.
A mesma maneira com a qual aquele ex-namorado me dizia: '....ininputável...'...
Para forjar a razão de um indivíduo espontâneo e direto, todos apelam para a sanidade mental do sujeito.

E eu fiquei pensando hoje como um homem sensato como o Ciro Pessoa, que não me diz nada de diferente do que penso ou do que o bom-senso atual diz, é rotulado de 'o mais maluco' de um grupo de rock tão normal como o Titãs. Todos pais de família brasileiros com suas casas próprias quitadas.

Logo ele , que tem idéias simples e que fazem muito sentido na sociedade atual, ou na sociedade atual para um pessoa à vontade com a sua solidão.

Fiquei me perguntando se ele escreveu seu perfil e ele mesmo o taxou de maluco. Será que ele se acha isso mesmo? Sério?
Ou se acatou o perfil que a revista lhe deu por quê, talvez, ache também 'que ser careta' é pior que ser 'maluco'.

Hoje em dia, eu desconfio muito quando ouço que alguém é maluco, louco ou doido.

Dependendo de quem fala, soa como uma besteira infinita.

O mais maluco?
Sim! Sei.....

Tuesday, 23 October 2007

Money, money, money!

Devo dizer que desde que saturno entrou no meu signo, passou dois anos por lá, e saiu neste setembro, eu nunca pensei tanto em dinheiro.

Transforma-se em uma obsessão.
São contas e mais contas, cadernetas, três contas de poupança (cada uma com um propósito), uma conta corrente e dois cartões de crédito que fazem você suar nos números.

Virei a rainha do Excel!
Planilhas e planilhas....
Plano, ação, e muito lentamente, terei, quem sabe, uma futura execução desses projetos.

Eu digo, porém que não há prazer algum nesta busca desvairada pela solidez financeira.

A idéia principal é sobreviver sem a ajuda de pai, mãe ou marido, com alguma dignidade e, talvez com sorte, algum conforto. Do jeito que você quer.

Estou fazendo jus ao que minha mãe me dizia quando eu era adolescente:
'Você vai ter que trabalhar muito para sustentar os seus luxos!'
E assim, é!

No momento, vejo que meus rendimentos andam surtindo pouco efeito.
Pensei na bolsa de valores.
Chegou a hora de arriscar.
Por quê sem risco, não há lucro grande.

Mas, uma reserva para o risco é essencial, e isso ainda eu não tenho.

Então, fiz uma nova conta com um banco online e 'verde': www.smile.co.uk.
Os interesses pagos aos correntistas são maiores.

Um plano de pensão também está nos planos.
Mas, teria que me associar ao que o meu trabalho tem convênio, pois assim eles dobram a quantia que eu invisto e meus impostos seriam reduzidos por contribuição ao Governo. Estou investigando.

Também, penso em uma segunda fonte de renda, pois os shows andam escassos.
E eu nem tenho mais tanto prazer em cantar 'covers'. É um martírio.
Direitos autorais seriam legais, agora.

Com todas essas preocupações, ainda ligo para saber sobre o plano de previdência no Brasil e o quanto rendeu a cada mês. Se a conta por lá anda valendo a pena.
O Brasil é um mercado em emergência, já dizia o jornal 'The Independent' a semana passada.

Uma loucura esses números na cabeça.

E o pior: quanto mais se tem, mais se quer.

É uma escala crescente que tem que ser mantida.

Os 30 anos se aproximam, e penso que deveria ganhar um salário condizente com a minha experiência. Então, voltei à Universidade o mês passado para um curso de gerência.
Quero subir um nível e me ver mais livre.
Suando menos.
Se isso um dia isso for possível.

E no meio desse esforço todo, o dinheiro parece que chama mais dinheiro.

E um homem rico aparece.
Oh... stop!

Ele sonda sobre o que você gosta, e te oferece uma passagem de ida e volta toda paga para o Rio de Janeiro.

Hein????
Surreal!!!

Uma proposta indecente.
E, então, eu recusei a oferta.

Esmola demais, mendigo desconfia?
Ou: mulher independente não aceita favor?

Qualquer um dos dois ditados serviu nessa hora para a decisão.

Deixem-me com minhas planilhas e números. Quem sabe um dia quem oferecerá a passagem serei eu?

Só sei que nunca me senti tão numerada e adulta.

Monday, 22 October 2007

Um homem rico!

É o mantra das amigas desiludidas.
Eu confesso que já falei esse mantra muitas vezes:

'Agora, eu só quero um homem rico!'

Somos ativas, trabalhamos que nem cachorras, horas a fio, pagamos nossos impostos, e temos um homem em casa que no máximo cozinha de vez em quando.

A carga emocional deste relacionamento de maneira alguma é mais leve por ele não trabalhar e ter tempo livre.
Pelo contrário: a crise deles aumenta.
E a transferem para nós, que já temos tanto com o que se preocupar.

E por isso, quando finalmente nos livramos do fardo emocional da relação, dizemos:

'Agora, eu só quero um homem rico!'

O dinheiro conta muito em uma relação.
Conta na hora de pagar as contas, passear, viajar, comprar um presente inesperado, dividir a conta do restaurante e do motel, ou pagá-la inteiramente como cortesia, porquê ele, eventualmente, tem mais que você e te alivia a preocupação financeira em tal dia. Você pode retribuir em um outro encontro.

Então, ouvi a mesma frase de duas mulheres diferentes.

Uma é recém-separada, com um ex-marido que não avisa sobre a sua chegada na casa que um dia foi dele, dois filhos pequenos e cheios de energia, um trabalho que tira muito do seu tempo e uma casa longe da capital.

A outra comprou sua casa sozinha, não é casada, não tem filhos, trabalha em dias e horários alternados e tem tempo livre durante a semana.

Por qual das duas um homem rico se interessaria?

Na minha opinião, por nenhuma das duas.

As duas não são dependentes, ganham seu dinheiro, levam suas vidas, são fortes e falam alto, não são meninas, não são modelos e não querem parar para levar uma vida familiar.

Elas não precisam de um homem rico, e ele saberia bem disso.

Respondi para cada uma das duas:

'Se você encontrar um homem rico que ame e aguente seus filhos e seu intrometido passado , venha de longe até você, ajude no seu emocional, dê sem pedir nada em troca, e esteja disponível a esperar que vocês parem e lhe dê atenção, não sejam idiotas; AGARREM o sujeito. Definitivamente, o que ele sente deve ser amor!'

00 55 21.....

Era até então um domingo qualquer, sem emoção...

Recebi uma mensagem no celular.
Era de uma amiga me pedindo desculpas por ter sido tão sincera no dia anterior.

E pensei em ligar para ela, fazê-la comfortável, sem culpa e deixei o celular de lado.
Pensava no que dizer sem magoar, com o mesmo cuidado que ela me teve.

Mas nem tive tempo.
Recebi uma chamada de um número carioca. +00 55 21 .....

Pensei reconhecer o número de telefone, e que poderia ser Roberta, minha querida amiga de Santa Teresa. Mas não faria sentido. Ela acabou de vir à Europa e não viria em tão pouco tempo.

Pensei também que fosse outra pessoa, e com este eu não tinha o que falar. Então, esperei pela secretária eletrônica e eu ligaria de volta se quisesse falar com a pessoa.

Não houve um recado, e sim, mais outras 3 chamadas.

Resolvi atender e fiquei com medo de que fosse o tal com o qual não tenho realmente assunto a tratar.

Mas, não!
Felizmente, era Beta!

Ligava-me de sua vista da ponte Rio-Niterói em um dia de sol.
Um telefonema feliz para dizer-me que decidiu viajar sozinha pela Europa no próximo ano e vem me ver!

Contou-me as últimas notícias, do quanto mudou nos últimos meses, após ter decidido ser uma mulher diferente.
Ser 'menos chata, menos possessiva, menos controladora e menos pegajosa'.
Por consequência, ser livre!

Da liberdade que tem se dado nesses últimos tempos e do que viveu fora do comum estes meses.
Adorei que ela tenha ligado de tão longe para me dizer que se transforma dia a dia nesta nova pessoa.

Falou-me dos seus planos, e de que devemos viajar juntas no próximo ano.
Fiquei animada com a possibilidade.
Pensei que ela me levaria para os lugares nos quais ela domina as línguas nativas, e eu faria o mesmo em contrapartida.
Espero ter tempo para isso.

Falamos de que devemos ir à Ásia antes dos 30 anos, que merecemos tocar o outro lado do mundo.

Fiquei com uma saudade do Rio, e da vista do relógio da Central do Brasil desde a sua janela, dos nossos jantares vendo a cidade desde aquela vista alta.

Admiro Roberta.

Eu a conheci em uma tour de jipe em Fernando de Noronha.
Resolvi ir sozinha e conhecer o paraíso que o meu Estado tinha.

Ela estava com seu marido e todos estavam em casais.
Foi lá que ela pela primeira vez me falou de que gostaria de viajar sozinha em alto e bom som naquele março de 2006. Eu respondi:

'Vá! Mulher bonita e livre nunca fica sozinha!'

Ela me olhou sem acreditar. Talvez, tenha me achado arrogante naquele momento.
Mas, logo se refez da frase e me convidou para visitá-la um dia.

Cumpriu sua promessa de hospedar-me em abril de 2007.
Ofereceu-me um quarto lindo na sua casa por 1 semana inteira.

Sem querer nada em troca.

Foi uma ótima anfitriã. Abriu-me a casa, sua família, sua vida e a admiro pela sua abertura ao acaso.

Ela deixou que as coisas acontecessem sem se preocupar no que ia receber e hoje somos amigas.

A culpa e o esforço pela nossa amizade foram dela. A prezada amiga foi ela.

Em dias de hoje, nos quais as oportunidades são tudo, ela nunca pediu nada em troca.

Ela é uma bela mulher.

Saber que ela hoje tenta melhorar a sua maneira de ser diz-me que ela é especial.
Um ser em evolução.

Eu, definitivamente, não quero perder esse crescimento e ver a admirável pessoa na qual ela se tornará.

E não vejo a hora de ela chegar!

Há o tempo de cada um!

Todos sabem que o que gosto mesmo é de estar um pouco sozinha.

Permitir-me ser livre nos meus devaneios sem a intervenção de outrem.

No entanto, desde que resolvi ter esse blog, a última coisa que tenho estado é sozinha, pois as mulheres e homens que vivem as mesmas questões que eu, ou têm a mesma visão compartilhada comigo estão mais presentes do que nunca.
A comunidade cresceu e as conversas são inúmeras, dando pano para muita manga e texto.

Então, voltei a utilizar uma regra que já tinha para a comunhão de idéias em sociedade.

Já que não posso ser mais tão só, pelo menos terei várias duplas.

Cada pessoa terá o seu tempo, sua vez de palavra e discussão.

As idéias serão digeridas passo a passo e os assuntos serão privados.

Entrarão no blog em forma de texto a minha visão do cerne da questão, disfarçado ou não, em forma de ficção e talvez com um nome ou inicial imaginária. Aliás, o subtítulo do blog explica que serão 'percepções solitárias'.

Esses momentos ao vivo e em dupla são privados, muito emocionais e têm quase sempre um tom confidencial.
São momentos ricos, porém são para poucos. São para os cordiais e não tão emotivos. São para os que exercitam a auto-consciência sem repressão.
E são para adultos que sabem guardar segredo.

Eu posso falar o que eu quiser, e a outra pessoa também.
É um direito de comunicação assistido.

Podemos brigar e discutir, e no final, resolver tudo como sempre. Ou não resolver e pedir um tempo para digerir a idéia.
Afinal, somos amigos, adultos e cordiais.

É por isso que a irritação vem quando somos chamadas para um café com alguém e saímos de nosso belo ninho de meditação para encontrar alguém, mas ao chegar damos de cara com um grupo enorme e diverso.

Todas falam, impõem o seu pensar rapidamente, cuspindo e escarrando idéias e ficam horas a rir e falar qualquer coisa que corte um silêncio constrangedor.
O silêncio e a introspecção são proibidos nesses grupos.

E na maioria das vezes, temos que ser muito felizes. Positivos!!!!

E eu aviso: Assim não dá!

E por isso, sou a primeira a me retirar do recinto.

Se você não tem tempo para mim, assim como eu tenho tempo exclusivo para você, por favor, não me chame. Se eu tenho a obrigação de ser positiva 'ha-ha', por favor, não me chame!

Ou, pelo menos, avise-me o que acontecerá.

Eu sei... às vezes não há tempo para que a pessoa com a qual você foi se encontrar note a intimidade da conversa, e convide alguém para que se 'junte' a vocês como dupla.
Em minutos, virarão um trio.

Mas, as coisas se complicam mais ainda quando a seguinte cena acontece:

'Marta, Maria estava acabando de me dizer o quanto gostou de tal pessoa, o quanto a achou perceptível e simpática.'

E você continua ali, incrédula.
Hein? Como assim?

Afinal, quem deu permissão para compartir meus sentimentos e palavras com outra pessoa?

Fale da minha questão em outros termos e não me aponte o dedo.
Não discuta com outros o que eu discuti em confidência com você.

Por favor, não faça isso. Eu te imploro!

Por quê se eu sumir, você não vai entender.

E é melhor que seja assim.
Acredite!
Acredite em mim!

Você tem que entender que existe o tempo de cada um!

E se não entende, só peço um coisa:
Ou me convide para a festa, ou deixe-me só!

Sunday, 21 October 2007

Landmark Education

Todos nós temos alguém que nos fizeram sofrer muito no passado, e de quem continuamos com um rancor calado ou um ressentimento contido em relação à esta pessoa. Elas, realmente, nos fizeram mal.
E calamos, sumimos, brigamos, e no final, não resolvemos o tema.

Liguei para uma amiga psicóloga e disse:
'Engraçado. Sonhei com J. ontem. Incrivelmente, nós conversávamos, eu conseguia me expressar. Pela primeira vez, eu falei para ele tudo o que ele nunca entendeu. O engraçado é que não nos falamos há dois anos. Meu subconsciente o trouxe de volta.'

Ela, então, começou a me falar desse curso que fez esse ano, e do qual começará a ser assistente na próxima segunda-feira.

O curso chama-se Landmark Education, e nele a prioridade é fazer com que você resolva questões conflituosas com as pessoas que a fizeram sofrer no passado.
Você recomeça do zero com essa pessoa e passa a se comportar bem e sentir-se bem quando perto desta pessoa que antes lhe trazia tanto sofrimento.

Então, ela me sugeriu:
'Por que você não liga para ele e marca um encontro!'

Falei que não. Não saberia o que dizer, e aliás nunca soube como dizer algo a ele, sentia-me vulnerável na sua presença.
Ele nunca me entendeu. E também não tinha mais seu número de telefone. Era impossível.

Ela respondeu:
'Mas o processo de cura não é dele. Ele não importa. O que importa é que você não se sinta mal diante dele. Ao encontrar com ele, você será calma, passiva, não abordará o assunto diretamente, e não exigirá um confronto. Você na verdade estará observando como você se porta diante dele. Curando-se, dando uma chance, entendendo seus sentimentos. Seria bom ter o seu número de telefone primeiro, falar com a própria voz. Assim você não repetirá essa história com outras pessoas, esse desapontamento.'

Eu não entendi muito o propósito de um encontro, já que não poderia dizer o que realmente senti este tempo todo, o quanto eu sofri com a nossa briga, o quanto eu sinto falta da nossa amizade.

Ela, continuou:
'Se houver uma segunda chance de encontro, sim, você deveria falar o que sentiu este tempo todo. No entanto, agora, a prioridade é reestabelecer o contato, e restaurar aquela pessoa de maneira positiva na sua vida. Pense nisso.'

Mudei de assunto.
A conversa me deixava desconfortável somente ao cogitar a possibilidade de vê-lo.
Ele não entenderia.

Mas ela adicionou:
'Você está assumindo que ele não entenderá, quando não importa o que ele queira entender. O que importa é você se sentir bem outra vez com ele ao redor. Assim, seus sonhos serão outros. E não sobre fazer algo tão simples quanto conversar com outra pessoa.'

Concordei e aceitei o ponto.

Visitei o website do curso, e li as idéias centrais do pensamento e do treinamento emocional, como interpretei:
http://www.landmarkeducation.com/

Porém, não agi na idéia.
Não tenho o seu número de telefone e não quero entrar em terreno tão doloroso.

Não ainda.

The hunter

Eu adoro tomar cafés e ir à cafés.
Minhas amigas sabem disso muito bem.
E sexta-feira passada, recebi como de praxe, um convite para tomar um desses, permeados de conversas e trocas de experiências.

Chegamos no horário marcado, pois somos pontuais e odiamos esperar outras pessoas.
Perfeito começo de encontro. Sem irritações.

Na chegada, avisei logo:
¨Hoje fingi que estou doente, e não fui trabalhar. Já que estamos perto do trabalho, não vamos sentar na janela.'

Ela concordou e soltou:
'Hoje estou com vontade de chorar.'

Eu disse, insensivelmente:
'Tudo bem!Mas não seria pelo mesmo sujeito que já a tem feito sofrer tanto, pelo menos.'

Ela:
'Sim, seria. Ele me fez uma proposta no dia do meu aniversário: que tenhámos uma amizade sexual e aberta.'

Eu:
'Ótimo! Parece-me ótimo! Você mora sozinha, e ele vem e sai quando você quiser. Porém, para esse tipo de relação me parece que uma linha, uma barreira de limite é essencial. Senão, ele invade a sua vida e te usa quando ele quiser.'

Ela:
'Ele não quer exclusividade e eu não estou pronta para isso, eu quero uma relação, uma conexão. Ele é um hunter.'

Hunter é a definição que demos há pouco tempo para um homem, ou mulher que não se satisfazem com uma única relação. Têm sempre um olho atento para outras mulheres, ou homens, flertam e não perdem nunca a oportunidade. Pensam pouco em consequências e agem caso qualquer uma outra opção apareça. É um comportamento primitivo, e eles são como caçadores em busca de presa.
É inato deles ser assim, e eles não sentem culpa.

Aproveitei para mostrar a ela uma situação muito mais complicada do que a dela.

S. está casada há oito anos e há três está completamente envolvida em uma relação de amor e paixão com alguém igualmente casado. Ela ama. O amante eu não sei.

A diferença é que ela se apaixonou por um hunter.
Ele tem a sua mulher em casa, e a tem todos os finais de semana intensamente por noites e horas.
Mas se ela não estiver disponível, ele investirá em outras.

Os dois trabalham juntos e como ninguém no ambiente sabe da relação, muitas vezes chegam aos seus ouvidos as palavras das estagiárias: de que ele deu em cima de uma delas, ou fez muitas perguntas sobre a vida delas, ou as convidou para um café.

Agora, o filme deles se complica mais um pouco.
Em breve, o hunter será um homem solteiro, pois, finalmente, está chegando o acertado dia da separação entre ele e sua mulher.

Ele morará sozinho e estará disponível, completamente disponível sem a mulher, e sem ela todos os dias. Enquanto, ela estará presa.

S. não sabe o que fazer.
Separa-se e começa do zero sozinha, ou continua na relação que está com seu marido.
Um eventual convite para que começassem tudo juntos com o hunter não aconteceu.

E aí é quando eu disse para ela:
'S. ainda vai sofrer um pouco mais, porque o hunter dela nunca deixará de ser um hunter. E ela nem entende o conceito ainda. Você, ao contrário, fez a escolha de que não quer participar disso e acabou com o romance. Sofre agora, mas sofreria mais ainda se o visse indo com outra mulher.'

Ela concordou:
'É isso mesmo, eu não poderia mudá-lo. Eu já decidi o que quero.'

E passei a mudar de assunto, pois não convinha desgustar um sofrimento tão recente. Ela terá tempo para fazer isso sozinha.

Passei então a me preocupar com S., pois esta não tem noção do que vem adiante e o fator para o futuro sofrimento será único: ela diferente da amiga do café, não decidiu o que queria para si.

Thursday, 18 October 2007

Ser PAN é uma arte!

Esta é para você, cara amiga!

Você que tenta, no seu dia-a-dia ser um exemplo do 'networking', um ser que transita entre todas as tribos, ser a que não se envolve em problemas menores.
Você, sim, está além das bobagens.

Você, assim como eu, é PAN!
Você é amiga de pobre, de rico, de poderoso, de babaca, de intelectuais, de artistas, de gerentes, de todo mundo!
Você é PAN!

E ser PAN é uma arte! Requer paciência, engolir sapo, engolir seco, ouvir merda, ouvir grito, exercitar o silêncio, dizer o que quiser inteiramente ou não falar nada, discutir inteiramente o assunto ou saber a hora de calar.
Um ou outro!

O PAN não mente e não faz firula!
Ele, simplesmente, não se envolve.

Ele trata até o babaca bem, por quê o babaca tem direitos humanos.
Não há muita emoção em ser PAN.
É uma regra do networking, pois você não sabe o dia de amanhã. Então, você não se envolve, não se emociona.

Você se adapta, você sobrevive.
E você nunca se envolve.
Por quê não é da sua conta!
E priu! PAN!

Mas, uma coisa eu digo: o ser ECDM tira qualquer PAN do sério!

Não há paciência para esse tipo de gente! O melhor é a distância.

Agora, explicando:
'ECDM stands for Em Cima do Muro.'

O ser ECDM pensa que é PAN, e não é!
O ECDM é covarde! O ECDM escolhe e toma partido de alguém, geralmente, o que grita mais alto, o que é mais rico, o que conhece mais gente, o que provê mais oportunidades. Não há justiça de pensamentos para o ECDM.
Ele não está do seu lado, mas finge que está.

Vou dar um exemplo de uma pessoa PAN:

Tenho essa querida amiga, que encara um samba quase-descalça, mas também adora botar um salto e tomar champanha!
Essa PAN é amiga da mulher do morro, do homem do terreiro, da patricinha de Boa Viagem e do político na Assembléia Legislativa.
A tal PAN também ouve muita merda, e sempre dá a chance da palavra, ela é cordial e amigável. Todos querem dizer a ela como se sentem. Ela convida! Ela ouve! Ouve!
Ela é PAN! Todas as tribos, todo mundo, venham: sou PAN!

Agora, se você perguntar algo a essa PAN, ela não mente e diz na lata! Ela te bota no centro da questão e você tem que segurar a sua onda.
É a sua vez de aguentar, por que quem fala o quer também ouve o que não quer!

Já o ser ECDM é um horror!
Nem trepa, nem sai de cima. É um demagogo, é uma farsa.
E mente muito.

Quando você descobre fica com nojo. Tem vergonha de ver na rua! Foge! Corre! Não atende o telefonema dessa pessoa, dá uma desculpa e sai do recinto.

Vou dizer o comportamento do ECDM:

A tal ECDM que eu conheço tem um grupo enorme, assim como a PAN.
É admirada, adora ser o centro das atenções. Fala, fala, fala. Você tem uma opinião, ela tem uma melhor que a sua! Ela fa-la!
Tece um elogio na sua frente e depois pelas costas você ouve um muxoxo. Só depois fica sabendo. Ódio!

A ECDM, por exemplo, vai em grupo para uma festa com você em uma praia distante.
No meio da festa, você decide que alguém lhe falou uma cagada que não devia e dá o gosto da verdade ao falador.

O falador, fodido pela vida e portanto com o dom da merda lançada nas suas conversas, começa um bate-boca defensivo.
Para ele é fácil apelar e ser vítima.

Você não cai. Você já viu este filme e insiste na verdade.

Então, a ECDM entra em jogo: rainha da demagogia e do popularismo ajuda a vítima faladora e dá as costas para você! Mesmo que você fale a verdade.

Simples: ela nunca esteve do seu lado! Ela estava em cima do muro, e nunca teve opinião própria.
Ela finge que apóia quem for digno de pena, porquê ela é ´humana´, e embutida de julgamentos!

No fundo, ela só quer ser amada!
Ela não aguenta ficar sozinha, ela liga implorando para sair!
E você, ao contrário, segura a sua própria onda! E ela sabe disso!

Então, por mais que você seja PAN, em um grupo de ECDMs, você será execrada.

Vão te taxar de radical, intransigente e autoritária.
A sua verdade não é a deles e eles não vão deixar barato.

Vão jogar você no lixo! Em público!

É aí que a PAN revela a arte de sobrevivência e busca outros grupos, outras pessoas.
Porquê o mundo não é uma viela!
E existem outras mil várias coisas e pessoas para se descobrir e conhecer. Você não se envolve, você evolui.
Você passa por cima!

Você é PAN!
E ser PAN é uma arte!

Tarefas menores? Eu não!

Recebemos um aumento em nosso salário base esta semana.

Por quê?
Mera culpa da empresa!

Tiveram tanto lucro em tão pouco tempo, e feito por tão poucas pessoas (um grupo de 8 apenas!) que todos começaram a se olhar insatisfeitos e a palavra correu até a diretoria.

Então, recebemos um 'cala a boca' de 5% de aumento.
Miséria!
Ri por dentro.
Os outros disseram, felizes: 'Oba!'

Porém, no mesmo dia, a minha gerente pediu que eu enviasse um e-mail para o eletricista do prédio para trocar uma lâmpada que está (continua) quebrada.

Por conta desta lâmpada, outras têm que ser acesas e isso incomoda os que gostam do 'escurinho'.

Eu respondi:
'Se vocês quiserem escrever para o eletricista, por mim tudo bem! Eu tenho que falar com outro departamento agora!'
E saí.
Fiquei 20 minutos fora da minha mesa.

Receber um 'cala a boca' salarial está bem, o que se pode fazer?
Não é o quanto você merece, mas é algo.

Porém, condições de trabalho para se ter um 'cala a boca' salarial, eu não aceito.
Aí, é abuso!

E quando voltei, tinha um e-mail da chefe:
'Não se preocupe com esta tarefa menor, Maria. Eu tomo conta disso!'

Muito bem!
Aliás, a responsável pela gerência do departamento é ela, não eu! E que salário ela tem para isso!!!!

É cada uma, viu?!

Acharam o relógio do Huck?

Olha.... essa vida evolui no absurdo!
Um absurdo!

Eu li hoje que a polícia prendeu dois em São Paulo (sim! dois!) suspeitos do assalto ao relógio de Luciano Huck!

Ah, Brasilzão!
SHOW DE BOLA!

Filhos? Sinceramente.....(2)

Chego à conclusão de que é sempre a mesma coisa.

Quando uma mulher se casa com um homem, ela passa a ser responsável pelo bem-estar emocional dele, da família dele e do círculo de amigos dele.

Por isso mesmo, eu achei que tinha tirado na loteria.

Minha sogra decidiu ser cidadã australiana e não nos visita. Liga uma vez por mês e só!
Ótimo! Sem mãe de marido ao lado.

Meu sogro é um solteirão convicto que vive sozinho e pede para que eu ligue antes de bater na porta dele.
Ótimo! Eu nem ligo!

Infelizmente, o meu único cunhado faleceu 1 mês antes do meu casamento e não temos mais esse elo familiar.
Somos um casal de filhos 'únicos' no momento.

Mas, aí, existem os amigos.
Aquela velha guarda de outros tempos que se mete na sua vida, e por você ser uma estrangeira, também se mete nos seus intuitos com o 'amigo' deles e no país deles.

A velha guarda nunca aparece, não se liga, não se vê com frequência.
Mas está ali, presente! Atrás da cortina da sala de jantar.
É só acontecer uma notícia maior, e eles estão lá, de cabeça de fora e loucos para saber a novidade.

No momento, Tristan anda em uma fase na qual se mete na criação dos filhos dos outros.
Dá pitaco mesmo não tendo filhos.
Dá pitacos de acordo com as frustações que teve na vida, e afim de evitá-las com as crianças alheias.
Sim, eu acho que ele quer ter filhos, apesar de não falar no assunto.

E fomos à uma festa, com ele nesse clima.

Ele deve ter soltado dois comentários sobre crianças enquanto ao fui ao banheiro. Só pode ter sido isso, por que o que eu ouvi depois foi um bombardeio de pressão:

'Maria, Tristan está na hora de ter os filhos dele!', soltou a amiga quarentona e venezuelana.

'Você seria uma ótima mãe, Maria. Faz um!', soltou a inglesa trintona e grávida.

'Já perguntei ao avô esta semana quando sai um!', soltou o quarentão brasileiro.

E aí, eu perdi a paciência e perguntei:

'Qual é o meu sobrenome???'

Todo mundo se olhou, e ficou sem entender. Ninguém respondeu.

Eu continuei:
'Pois é! Ninguém sabe meu sobrenome e vocês querem que eu abra espaço tão cedo para ser a 'mãe de alguém'? Minha mãe e meu pai não investiram tanto em mim para que eu fosse a 'mulher de Tristan' ou a 'mãe de alguém'! E vamos parar com essa conversa, que quando Tristan quiser ter filhos, ele vai ter comigo, ou não! Ora!'

Todos calaram e a inglesa soltou:
'É, você é muito nova ainda!'

Sinceramente, viu?

Monday, 15 October 2007

Paola e sua varinha de condão!

Domingo, 14 de Outubro 2007.

Eu acordei me sentindo uma dona-de-casa abandonada.

Os olhos inchados de tanto chorar a morte do Paulo Autran, uma ressaca leve e a pele do rosto seca pelo frio que me descasca como uma cobra.
No mínimo, horrível.

Mas eu precisava me recuperar, pois tinha o aniversário de uma amiga professora de yoga para ir.
Uma festa somente para mulheres para comemorar seu aniversário entre bolos sem glúten e chás diversos.
Seria o meu detox!

Fiz um esforço e aproveitei para ir de bicicleta e completar o processo suando as toxinas logo no início da tarde.

Cheguei lá e já fui logo notando o cenário.

Cinco mulheres já estavam lá. Todas latinas. Quatro de origem espanhola e uma única brasileira, a Mônica.
Acho que Mônica previu a saia justa e levou Paola, sua filha de 12 anos como acompanhante.

E Paola foi a responsável por quebrar o gelo na sala que estava formal e sem jeito.

Entre um espanhol capenga e um português recém-conquistado (seus pais se divorciaram faz tempo e nos últimos anos Paola mora sozinha com sua outra irmã e Mônica) era ela a que fazia perguntas a todas. Entre elas, uma antropóloga, uma bailarina, uma tradutora, duas terapeutas corporais e uma professora de espanhol.

E assim Paola seguia:

'Como é o seu nome?'
'Você mora aonde?'
'Você é amiga da minha mãe?'
'Posso mexer no seu cabelo?'
'Posso ver a sua bolsa?'

Eu respondi a todas as perguntas e permiti todos os pedidos.

Paola me fez um rabo-de- cavalo e prendeu minha franja com uma fivela.

As mulheres ao redor comentavam o meu cabelo e o gelo foi quebrado assim, com Paola me fazendo de atração.

O que se viu depois foi uma descontração digna de um domingo de sol em Guadalajara.
Os risos eram ensurdecedores, o espanhol ia em ritmo de trem, e todas já sabiam o caminho da cozinha e do banheiro sem cerimônias.
Estavam em casa.
Afinal, não é à toa que os palhaços têm prioridade na apresentação de qualquer circo!

Eu adorei Paola ter me feito um rabo-de-cavalo, mas não gostei muito dela ter deixado meu I-pod recém-carregado ligado. Ah, moleca!

E enfim, chegou a hora de Paola ir embora, e Mônica gritou:
'Leva ela para sua casa, Maria. Ela tá apaixonada. Sabe o que ela falou quando você entrou... 'mãe, ela é bonita!'. Então: pode levar!'

Ri e convidei Paola para um filme com sorvete e fofoca lá em casa.
Ela adorou.

O detox nem foi mais preciso, pois a varinha de condão de Paola foi mais poderosa do que qualquer chá da aniversariante.
Estou descascando mas sou bonita!

Elizabeth e a chegada do inverno.

Soube da chegada de Elizabeth pela primeira vez quando cheguei de viagem do Brasil este ano.

Meu marido anunciou:
'Temos uma nova vizinha no apartamento em cima do nosso. Ela tem os pés pesados como os seus.'

Perguntei:
'E eu tenho os pés pesados?'

Ele:
'Sim, você não anda. Marcha!' - e riu!

É verdade!
Essa sou eu.
Os amigos em um antigo trabalho aqui diziam em grupo que já sabiam quando eu vinha de longe: meu salto alto anunciava de longe a minha chegada.

Aparentemente, eu em casa e descalça sou a mesma coisa.

Ele continuou:
'O nome dela é Elizabeth, é jovem, gosta de escutar música, mas a gente pode escutar quando ela acorda, dança e vai dormir.'

Eu pensei: ótimo.
Antes o apartamento acima tinha uma criança de 4 anos que corria. O barulho dos seus passos seguiam rápido pelo teto, mas automaticamente pensávamos: ela está brincando!

Agora com Elizabeth seria: bem ela está fazendo o quê agora?

Eu disse a ele: 'Tá, vou prestar atenção nela, já que é o seu tipo, querido!'

Ele, riu.

Durante aquela semana, eu segui os passos de Elizabeth com os ouvidos e chequei os correios para saber o seu sobrenome. Downson. Miss Elizabeth Downson.
Elizabeth Downson, solteira, que mora sozinha, é legal, tem pés pesados e gosta de música.

Mas, de repente Elizabeth sumiu.

Sabemos que ela ainda mora lá pela correspondência, e pelos passos.
Mas não a vemos mais.

Semana passada, cheguei duas horas mais cedo do que de costume e cruzo com Elizabeth e seus cabelos ruivos enlaçada nos braços de um típico jovem inglês alto de boina.

Trocamos sempre o 'oi' cordial.

E lembrei dos tempos de namoro, quando você dorme na casa do seu fulano e só volta para casa no meio da noite, ou de manhã cedo, ou no começo da semana.

O início do inverno contribuia para isso, pois era difícil deixar aquela cama quente de amor, e lavar o cabelo de manhã.. nem pensar!

Ficávamos com aquele cabelo usado e suado até a hora de voltarmos do trabalho e tomarmos o banho apropriado no nosso próprio apartamento.

Hoje em dia, sempre passo por Elizabeth às 8h45 da manhã na porta de entrada do prédio.

Eu saindo atrasada para trabalhar e ela chegando em correria para o seu apartamento, em tom de atraso, também.

O final do outono tem então, nesses dias soado assim, romântico, por que Elizabeth me lembra agora todos os dias dos tempos de romance e também da chegada do inverno.

Elizabeth, sim, é livre!

Friday, 12 October 2007

O vilão do triângulo amoroso

Afinal, quem é o vilão dentro de um triângulo amoroso?
O traidor ou o conivente com a traição?

Esses dias uma amiga veio me mostrar a foto da atual esposa e do filho do seu 'namorado' no orkut!
Mostrou-me uma das fotos da tal ingênua senhora, que é professora de capoeira e tem um estilo esportivo-hippie e cantou o hit dos anos 80 por Eduardo Dusek:

'Doméstica! Ela é doméstica!'

Eu ri! Ri alto!
Ri da situação.
E ela continuou:
'Olha que coisa mais linda, essa? E ainda tá grávida de novo!'

Aí eu parei de rir. E olhei para a situação de longe. Muito longe.

Ela lá, na frente do computador, com um coque mal feito no cabelo sujo, de camiseta e bermuda surrada, dentro de casa sozinha (ou comigo), chamando de burra a tal, que nada sabe sobre o marido, e de quem está grávida pela segunda vez pois renovou seus votos de casamento.
Então, eu disse, sem pensar:

'É o tipo dele, né? Tu e ela!'

Ela respondeu irritadíssima:
'Peraí Maria Hilda, beleza não é tudo!!!'

Exatamente, isso que eu quis dizer.
Mas, ela não entendeu!

Beleza não é tudo. As duas por mais que não sejam lindas são mulheres ativas, trabalham muito, têm tipos brejeiros e um amorenado-brasileiro, cabelos encaracolados ou ondulados, adoram tirar fotos sorrindo e amam ele!
Esse mesmo homem ama pessoas iguais de alguma forma. Só com nomes diferentes.
Ela não quis aceitar isso, e mudou de assunto.

Mas é sempre assim!
O triângulo amoroso tem sempre um vilão, e para as mulheres que são amantes ou 'oficiais' este vilão nunca é o seu homem.

Como elas poderiam se olhar no espelho de manhã e dizer:
'Eu escolhi um canalha para mim! Amo um homem que me trai! Amo um homem que não está 100% disponível para mim! Divido um homem com alguém.'

Isso seria a morte! E culpa absolutamente única e delas mesmas.

E acho incrível como um homem leva essa situação com sabedoria por tanto tempo!
Fazendo duas mulheres se odiarem mesmo quando elas sabem que uma segunda pessoa existe?
Incrível.....

E passei a pensar que, talvez, a conivente com a situação tenha mais culpa do que a enganada.
A conivente teve escolha!
Mas escolheu ficar porque não foi assumida pelo tal publicamente, e de alguma forma, quer que isso aconteça.

Já a enganada, ficaria ou largaria tal triângulo? E a quem ela culparia? Seu marido infiel, ou a mulher 'destruidora de lares'?

E o tal homem? Iria atrás de quem se o final chegasse com as duas? Da mãe com os filhos, ou da amante disponível?

Muitas interrogações e poucas respostas quando se está em um triângulo.

Quem sabe a melhor forma de evitar tanta interrogação seria sair dele o mais rápido possível?

Sei lá!

Sex-Free Marriage!

Adoro quando leio as percepções do universo masculino escritas por eles mesmos.
Sinto-me integrada com eles.

Leio vários blogs escritos por homens inteligentes, porém, digamos que hoje em dia, um pouco em crise.

Na área dos relacionamentos, eles ainda têm questões um pouco indefinidas e relacionamentos abandonados sem razão, ou com razão (não-ditas à parceira) permeados por muita falta de comunicação.
Isso por mais que eles pensem. E pensem muito. Muito racional, lógica e praticamente.

Anos atrás, ou há uma década atrás, perguntei a um dos meus amigos, Nick, porque o meu namorado da época estava comigo e com uma pessoa do nosso grupo ao mesmo tempo e enquanto eu dizia a verdade a ele, ele nunca compartilhou o triângulo dele comigo. Ao invés disso, falava mal da sicrana para mim e mal de mim para a sicrana. Nós como mulheres em um círculo social inglês éramos muito cordiais, porém sem motivo nos odiávamos secretamente. Tudo por causa dele.

Nick ouviu por horas minha reclamação e disse em uma frase:
'Eu acho que os meninos em geral são assim. Não sabem como dizer algo e acabam fazendo besteira. Talvez ele tivesse vergonha da situação, ou talvez não quisesse resolver com você a situação.'

Diante dessa resposta, eu assumi a segunda probabilidade como a correta porque é algo que eu pratico muito: 'quando não se discute, é porque não se quer resolver!'

Meus textos masculinos preferidos hoje em dia são da Marie Claire inglesa, onde os homens têm uma coluna chamada 'Man Talk'.

O assunto desse mês era um que hoje em dia me parece bem comum por aqui: casamento sem sexo.
Até programas de TV prometem solucionar esse problema sob o título 'How to have sex after your marriage!'.

Li o artigo e assisti ao programa e para os homens, a visão é pragmática.

Muitos preferem não ter que fazer sexo por obrigação para manter um relacionamento. O que une um casal emocionalmente, para eles, às vezes é muito mais importante.
E muitos aceitariam se suas parceiras definissem seus relacionamentos como 'sex-free'.

Tudo isso em uma relação monogâmica.
Assim teriam mais tempo para dedicarem-se às suas carreiras, aos interesses em comum, às conversas, às leituras e ao social.
Aos homens do artigo da revista cabe o penar por suas mulheres sofrerem com tal situação, e por isso sentem uma pequena 'pena' de suas parceiras. Mas não querem ser forçados a mudar tal situação.
A necessidade física, simplesmente, inexiste.

Fiquei surpresa ao notar que homens hoje em dia querem mesmo é livrar-se da obrigação de
satisfazer uma mulher! Segundo eles: 'sex is overrated!'. A mídia pede que sejamos sexuais, como uma forma de poder, então fazemos muito sexo, como consumimos muitas roupas e bolsas e sapatos. E alguns se recusam a entrar nesse jogo.

Pelo menos quando estão já dentro da instituição que os une por muitos e muitos anos.
Esse compromisso para eles já é suficiente.

Para os homens que precisam resolver essa situação para manter suas mulheres satisfeitas (ou a separação é o próximo passo), resta a opção de ir a um programa de TV que promete 'apimentar' o relacionamento em decadência em algumas semanas.

Primeiro os casais têm aulas em separado de como tocar o sexo oposto. Para isso, experimentam em uma pessoa real, que nua, será tocada por eles guiadas por um professor.

Depois, receberão de seus parceiros uma lista com notas de quesitos como aparência, intimidade, comunicação e sexo. Geralmente, as notas são horríveis.

Após isso, escreverão uma carta onde falam o que gostam, ou não, no seus relacionamentos e como se sentem em relação ao seu parceiro. Inferiores, ou assustados, ou menosprezados, esquecidos são palavras usadas com frequência por eles.

O passo seguinte é uma preparação para o reencontro e então eles têm aula de auto-estima junto com uma 'makeover', ou repaginada no visual.

O encontro final será no lugar onde tiverão pela última vez o melhor período de intimidade sexual do seu relacionamento inteiro, e assim viajam para a Espanha em busca dos bons tempos.

Não preciso dizer que o final do programa é feliz e eles estão muito satisfeitos, pois do contrário a fórmula da emissão não seria de sucesso.

Eu não veria muita solução para um casamento deste tipo, se fosse o meu.
Por mais silenciosa e concentrada que eu seja, tenho uma necessidade física que a leitura de nenhum livro apaga.

Mas por outro lado, entendo o elo que uma relação emocional pode trazer por mais que não haja sexo dentro dela.

Como disse no começo, adoro ouvir os homens falarem e escreverem.
Sinto-me integrada com eles.

Tuesday, 9 October 2007

A 'panela' e o marginal.

Essa vida anda um absurdo!
Um absurdo completo!

Já falei aqui do que me dizem quando eu não consigo realizar algo, por mais que tenha me esforçado um tanto:
'It's not what you know, it's who you know!'

A sociedade, realmente, acredita nisso piamente!

A sua roda social pode salvar você do fracasso completo, mesmo que você seja um incompetente.
E se você for competente, você não pode ser sozinho. Você precisa de um grupo.

Eu constato a veracidade das frases acima devido à realidade atual: é assim mesmo!
Todos acreditam também que é verdade e proclamam isso como verdade única.
Uma frase propaganda que virou realidade.

Mas, eu ainda não caio nessa.

Eu não acredito em 'panelas'!

Elas não são verdadeiras, e eu não sou idiota. Então, por não ter uma 'panela' social, eu acredito que seja uma marginal nessa sociedade de hoje. Falei marginal, ou à margem do pensamento geral, porém não vítima. Não sou vítima da sociedade ou de ninguém!

Eu tive a oportunidade de aprender a sobreviver e faço o máximo para abusar dos mecanismos que me deram (estudo, palavras, ensinamentos, conselhos e experiências) e sobreviver da melhor maneira possível.

Mas, e os que não tiveram minhas oportunidades e são marginais forçados em uma sociedade?

Estou escrevendo isso, porque diante do que li na Folha Online ontem, Luciano Huck acredita que foi agredido pelo marginal brasileiro. Pelo Governo brasileiro, pela maioria social brasileira, dentro do seu próprio país.
Ele se sente 'envergonhado'!

'Envergonhado' mesmo sendo a minoria dele, ou sua 'panela' social, a mais influente no Brasil: 'globais', ponte aérea RJ-SP, amigos empresários e vários negócios à disposição.

No entanto, por causa de um relógio Rolex, ele ia morrer!
Ia morrer, mesmo!

E aí vem a indignação!

E eu não entendi, porque demorou tanto.

Vamos defender um pouco o sujeito: ele não é um funcionário fantasma, ele alega pagar todos os seus impostos e criou um projeto social.
Fez mais que muitos corruptos no seu País.

Eu não posso dizer que ele faz tudo isso para 'tirar o seu da reta', porque seria idiotice da minha parte.

Ele pode ser rico, sim! É um direito adquirido por ele!

Então, Luciano, que exerça sua riqueza com sabedoria!

Minha mãe me diz uma coisa desde pequena: 'Não se estimula a cobiça de ninguém. É bobagem isso!'

E assim nunca deixávamos à mostra coisas de valor, ou saíamos à rua com coisas de valor. Sabemos onde moramos e que as pessoas ao redor não poderiam ter um colar de ouro com um pingente de brilhantes. Mas, sim, é um direito nosso tê-los, pois o dinheiro é nosso e usamos como queremos.
Cobiça instiga raiva, raiva instiga violência. Simples: não queríamos ser violentados!

O pensamento dela é um pensamento brasileiro baseado na nossa condição social geral.
E está ligado à outro que li como sendo de Fernanda Torres há anos atrás:
'Usar jóias no Brasil é brega! As pessoas não podem comprar o que você tem.'
Radical!
Eu acredito que ela tenha, sim, algumas jóias. Até como herdadas de família.
Mas entendi o que ela quis dizer: 'não se estimula a cobiça de ninguém!'

E aí, vem Luciano Huck reclamar através de texto nacional porque esfregou um rolex na cara de um que estava à margem de sua 'panela', e não tem o que ele TINHA em um sinal de trânsito de São Paulo.

E continuo pensando que as 'panelas' não são a solução.
E eu reformulo o que Fernanda Torres talvez tenha dito:
Ser elite, ou 'panela' no Brasil é muito brega! Hierarquia é muito brega!

Vou roubar as palavras de um e-mail da minha amiga Clarice como fato que são e que precisam ser repetidas:

As pessoas não querem se misturar, pensar e fazer o social, usar seus talentos para ajudar os que não têm o que elas têm!

Lembro de um alemão que conheci no Rio de Janeiro.
Era uma pessoa legal, fiquei agradecidademente na casa dele, mas com o convívio comecei a notar as palavras 'neguinho'e 'pobre' repetidamente em seu discurso.

Notei que ele brigava em sinal de trânsito em pleno Rio de Janeiro, e agressivamente. Depois ria, como se não fosse nada! Ele se achava no direito de fazê-lo, porque a 'panela' social brasileira dele o tinha ensinado assim.

Ele tinha que morar no Brasil! Foi a escolha dele ao casar com uma brasileira.

Então, em meio a tantas reclamações dele e o palavriado que ele usava, eu tive que falar o seguinte:
'Se você está tão insatisfeito com a situação, porquê não tenta mudar? Ensinar alemão à alguma comunidade é um começo, fulano?'

Ele, com vergonha me disse: 'Eu não, o Governo que tem que fazer isso!'

E o pensamento dele é o pensamento de muitos.

Muitos procuram suas 'panelas' exclusivas, e que se danem os marginais.

E aí, a 'panela' vale muito!
Quando eles não tem a quem culpar.... bem..... 'Foi o Governo!', grita um ou grita outro!

O cerne da questão e a verdade é que desigualdade não faz bem à ninguém.
Então, por tabela, elite, hieraquia e 'panela', na minha cabeça não funcionam.
São muito bregas.

E quem acredita nisso, acredita em um absurdo!

Eu fico com o marginal, e não com Luciano Huck.

Monday, 8 October 2007

Bloody Solitude

Esta semana um amigo frânces me tocou no msn:

'Ah, Maria, vi seu blog! Mas não entendi nada.'

Eu o enviei o link do Babel Fish Translator.

Depois ele me disse em tom condescendente:
'É incrível como consigo perceber de longe quando você está triste, ou não!'

Como assim, se ele não entendeu nada?

E assim percebi que ele só leu o título, e prometi que um dia escreveria uma frase para ele aqui.

Alors, voilà pour toi, Thomas:

Ne t'inquiètes pas! 'Bloody Solitude' c'est un titre ironique!

O mal do feitiço do amor nas recém-mulheres.

Esta semana me lembrei do que me disseram uma vez em uma recepção de casamento em Olinda:

- 'Sabe aquela época na qual todas fazem 15 anos? Pronto! Agora é a vez de todas ficarem grávidas ou casarem!'

E a frase faz muito sentido!

Desde os últimos 4 anos, vejo um baby-boom ao meu redor!

Nesta última semana, quatro anunciaram as suas respectivas gravidezas:
Nina, Ana, A. e S.

As duas primeiras tinham na notícia um tom de final feliz, com um tímido choro de alegria e emoção:
anos de tentativa em amar corretamente e multiplicar esse fator, alguns tratamentos e sacrifícios físicos e pelo menos um (ou vários) aborto espontâneo esquecido até a reta final.

Não preciso dizer que Nina e Ana têm mais de 30 anos.

Já para A. e S., o tom foi de conformismo com um acidente de percurso, misturado com um explodido e alto choro de desespero:
pouco tempo de amor e muito descuido e nenhuma gravidez no currículo até o resultado atual.

E não preciso dizer que A. e S. têm menos de 20 anos.

E pensei por dias: como se chega a tal situação nos dias de hoje?

E a causa do 'acidente' para mim é a tal: o feitiço do amor nas recém-mulheres, ou mulheres jovens é fatal. Faz esquecer cuidados básicos, regras do amor nos tempos modernos como o uso da camisinha, e é embutido de um sério romantismo cego digno de adolescentes ainda.

Vamos falar de A. um pouco: está na Europa há alguns anos, ainda não fala inglês. Apesar de ter dinheiro suficiente para entrar em uma das melhores universidades inglesas, não poderia fazê-lo pois não tinha um certificado de inglês como prova ou fala a língua com maestria.

Agora, diante do 'acidente' e chorando pelo fato em si, junto ao abandono do futuro pai que se achou muito novo para tal responsabilidade, ela ainda pensa se poderá levar adiante tal situação ou se vai largar tudo e voltar ao Brasil.

A. me disse: 'Nunca acreditei em abortos! E não penso em fazer um!'

Diante de tal resposta, eu não sugeri nada. Fiquei calada.
Não adianta 'se' ou 'caso tivesse', ou mesmo julgar. É fato consumado.
E agora? Sozinha e com essa responsabilidade? Não achei legal e não queria estar no seu lugar.

Falemos de S. agora;
não fala inglês, mas fala outra língua européia, trabalha e é linda, mas ficou grávida de um que não fala nenhuma outra língua além do português e que não a deixaria abortar por nada desse mundo, como já a disse.

Explico que o importante de se falar outra língua estando na Europa, é o aumento das suas possibilidades de progresso e do seu grupo social por aqui. Eis então, que é fundamental.

S. me disse: 'Dizem que quem faz a besteira agora tem que aguentar e botar no mundo, né?!'
Logo em seguida, fez a pergunta terminal: 'Você o que faria?'

Eu respondi: 'Eu aos 19 anos não estaria pronta para ter ligado à minha vida um homem tão intransigente como esse. Ainda mais para sempre. Eu só sei que tenho mais idade que você e ainda não quero mudar minha vida a esse ponto. Por que vai mudar e você sabe disso, não?'

Ela balançou a cabeça e chorou. Depois esqueceu e sorriu.

Com ela, o feitiço do amor foi sorrateiro e trouxe um homem que, com certeza, não a vai deixar sozinha por muitos e muitos anos.

Não adianta 'se' ou 'caso tivesse', ou mesmo julgar. É fato consumado.
E agora? Acompanhada por um que não a deixa escolher e com essa responsabilidade? Não achei legal e não queria estar no seu lugar.

Queria que eles ouvissem os testemunhos de amigas do passado, que tiveram seus filhos e 'foi a melhor coisa que já podia ter acontecido em suas vidas', porém perderam várias oportunidades ou limitaram a longevidade das suas conquistas individuais porque viraram 2 pessoas! E a segunda pessoa que chega tem sempre a prioridade!

Ah, o feitiço do amor!
E quando pega as recém-mulheres, traz muitas vezes essas consequências irremediáveis.

Friday, 5 October 2007

O 'conto de fadas' português!

Nunca quis ir ao Portugal.

Aliás, nunca tive a vontade de conhecer um país que falasse a língua portuguesa para me sentir à vontade fora do Brasil.

E, por tabela, nunca imaginei que a vida européia via Portugal seria mais fácil, caso a tivesse escolhido, pela língua falada ser a mesma que a minha nativa.

Mas esse 'conto de fadas', de que a vida seria mais fácil, de que se ganham fortunas neste país, e de que brasileiros e portugueses são irmãos até hoje vivia muito na minha memória como tradições orais que não se esquecem. Você um dia ouve de alguém e guarda na memória.
E me pego pensando em Fafá de Belém e Maria Bethânia.

Cheguei em uma segunda-feira ao país luso, um dia corriqueiro e normal.
Pronta para ver a realidade de um país que eu não conhecia.

A conversa na imigração com o oficial foi amigável, porém, já uma prévia do país:

- 'Ah .... você é residente inglesa?'

- 'Sim, sou!'

- 'Pois é! Ninguém é perfeito... Primeira vez no país?'

-'Sim!'

- 'Que vergonha....'

-'É. Mas aqui estou.'

-'Boa estadia!'

E segui. Minha primeira impressão foi: 'nossa, que homem opinativo! Metido!'.
Sabia desde já que Portugal requeria uma boa dose de paciência.

E segui direto para a casa de L., uma amiga de infância que resolveu morar em Lisboa há 3 anos atrás e me deu um ultimato:
-'Olha, Maria Hilda, eu não chamo mais. Quando eu for embora de vez para o Brasil você vai se arrepender!'

Então, eu fui!

Antes de chegar à sua casa, pedi um café e li um jornal local. A manchete era:
'Portugal vai contra a tendência da União Européia e desemprego cresce 8.3% ao mês'.

Incrível! Portugal não é tão fácil como eu pensava.
Contudo, eu fui ao lugar atrás dos churrascos brasileiros, do vinho do porto, de alguns sacos de feijão, das bolsas de couro e dos cafés e das compras em geral.
Enfim, seriam férias como outra qualquer, mas nunca associando Portugal a um país da Europa.
Por que não é isso o que se sente quando se está lá.

Cheguei à casa de L. que co-habita seu apartamento com G., R. e S. , a namorada do último que vive lá por consequência.

L. me disse:
'É! As pessoas não entendem porque eu tô voltando, então cansei de explicar. Elas pensam que é uma maravilha morar na Europa e ganhar em euros.'

Eu respondi:
'Não é da conta de ninguém o que você quer fazer da sua vida. E para o seu consolo, eu que estou aqui há 3 horas e já fui rodada pelo taxista português como se estivesse no Rio de Janeiro, entendo muito bem o que você sente. Vá embora já!'

Daí por diante foi somente confirmar a primeira impressão.

Portugueses tratam brasileiros muito mal.
E mulheres portuguesas tratam mulheres brasileiras mais mal ainda.
É uma inveja descarada, ou seja, na cara. Eles não sorriem, gritam ao falar e perdem a paciência com você em um segundo!
Corrigem seu português mesmo que você peça por um café pago no estabelecimento mais caro do lugar.
Corrigem sutilmente. Corrigem repetindo a mesma frase com um sinônimo.
Um fora sutil!
Ou, então, ecoam por várias vezes um 'desculpe, não percebi!'
Por que não entenderam o que você quis dizer. Simples assim.

Tudo isso se justificaria se Portugal não tivesse colonizado o Brasil, e se Portugal não tivesse mais de 100 mil habitantes de nacionalidade brasileira (legalizados!) no país ao dia de hoje.
Fora outras nacionalidades de imigrantes de língua portuguesa.

A Inglaterra ainda hoje tem uma obrigação social com a Índia por ter imposto sua cultura lá por anos.
E o Brasil por mais que não precise de Portugal hoje, merece respeito pelas vidas dos seus índios e os frutos de seus pau-brasis.

Respeito, apenas!

De noite no segundo dia, em um bar da cidade, sentamos com um grupo de portugueses e brasileiros e entre os assuntos variados, chegamos a várias conclusões atestadas por um grupo que continha, um advogado, um dono de bar e um sócio de uma rede de sapatarias da cidade. Todos os três portugueses....

As conclusões foram nessa mesa de bar:

- Portugueses acreditam que a maioria das brasileiras recorre à prostituição quando não conseguem algo e que os homens brasileiros são ótimos para os trabalhos atrás de balcões ou em obras. Com o adendo de que portugueses gostam mesmo é de transar sem camisinha. E é muito normal pelo menos uma vez ou outra não usá-la.

- O termo 'favelado', 'neguinho' e 'paneleiro' (ou gay) é muito comum quando associado à nacionalidade brasileira. Eu, por exemplo, era uma que eles achavam que não era uma amiga 'favelada' de L.

- Portugueses crêem que brasileiros vêm ao país para tomar os seus empregos. Mesmo que não se submetessem a tais postos (em bar ou obra) por serem da comunidade européia.

Então, já pelo terceiro dia de tormento, e de conhecimento da vida de alguns brasileiros por lá, comecei a pensar em cada um deles com carinho....

G. é um doce de pessoa. Veio da Bahia, e segundo os portugueses estaria incluído na categoria 'paneleiro'. Como não sabe dizer não, noite após noite G. como gerente, fecha o bar 1 hora a mais do seu turno (sem direito à hora extra) sob a desculpa de um português que quer dar uma dica a ele sobre algo no país em troca do serviço de uma cerveja.

R. é ingênuo nos seus 22 anos. Porém por ser branco e alto, apela da sua virilidade e 'beleza' para conseguir o que quer. Trabalha em um bar mais caro do Bairro Alto, pelos mesmos tais atributos já citados, porém não cruza a linha do bar ao salão por não falar inglês (????) e só ter completado a quarta série do primeiro grau em Recife. Seu 'brasileiro' não é suficiente para ser garçom, então funciona, imagino, como enfeite de bar. R. estaria para os portugueses incluído na categoria dos que 'roubam' empregos lusitanos.

T. é um chef de cozinha simpaticíssimo de João Pessoa. Veste uma bata da Le Cordon Bleu, onde fez seu último curso de cozinha em Paris. Após o trabalho, corre para casa. Talvez, para não conversar com o dono do bar, pois para os portugueses estaria incluído na categoria 'paneleiro'.
Faz bem, ele.

S. veio de Recife e namora R. há 2 anos. Eu a conheci, enquanto a olhava se maquiando por 30 minutos entre pincéis e um teste de gravidez. Não mora em Portugal, mas acha que por R. vai acabar por lá. Na Europa desde os 11 anos de idade, conseguirá a nacionalidade alemã ainda este ano após 8 vividos no país das cervejas e salsichas. Trabalha como maquiadora profissional, mas para os portugueses, estaria incluída na categoria 'prostituta', já que como quase européia não poderia mais ser favelada e porque se pinta muitíssimo e é MUITO bonita.

E no último dia, resolvi me entregar ao consumismo para esquecer as mazelas, pois eu já não queria ver nem Belém, nem monumento de Descobrimento ou caraças nenhuma. Queria ir embora.

E a cena final foi com os 'carteiristas' no ônibus.

Uma cena de furto na ida ao destino, e outra na volta com os famosos 'carteiristas' bêbados no trecho Calvário-Chiado.
Enquanto lá fora, faziam 19 graus, sem sol.
Pensei: 'Antes, eu estivesse em um ônibus na praia do Flamengo.'

Pensei em minha mãe, que gosta de Portugal e tentei justificar o seu gosto.

Acredito que por não falar inglês, e ter um francês enferrujado, além de gostar de um bom prato de comida brasileira, esse seja o motivo do atrativo de Portugal para ela.
Tanto para ela, quanto para os seus turistas ou seus imigrantes.
É parecido com o Brasil, mas nem de longe é o Brasil.

Eu tentei acreditar nesse 'conto de fadas', mas confesso que a melhor parte de Lisboa foi o acesso ao Duty Free em euros na partida, a churrascaria brasileira com o mineiro de Uberaba me servindo picanhas ao alho, os sacos de feijão por 0,44 centavos de Euro cada e as desprezadas batas 'turcas' que comprei provenientes da Índia.

Adorei todos os brasileiros que conheci em Portugal, são lutadores natos, pessoas pacientes e 'raçudas'. Mas fui sincera quando me perguntaram se eu tinha gostado da cidade:

'Queridos! Espero encontrá-los em outro lugar!'

Ninguém merece ser desrespeitado ou ser mal-tratado por não ser de tal país.
Pensei em como os brasileiros são bons com os estrangeiros. Ah,... o respeito!

Queria que eu tivesse visto um Portugal diferente, mas não foi assim.

Tomara que saiam de lá o mais rápido possível, como a sábia L.