Thursday, 27 September 2007

Baby talk!

É o seguinte:
'Você cresceu, então porque está falando assim? Cresça!'

Eu nunca disse a frase acima. Mas já tive uma vontade absurda de dizer quando eu ouço homens ou mulheres adultas falando como bebês. Acho estranho, confuso, um disfarce óbvio para com as suas durezas de pensamento. Simplesmente, sinto repulsa.

A., húngara, e H., norueguês, moram juntos e trabalham juntos, e sentam ao meu lado.

A. é uma fria mulher, insensível, acha-se fodona e destrói sua linha de pensamento em um segundo dizendo: 'Isso é uma bobagem!'. Quando fala ao telefone com seus alunos, quase grita. É dura na queda!

H. é organizado, mais justo, ainda inflexível e assim como ela, muito conservador. Para ele 'mulheres que bebem álcool são estranhas'. Ele é nórdico.

Então, eu simplesmente acho ri-dí-cu-lo, quando essa mulher de 26 anos fala como uma criança, tentando ser gentil, ou mostrando suas fotos de viagem, ou pedindo à gerente para sair mais cedo.
Sinto muito, porém não combina.
Para ela, é um disfarce óbvio. E eu não sou idiota.

Mas, para outros é bonitinho.

Fui em abril deste ano, assistir à um projeto poesia e música com o Michel Melamed no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro.

Melamed tem um carisma que não se compra. É um ator com um movimento no olhar encantador, alerta e atento na cena, no embate do diálogo no palco. E sua versatilidade com as palavras o fazem interessante.
Além de ser um homem bonito, claro.

Porém, quando ele começou a dizer sua fala improvisada, o fez com voz de bebê:
'Eu vou fazer primeiro uma coisinha bonitinha, assim pequeninha, axim, axim....'

E eu o olhei com nojo!
Sinceramente..... não dá!
Aquele homem todo, sozinho no palco, e falando como bebê.

As adolescentes riram, lógico. Para elas soava bonitinho.
Para mim, soava ridículo, irritante. E muito desanimador.
Todo o sex-appeal dele se desfez naquele momento.
Acabou!

Acho que é uma questão de maturidade falar ou não como bebê, em qualquer relacionamento.

E eu repito...

É o seguinte:
'Você cresceu, então porque está falando assim? Cresça!'

A visão dos outros

É bom descobrir o que pensam de você.

Ainda mais quando você não se importa muito com o que pensam os outros.

Soa como uma surpresa.
Boa.

Ontem, recebi um telefonema de A., uma amiga basca, direta, rápida com as palavras, passional, e muito fiel.

Já trabalhamos juntas. Eu saí do lugar, e ela continua lá. Faz parte da sua lealdade continuar na mesma função por anos. Assim como no seu casamento de já 12 anos, enquanto ela ainda tem somente 30. A lealdade é uma característica dela. E ela escolheu ser leal e fiel a mim como amiga.
Fico lisonjeada.

E ontem escutei:
'Maria, estás bem? Desculpa por não haver ligado estes dias, mas liguei hoje. Parto para Bilbao em 3 horas, mas queria dizer adeus antes. Volto no final de outubro, estarás aqui? Quero te ver. Mas, tenho notícias agora. Queres as boas ou as más?'

E eu, como sempre com essa pergunta:
'Oi, meu amor. As más antes, por favor! End it on a high, please!'

Ela:
'A má é que vou embora sem ver-te e não tomaremos nosso café esta semana com Mikel (seu filho de 6 meses, que aliás se comporta muito bem quando não está faminto!).'

Eu:
'Isso é uma sacanagem, viu? Mas, tudo bem! Aproveite tudo que o frio começou!'

Ela:
'Eu sei, eu sei, mas já botei a calefação hoje. Esse ano não vou tentar me acostumar com nada(acostumamos nosso corpo sofrendo no começo do inverno! para sofrer menos depois! tática inglesa de guerra, eu acho, pois aprendemos com nossos maridos, que aprenderam com seus avós.) Mas agora vem a notícia boa.... Qual é? Diga-me você!!!'

Eu:
'Estás grávida!'

Ela:
'Sim, de seis semanas! Estou tão feliz, queria te dar um abraço, e que me viras antes de partir, mas te liguei assim que soube! Amo você e queria dividir contigo.'

Achei lindo, isso! Sou tão querida que soube a notícia antes da família em Bilbao!
Acho que Ana me ama! Bom.

Hoje, cheguei ao trabalho e a japonesa Y. me perguntou sobre a conversa que tive com a professora amiga dela ontem, e o que tinha resolvido. Ela ficou 'curiosa'.

Devo dizer que eu não tenho intimidade com meu time no trabalho. Não tenho intimidade com os dois italianos, com o polonês, com o iraniano, a húngara, o norueguês ou a chinesa, muito menos com a reservadíssima japonesa.

E eu respondi a Y.:
'Marquei minha primeira aula. Será quando eu voltar de Portugal. Mas farei sozinha, porque aparentemente, Tris já fala tudo que precisa quando viaja.'

Ela:
'Ah, que pena! Tem certeza de que vai fazer sozinha? Mas assim você vai aprender muito rápido, porque já é muito talentosa com o uso de outras línguas. Ele ficará com inveja.'

Eu:
'Vou, sim. Se ele ficar com inveja é problema dele.'

Ela:
'Maria, eu adoro você. Você é muito engraçada!'

Olha aí! Uma pessoa que nunca fala com você, ouve tudo que você faz e decide chamá-la de talentosa e engraçada.
Eu entendi a graça que tenho para ela, porque entendo que na cultura dela uma mulher não pode nunca ser mais hábil do que o seu marido. Não seria leal. E essa eu não compro, então, sou engraçada para ela.

E antes de chegar pela manhã, eu passei no supermercado e bati de frente com S., a brasileira que fez coxinhas no meu casamento e tem 3 filhos sendo mãe em tempo integral.

Eu:
'Olá S.... nossa! como eles crescerão! (as crianças! todas acordadas, vestidas e no supermercado às 8h30 da manhã)'

Ela:
'Pois é, lembra desse? Era o bebê quando você casou!'

Eu:
'Incrível! Acho que é a água daqui, não?'

Ela:
'Hahaha! Não, é a comida mesmo. São uns lobinhos e vim comprar justamente isso. Tá trabalhando?'

Essa é uma pergunta bem brasileira..... acho que lembranças da inflação, do desemprego, da dificuldade... assim, a primeira pergunta é : Você está trabalhando?
Ou foi uma pergunta comparativa de uma mãe em tempo integral, apenas.

E eu expliquei o que fazia além de cantar.

Ela:
'Nossa! Como você é chique! Mas também, eu queria ser inteligente como você. Para você nunca falta trabalho!'

Nossa, a mulher da coxinha também tem a sua opinião ao meu respeito!
E é uma visão boa.
Tá bom, eu sei... ela não me conhece, e só sabe dos fatos. Foi uma linha de texto geral e educada que ela soltou.
Mas é uma visão boa, pelo menos.

No final das contas, fiquei pensando que eu nunca parei para pensar muito nessas pessoas, retirando A. da lista, porque penso muito nela.
Mas, nunca elaborei a sua lista de adjetivos, a lista que a descreve.

O mais importante é saber que pelo menos, minha imagem externa anda bem, mesmo sem que eu pergunte!

Wednesday, 26 September 2007

Fobias?

Hoje me perguntaram se eu tinha claustrofobia, agorafobia, ou qualquer outro tipo de fobia ao social para gostar tanto de estar sozinha.

E meu primeiro pensamento foi: 'um elefante único incomoda muita gente'
Mas aí, fulano, devolveria a citação com : 'ah, mas dois elefantes incomodam muiiiito mais! hahaha!'

E eu respondi apenas:
'Bem, eu trabalho em grupo, eu vivo em dupla e interajo com o mundo todos os dias. Mas, eu poderia ser uma monja no alto da montanha sem muita confusão mental. Eu me sinto bem mesmo é sozinha, sem chateação.'

Tive que dar uma resposta longa.
Seria mais considerado do que dizer 'eu gosto assim e não é da sua conta'.

E sempre foi esse o meu conceito.
Mas eu desminto, para o bem do social, se for preciso.
Meu pensamento não é uma bandeira. É a minha preferência.

A começar pelas minhas profissões ideais:
cantora, designer de moda, fotógrafa ou professora.

Profissões que dependem do seu próprio esforço, e que podem tê-lo como centro de atenção em sua unidade. De esforço solitário, ainda que posto em conjunto.

E no momento, meu trabalho diário também me proporciona isso.

Sou responsável por completamente tudo relativo a 5 países no mundo, e não divido meu trabalho com ninguém.

E todo o grupo tem a mesma função.
De produzir seu trabalho de forma individual.

Ao final do mês, somamos os lucros e os dividimos igualmente.

E isso, sim, é um trabalho de grupo perfeito!
Sem interferência na sua produção individual.

Porém, estar sozinha também é ótimo, porque é preciso poucas interferências para adiantar o próprio passo, traçar o próprio futuro, ou encontrar as suas próprias decisões.

E porque a vida é minha e eu sozinha devo dirigí-la, escolho ser só, ou estar só quando não tiver que interagir com outros.
Sem fobias.

E assim, se a pessoa que me perguntou leu o acima, espero que ela tenha, finalmente, entendido o motivo por trás da monstra solitária.

God bless wi-fi!

Ser uma pessoa só não é vergonha na Inglaterra!

E me deparo com o cúmulo da solidão por aqui, o que me anima muito, diga-se de passagem!

Muitos pubs na cidade agora têm adesivos com os dizeres abaixo na porta de entrada:
'We have wi-fi!'

Nos cafés isso já existia.

Porém nos pubs? Um espaço tão barulhento e cheio?
Sim!

Isto significa que agora você encontrará em um pub vários indivíduos 'individuais'!
Sem estarem tristes!
Esqueçam esse conceito, por favor!

Mas há um 'porém' nessa história!
Você tem que ter um laptop!

E aí você justifica a sua solidão com trabalho, projetos, estudos, ou o que seja para a sua falta de companhia ao tomar aquela pinta de cerveja.
Eu não gostei dessa parte de se ter uma desculpa para ser só, mas aceitei.
Já é um primeiro passo.

Resolvi testar a área e fui ao pub ao lado de casa, sozinha e já perto da hora de fechar , para ver o que acontecia.

Levei o meu laptop na bolsa, mas não o saquei de um pronto.
Esperei, peguei uma cerveja e fiquei lá. Só!
Bicando o copo, e olhando o movimento.

E pumba! Chegou um grandão qualquer!
Puxou conversa, perguntou se podia sentar.
Eu disse: 'Não! Obrigada, mas quero ficar só.'
Ele: 'Oh, sorry!'
Eu: 'No worries!'

Depois chegou outro e pediu uma cadeira da minha mesa.
Eu, prontamente, cedi!
Fim de conversa com esse.
E fiquei como queria: só e sem cadeiras!

Então, saquei o laptop e entrei na internet.
Fiz uma pesquisa real, para não parecer tão cretina assim.

E foi como se, de repente, eu tivesse desaparecido.
As pessoas até faziam mais silêncio ao meu lado, tal como em uma biblioteca.

E aí me lembro como é fantástico ser sozinha aqui neste país.
Você é aceita por ser sozinha também! Melhor, respeitada na sua solidão!
É um direito!
E não tem desculpas tristes por ser só!

Aliás, nunca seja vítima na Inglaterra e justifique sua tristeza com a solidão.
Isso é sinônimo de inconstância emocional.
Muito feio e aí, sim: triste!

Sendo só, você também pode fazer tudo o que um grupo, ou casal faria.
Lógico que o laptop me ajudou a barrar qualquer metido que viesse ao meu encontro, e foi uma desculpa para exercer minha solidão, mas funcionou!

Ser uma pessoa só na Inglaterra, felizmente, é uma norma pública!
E viva o wi-fi!

MH (vulgo Maria Sobral) na Coquetel Molotov de Novembro!

Olha que legal!

A confirmação veio hoje de que uma resenha musical minha vai estar na edição de Novembro da revista Coquetel Molotov.
Great!

Valeu, Jarjar, menino-prodígio!

Acompanhem lá no futuro:
www.coquetelmolotov.com.br

Projeto 1 : falar uma língua asiática!

Hoje resolvi que seria legal fazer algo com Tristan, o viajante, quando ele estiver pela Inglaterra.
Por que eu gosto do humor de Tristan e rimos muito juntos.

E pensei nas coisas que ele já quis e me pediu para ver se encontrava uma resposta.

Aviso! O meu homem, assim como a mulher que o espelha, é um homem caro.
E já me pediu:

- Um I-phone (desde maio), ou um I-Pod decente (dei a ele o minúsculo de 512 Mb que ganhei de bônus da empresa!);

- Uma viagem à India, ao Japão, ou a Hong Kong;

- Aulas de aviação numa cidade próxima à nossa;

- Metade do depósito para a casa, ou seja, 6k, ou 6 mil libras.

Então, vi que como eu queria aprender uma língua asiática e ele já foi ao Japão 5 vezes, seria ótimo se fizéssemos uma dupla que começasse a falar japonês em casa.

E também porque me lembrei que a série que ele mais ama no momento é a americana 'Heroes'.

Após baixar todos os episódios pela internet, e ver alguns que são todos falados em japonês, ele começou a repetir as falas.
E eu repetia com ele, enquanto assistíamos ao episódio.

Sim!!!
Dois idiotas na frente do mac (o episódio foi um download ilegal, já deletado, por sinal! somos cuidadosos!) tentando falar japonês.

Soooo, vou marcar 5 aulas com uma japonesa lá em casa.
Para sermos menos idiotas e mais instruídos.

Acho que ele vai gostar!

Zeitgeist, The Movie! (The Revolution is Now!)

Ontem, eu cheguei em casa de bom humor.

Tris estava em casa e pronto para sair.
É sempre assim: eu chego, ele sai.
Durante a semana, eu sou funcionária, ele é músico.
Os papéis se igualam nos finais de semana apenas.

E começa meu tempo 'me' durante a semana.

Mas, Tris também estava de bom humor, e veio me falar do banco mundial, da conspiração do 9/11, do zodíaco, da North American Union... tudo ao mesmo tempo!
E eu, 'nossa, he had a dictionary for breakfast today!'.

Então, abriu o mac e deixou esse tal filme da internet no ponto, e disse: 'assista isso!'

Como eu estava de bom humor (repito! é importante mencionar!), deixei que me contassem uma história...
E que história!
Na qual tudo faz muito sentido e mostra que se nós não nos cuidarmos, seremos marionetes nas mãos do banco mundial.... como já temos sido!
História também que me confirma o que eu sempre pensei: como os EUA são filhos da puta!

Enfim, não vou explicar.

Esse filme é igual aos temas religião ou futebol: atrai opiniões controversas e é melhor que se assimile antes e forme-se sua própria opinião.

Só sei que hoje acordei atrasada, por dormir tarde, por tanto pensar nesse filme, e os sinais na rua me davam uma solução em sinais.

No caminho passei pela loja Chinesa, que tinha pela primeira vez um anúncio em inglês na vitrine falando da 'Global Church, Global Mission, GLOBAL UNION'. É o primeiro apelo de conjunção que a religião faz, em qualquer língua.

Mas adiante passei pela agência de viagens que faz promoções para diferentes passaportes. Se você for europeu, paga menos. É um clube exclusivo.

E no final eu dei de cara com o cartaz do próximo filme de Jodie Foster : The Brave One.

Eureka! É isso! Temos que lutar!
Che renasce e Zeitgeist usa esse slogan: The Revolution is Now!
E, eu queria ser linda e brava como Jodie Foster!

O legal é que é um filme disponível inteiramente no Google movies, online.
No entanto, todo em inglês e sem legendas.

Vale a pena vê-lo só para você começar a pensar no que é verdade ou mentira e tirar suas conclusões:
http://www.zeitgeistmovie.com/

Tuesday, 25 September 2007

Noivado internacional.

Eu fico sempre sentada no meu cantinho.
Olhos fixos na tela, e se falarem comigo, eu ensaio uma desatenção com o exterior, ou com a sua vida.

Esse é o meu dia-a-dia para ganhar dinheiro e ver o dia passar rápido. Entro, trabalho e saio.
Sem apegos.

Porém, eu ouço tudo neste escritório, e hoje foi uma conversa peculiar do iraniano com o italiano.
Eles, em meio ao grupo, são amigos, começaram a trabalhar no mesmo dia, e são virginianos.
Devem pensar parecido.
Falam de mulheres o tempo todo!

O iraniano é professor de salsa com namorada inglesa, e o italiano um solteirão convicto e gasta todo seu salário com sua máquina fotográfica.

Então, o iraniano chega para falar com o italiano:

IR: E aí, dude?

IT: Bem, bene...

IR: Ontem, minha namorada ficou puta. Ela foi me ver dançar e eu não dancei com ela, mas dancei com todas as outras. Tu achas que eu fiz errado?

IT: Bem.... É trabalho, né?

IR: Isso mesmo! Foi isso que eu disse a ela... Estou trabalhando! Mas ela ficou irritadíssima.

IT: Você vai resolver com calma.

IR: Já resolvi! Fiquei noivo. Não sei qual o sentido, mas ela falava tanto nisso, que eu resolvi acalmá-la. Fiquei noivo sem anel.

IT: É. Eu também não entendo noivados.

E eu fui tomar um café na cozinha.

Noivado, sim, é antiquado.
Mas, como assim você não entende o que significa?
Significa uma promessa que para uma mulher romântica é como uma bomba-relógio.
Porque uma hora a data de validade do noivado vai acabar e você vai ter que casar!

Ou pior, se acabar o noivado, a mulher vai ficar fodida!!!
Ficar noivo significa ter a ética de se prometer algo, e cumprir.
Mas esses dois, vendedores à moda antiga, cheios de lábia, não entendem muito bem a palavra ética.

Eu preciso dizer que antes disso foi o aniversário do iraniano em agosto e a mulher dele, uma inglesa atípica, trouxe um bolo feito à mão para ele e comeu dentro do escritório. Sentada ao lado dele em horário de trabalho.
Uma cena latiníssima!

O bolo estava bom, mas muito gordo.
E não, ela não é gorda! Ela é bonita!
Fiquei me perguntando o que ela viu nele.....

O italiano neste dia ficou babando de inveja do bibêlo que o iraniano tinha.

Mas, o melhor de tudo foi ver que noivado hoje em dia, realmente, é apenas um amansa-leão.
Um puro tapa-buracos!
Antes, ele tivesse dado à essa inglesa flores!
Não sabe ele no que se meteu.....

Googleie-lo!

Eu googleio meus exs!

Googleio-los para saber se eles aparecem, ou como estão, no que se tornaram.
Não há um sentimento de nostalgia, ou saudade. É apenas como uma certa competição.
Checar se a vida deles anda melhor do que a minha!
Pura competição.

E é muito engraçado ver que eles estão mesmo ali, prontos a serem descobertos.

P. me conheceu adolescente e tem um currículo online, em formato html, com seu e-mail disponível.
Eu só fiquei me perguntando se um currículo online realmente lhe trouxe algum fruto na vida.

Mas, P. sempre foi assim. Ele tentava se encaixar em qualquer buraco quando queria algo na vida. Ele era batalhador.

G. queria ser advogado, e começamos a faculdade juntos. Ele direito, eu jornalismo.
Ele era tão meticuloso com qualquer palavra e seu sentido literal, que pensei que seria acadêmico no futuro. Deu-me um dia uma cópia do código civil com um cartão jurando amor eterno.
Era assim que ele dizia 'eu te amo'. Através de um código de lei!
Quando queria dizer que eu era sua menininha, doidinha ou que eu falava besteira dizia: 'Ah, minha Maria, ininputável!'
Isso aos 18 anos de idade, porque queria ser juiz e já treinava o vocabulário.
Costumava jogar contra mim tudo o que eu lhe dizia, e nossa relação era um tribunal sem juiz!

Hoje em dia, G. passou em um concurso em terceiro lugar para ser auditor de casos para polícia militar do Estado (inventei esse cargo! é algo mais importante que isso!) e já está empossado.
Nossa! Fiquei com medo do futuro dele!
Medo de ele, como pessoa rancorosa que era, ter esse tipo de poder.
Seria um futuro negro.....

E tem outro G., esse em outro estado.
Esse já era mais simples, humilde e tentou um concurso para Cohab como contador.
Mas como palavras, discussões e estudo nunca foram o seu forte, e suas gírias irritantes e constantes (seu forte era outro!), ele nem ficou entre os 20 primeiros colocados.
Sinto por ele! Ele até precisava dar um impulso na sua qualidade de vida.

Já D. tem fãs em muitos lugares, e serve de referência em currículo para duas professoras americanas que passaram pela escola na qual ele era diretor.
É bem o estilo dele! Ter fãs e várias mulheres ao seu redor. De preferência, duas pelo menos.
Uma oficial como eu fui, e outra secreta para ele contar aos amigos.

K. tem uns vídeos de suas apresentações musicais, e você pode vê-lo até em ação. Ele não está gordo, somente um pouco atarrancado, pois é baixo. Não são vídeos muito importantes, somente do ofício musical dele.
Ele também nunca foi muito ambicioso e organizado. E o tempo que ficamos juntos foi suficiente para ver que nunca ia dar em nada, devido à dispersão mental dele.

O meu atual é o que está melhor!
Tem domínio de url próprio, citações por 3 páginas inteiras, e associações admiráveis.

Acho que os outros, eles seguiram o que queriam ser, ou o que não planejaram ser na vida deles.
Simples assim.

Cabe a cada um, o seu próprio esforço!
Boa sorte para eles!

A 'papada' pede uma postura diante dela.

Nóias corporais, nós mulheres todas temos.

As minhas não são muitas, pois a sociedade britânica me acha linda, magra, saudável, um show.
Apesar da praia de Ipanema discordar uma vez a cada ano quando eu boto 'aquele' biquíni.

Então, relevo, e não encuco com minhas celulites, estrias, 'love handles'... Elas têm razão de estar aqui em mim, e eu me responsabilizo: cresci, retive líquido e comi mesmo!

Porém, a 'papada' ou, duplo queixo é um horror!
E esse item não tem muita razão de ser, não!
Foi um cavalo de tróia genético que me deram. E eu não estou muito à vontade com ela, não!

Mas, já que a tenho, tento disfarçar....
O que não adianta muito, já que está literalmente na cara de quem vê.
E, fui pedir uma explicação ao oráculo moderno: o Google.

Que ele, então, viesse me dizer a razão da tal 'papada'.

Li vários artigos e a conclusão é a mesma:

1) A 'papada' pode se manifestar devido a um depósito de gordura natural do corpo. Como a barriguinha, ou o culote. Tente reduzir o peso.

2) A postura é um fator decisivo, e a Alexander Technique pode ajudar com isso. Tente exercitar-se e estar ereta corretamente, durante o dia, ou sentada no trabalho.

3) Se as duas acima, não funcionarem, somente a faca resolve, pois o problema é genético.

E aí, comecei a pensar na razão de não se ter postura.

Definitivamente, ser mais altiva, disposta e pronta para tudo através da minha postura é como serei a partir de agora.

E isso tudo para me livrar da maldita 'papada'.

Filhos? Sinceramente.....

Frases que tenho lido ou escutado essa semana, ou esse ano:

'..Filho centra! Eu era uma louca antes de ter filhos... É indescritível a sensação que você tem quando o filho pede o seu colo. É o aplauso da criança...'
Adriana Esteves, Marie Claire Brasil Sep.2007

'Olha, Maria: é uma questão de saúde. Um filho lhe salvaria órgãos. E digo mais: tenha dois logo! Assim você fecha a fábrica depois disso e acaba toda a sua obrigação.'
Minha ginecologista brasileira.

'....Eu disse a minha terapeuta: Mas eu sei que eu amo Álvaro! Eu amo ele como nenhum outro.
E sabe o que a terapeuta me disse de volta: Como você sabe que ama ele?.
Eu respondi: Porque quando ele está dentro de mim, somos uma unidade, ele me completa o vazio, me completa inteiramente. Somos um!
E a terapeuta abriu minha mente: Essa é a mesma sensação da mãe com o seu bebê quando o amamenta! De que o bebê preenche o vazio interno, aquele do seu ventre!'
Amiga falando de quando, finalmente, soube que ela tratava seu namorado como um filho. Ou que seu Álvaro buscava sempre uma mãe. Ou que ela era vazia sozinha e não entendeu.

'E o maridão, como vai? E um bebezinho? Quando é que chega?'
Huguinha, Zezinha e Luisinha. Amigas de infância que sabem que eu já tenho quase 4 anos de casamento completos.

Para TODAS, eu digo:

Obrigada, mas eu não quero centrar-me em nada. Quero expandir!
Eu não tenho obrigações na minha vida.
Eu não quero filhos, ou homens-filhos.
E, finalmente, por enquanto, eu não quero herdeiros de sangue.
Ainda não tô nesse clima, não!

E. sem culpa, por favor, deixem-me em paz!!!
Vão ter filhos vocês!
Ora pinóia!

Apto 122

Sonhei:

A família estava desestruturada: tios dispersos e desempregados, os mais velhos doentes e tudo indo muito mal em um clima rodeado de preocupações.

Em meio à arrumação dos papéis, devido à morte de alguém, os tios encontravam uma conta do 'Apto 122'. Aquele tal esquecido, por quiçá 15 anos, no bairro de Ipanema, Rio de Janeiro.

Ao saber daquilo, convoquei uma reunião pedindo para investigarem quem seria na família o real dono do 122, pois eu pagaria todas as dívidas em troca da escritura do lugar.

E assim, eu tinha meu lugar, no lugar que eu sempre quis.

Ah, se fosse verdade......

Monday, 24 September 2007

Eu faço minha parte!

O que a moda não faz hoje em dia, hein?

Após Anya Hindmarch lançar a moda das bolsas 'I´m not a plastic bag!' este ano, a Inglaterra vê uma campanha geral para banir totalmente o uso da bolsa plástica em qualquer lugar.
É a revolução industrial no sentido inverso.

Você vai a uma livraria, e ao supermercado e um cartaz grande te lembra que seria muito politicamente correto você 'SAY NO!' quando a caixa te oferecer uma bolsa plástica.

No supermercado, ganho pontos de fidelidade se eu não utilizar a bolsa plástica.
Então, minha maxibolsa hoje em dia carrega tudo.
Feijão, jornal, cerveja e tudo mais.

Eu notei esses dias que realmente faço a minha parte para a ecologia mundial, ou ganho da Inglaterra com a reciclagem, pelo menos.

Terça-feira é dia do caminhão da reciclagem (garis neste país, somente uma vez por semana!!) passar e recolher os baldes.
Mas quem organiza os baldes no meu prédio sou eu.

Sim, organizo, porque senão o gari não leva!
Gari aqui não tem obrigação de admitir sua ignorância.
Eles não levam, mesmo!!

Então, entre o mal-cheiro e a limpeza, eu fico com a segunda.

E de tabela faço a minha parte.

Ah, se todos fossem assim.......

Sol em Libra e a diplomacia nos relacionamentos.

Eu tenho convicções estranhas em relação aos relacionamentos, e para mim, são quase como superstições: não há quem me faça mudar de idéia e acredito mesmo nelas.
Eu as chamo às vezes de minhas silenciosas teorias pessoais.

Uma dessas minhas teorias pessoais nos relacionamentos é de que:
Ninguém muda após completar 30 anos.

A lógica vem do princípio de que após 30 anos de decepções, alegrias, tristezas, vivências e outras experiências de vida que cada um tem, após os 30 anos é quase impossível, ou muito raro (pago para ver!) que alguém mude.
A pessoa é o que é, ou é como se apresenta. E eu, por ter um poder de persuasão quase falho, admito que não quero mudar ninguém e aceito que não dá para perder tempo com a tal pessoa.

Eu sei..... é um pensamento cínico, incrédulo e inflexível.
Mas, é uma das minhas superstições. E poupa-me tempo.

Então, quando algo dá errado em um relacionamento com alguém, eu prefiro não perder tempo e, simplesmente, esqueço a pessoa.

Eu não preciso dizer que a esqueci, ou brigar, ou gritar, ou nada mais.
Eu simplesmente sumo e esqueço. Dou um tempo.
Vou fazer outra coisa, focar em outro projeto, conhecer uma outra pessoa.
Tenho essa relação descartável nos relacionamentos. É isso: sou eu! É a minha superstição, minha solução para as minhas emoções.

Aliás, estou no lugar certo para fazer isso, em plena Inglaterra, o lugar do não-confronto.
E se um dia a pessoa voltar, ela pode ter certeza de que eu não lembro o que ela fez. Eu esqueci o fato. Assim como um dia eu a esqueci.
E, quem sabe, podemos recomeçar de onde paramos.

M. era uma amiga e entrou nessa leva.
Ela é libriana, argentina, e tem mais de 30, além de um diploma em psicologia que a faz cheia de razão muitas vezes. O quanto ela tem de sensata e justa, tem de crítica também.
É incessante a sua crítica... a tudo e todos. E não me importo com isso, aliás, até gosto.
Mas não tanto.

E um dia, em 2004, M. passou dos limites.
M. criticou um terreno da minha vida que não fazia parte da sua conta, e fez pouco de mim na frente de muitos.
E eu fui embora.....

Não gritei, não discuti, não falei, somente fui!
Porque conhecendo ela como eu já conhecia, eu sabia que ela não iria mudar.
E eu não a mudaria.

Então, eu a esqueci.

Ela não entendeu, e telefonou.
Escreveu. Pediu para sairmos juntas.
Mandou mensagens de texto, 'ficou preocupada comigo e ligou mais uma vez', escreveu outras tantas vezes, e depois, simplesmente disse que sentiu minha falta.

Eu sempre educada, mas com uma desculpa na ponta da língua para não vê-la.
Porque não havia motivo para discutir e porque não tinha mais paciência. Não queria resolver nada.

E se ela gritasse, seria pior, pois eu a deletaria sem direito a resposta.
É assim: quando a educação falta, nem uma resposta minha chega.
Eu deleto.

Hoje, M. reapareceu.
Chamou-me para uma cerveja de segunda-feira, para celebrar a semana.
Eu gostei do otimismo infundado. Curioso!

Soube por muitos dela.... que ela acabou um relacionamento importante, que esteve só, que esteve mal, que foi ao fundo do poço, que sofreu, que viajou, que voltou, que perguntou por mim e que está bem melhor do que antes.

Queria até ter ido ao seu resgate, mas a lição de vida era dela, e não adiantava eu interferir.
O aprendizado era solitário e dela.

Mas eu, de acordo com a minha superstição, ainda não acredito que ela tenha mudado.

De todas as formas, hoje eu estou paciente e o sol em Libra me ajuda, assim como o aniversário dela chega, e achei que seria bom vê-la.

Hoje, após três anos, nos encontraremos.
E acho que será bom.

Tenho certeza de que ela me perguntará porque eu sumi.
E eu, serenamente, vou dizer a verdade.

Tenho certeza de que Libra nos ajudará hoje.
Ou não.

No final das contas, o que gosto é que eu e M. apesar de sermos amigas, ou não!, estamos sempre nos tratando de forma cordial.
Lá no fundo, somos diplomatas e consciente dos relacionamentos humanos e suas inconstâncias e
sempre somos cordiais.

Quem sabe, voltamos a ser amigas?

Halloween e home parties!

Olha só!
Hoje faltam 3 meses para o Natal!

Os supermercados aqui já anunciam.
Já posso comprar tortas, enviar cestas para o Brasil pelos correios, enfeites de árvore......
O tempo passa rápido.

Porém, antes do Natal, temos o importante Halloween e o 5th November. Datas próximas e muito festejadas.

Você sabe que você tem um círculo de amigos jovens por aqui, com o convite para uma 'home party' em uma destas datas.
E semana passada me chegou o convite para a de Halloween, vindo de Jim.

Jim Deal! Ele é popular, com um nome que soa legal, amigável, e sempre fazendo algo.
Trabalhamos juntos no passado. Ele no turno da noite e eu à tarde, ou seja, eu saía e ele chegava.
Era legal ver que ele mandava tudo às favas e ao acabar meu turno, ele saía para tomar uma no pub ao lado da empresa, antes de começar o turno dele. Ríamos muito juntos!

Ah, Jim.... Ele é querido!

E a festa será na casa que ele divide com 5 outras pessoas, uma festa à fantasia que se chama '27 Days Left Until the End of The World!'.
Com certeza, eu estarei lá.

Eu e Tristan adoramos ir para uma home party. É pessoal, tem sofá, sem cerimônia, econômico e sempre em um lugar com calefação. Lindo!
Mas, nós nunca oferecemos uma home party! Simplesmente, porque não queremos ver o carpete sujo, a sala fedendo a cigarro, nossa comida sendo usada pelos mais bêbados, o liquidificador sujo após o uso para drinks quando a cerveja acaba....

Não dá!
Então, festejamos os convites como se fossem conquistas! Somos queridos ao ponto de sermos convidados para sujar a casa de alguém?

Isso é que é amor! O resto é bobagem!!!

Não vejo a hora de chegar o Halloween!

Casamento aberto ou Solteirice fechada?

Engraçado!
Esta semana, um casal de amigos veio nos visitar.
Ótimo ter visitas em casa.
Porém, eu havia acertado há tempos que eu sairia com uma amiga no sábado, e Tris tinha sua cerveja com um amigo seu.
E o casal ficou naquela situação: com quem vamos?

Como o casal era brasileiro, veio comigo, lógico! Então, fizemos um programa meninas, com o casal a tiracolo.

Então, dancei, conversei com quem não conhecia, dancei, e me diverti.

No táxi, de volta, o marido da amiga meio sem entender, perguntou se íamos encontrar Tris depois, e eu respondi:
'Não! Tris se vira! Ele chega em casa depois que acabar a sua noite!'

E a amiga, com culpa talvez, acrescentou: 'É um casamento aberto'

Aí, eu pensei em um ritmo tornado: 'Opa! Peraí! Aqui nada é aberto, não!'
E pedi para definirem casamento aberto.

E eles: 'Assim como vocês! Viajam de férias separados, saem sábado à noite separados, têm grupos de amigos separados, tu tens planos de comprar uma casa para ti...'

Então, respondi: 'Pois, é! Eu e Tristan somos dois solteiros em uma relação fechada, então!'

E, ainda bem que é assim!
Imagina passar domingos com a família do marido? Logo um dia que eu adoro, como o domingo!
Imagina ouvir homem falando bobagem em mesa de bar e mal se referindo a você, ou pior: sair com grupos que tem as mulheres, e os homens fazendo coisas diferentes?

Lógico que fazemos coisas juntos, como a viagem ao Brasil este ano, ou a Paris ano passado, ou à Turquia no próximo mês.
Já vivemos sob o mesmo teto por 24h/7d, e temos que viver juntinhos o tempo todo?

Sinto muito, mas para nós não funciona, mesmo!

E, sim. Quero comprar a minha casa, no meu nome, já que o dinheiro é meu!
Ele viverá lá se estiver comigo. Se não estiver, eu sei onde estarei! E evitamos problemas.

Fica a conclusão de que realmente, somos dois solteiros em uma relação fechada!
´
Para mim, tá perfeito, assim!

Friday, 21 September 2007

O meu tarot tem um jeito que é só seu!

Eu me lembro de como a minha relação com o tarot, ou a torat começou!

Eu devia ter 12 anos, morava com meus avós e minha tia (sim, eu sou a neta da minha avó! tenho até o mesmo nome dela!), tinha feito minha primeira comunhão, era magrela e risonha, adorava jogar 'queimado' e era apaixonada por Everton! ou Everson... não lembro!

Essa paixão recifense me consumiu por uns tempos. E paixão até hoje me rasga por dentro. É contra-indicado para mim, tenho alergia a esse medicamento, pois me tira do sério e cometo loucuras com ela e viro outra pessoa.

Em meio a essa paixão e em uma das visitas da minha mãe, lembro que as filhas da minha avó se juntaram e abriram a 'última gaveta da estante'. Aquela que sempre fica emperrada por falta de uso. Aliás, todas as gavetas e estantes da minha avó eram 'quase sagradas'. Continham rendas, pratos bonitos, fotos e relíquias de uma família nordestina grande, outrora pobre e muito complexa.

Mas, na 'última gaveta da estante', tinha também o tal saco plástico vermelho. Dentro dele, tinha um livro e umas cartas: 'O Tarô Adivinhatório', com cartas egípcias e edição de 1962.

Minha mãe falou: 'Não acho legal eu botar para você, por que você é minha filha, mas vou tirar somente uma carta'.

Detalhe: minha mãe não sabia ler baralho nenhum! Mas eu pensava que ela sabia.

Então, perguntei a ela se ia namorar o tal Everson que tinha 16 anos, um cabelo negro e liso de índio, alto, com uma pinta no queixo. O terror do bairro de Campo Grande e Sítio Novo.

Ela tirou uma carta, e não sei qual, não lembro! Só lembro o que ela me disse:
'Para chegar a esse tal menino, você terá primeiro que chegar a Deus!'

????????????? Como assim???????????

Preciso dizer que até hoje, minha família materna tem um dom forte para o escracho!
E acho hoje, mesmo, que estavam escrachando com a minha cara.

O que eu senti depois disso foi uma fascinação por essa tal gaveta, e por esse tal saco vermelho, e por essas cartas que eu não entendia.
Entâo, desde os meus 17 anos, eu tento entender cada uma dessas cartas.

O tal baralho da minha avo, hoje faz parte da minha coleção. Tenho 12 baralhos diferentes.
Estudei cada método deles.
E ainda os abro todos os dias! TODOS os dias!

É a minha mania, meu tique, faz parte da minha solidão preenchida.
Eu e meu tarot! Nós nos amamos e as cartas nunca mentem.
A paixão saiu do tal Everson para o Tarot naquele dia.

Perdi a conta das cartomantes nas quais já fui, mas hoje em dia não vou mais!
Simplesmente, por que eu leio junto com elas e discuto durante a consulta.
E aí acho injusto pagar a alguém e ter feito o mesmo trabalho.

Minha mãe me diz que eu nunca deveria cobrar para botar as cartas:
'Traz má sorte!', diz ela.

Contudo, se você é amiga e não cobra alguma coisa, as cartas viram uma brincadeira! E uma brincadeira constante!
E hoje em dia eu cobro, sim!

Falei tanto do tarot hoje, porque lembrei que saí de casa correndo e não olhei meu conselho do dia!
E sinto falta!
Por que o meu tarot tem um jeito tão dele.....

Cansei das gerentes! Vou ser uma!

Notei que há quatro anos, desde que me disse 'vou para ficar!', e aqui cheguei somente tenho mulheres como gerentes na Inglaterra.

Ótimo, isso!
Elas são atentas aos detalhes, sorriem com frequência, falam bobagens durante o dia, você pode chorar na frente delas, entendem quando você falta ao trabalho devido à uma 'cólida ferrenha-diarréia', pois qualquer mulher sabe a relação desses sintomas em um corpo feminino!

Mas, ao mesmo tempo, é difícil trabalhar com mulheres.
Nossa!
Quanta fofoca, quanto apego, quanto zelo e quanta 'bitchness' quando você quer melhorar de vida.
Se você é uma empregada conformada, é ótimo ter uma gerente do sexo feminino! Perfeito!
Ela te ajuda!

Se você é ambiciosa, por favor, fuja! A gerente mulher vai ser a primeira a querer botar areia nos seus projetos.
Ela te afunda!

E o contrário só acontecerá se você for homem! Por que talvez os opostos se atraiam, chego eu à conclusão.

Minha última chefe tinha como confidente o 'menino-espião'. Era como eu o chamava.
Ela era Batman, ele era o Robin, o Robin dela. Sempre a protegendo do perigo; este vindo de qualquer lado.
Então, o que ele fazia além de trabalhar?
Ele passava informações sobre todo o time para ela: horário de entrada e saída de cada um, tema de conversas alheias, planos, sonhos e metas de cada um do time!
Incrível é o despreendimento de ser um Robin!
Mas, felizmente, eles ficaram no passado!

Qual não é a minha surpresa quando eu me dou de cara, após 3 meses de posto permanente com a mesma situação.
A minha atual gerente tem o seu Robin! E eles sempre têm uma língua código.
No trabalho passado era o espanhol!
Agora, é o italiano!

Graças a Deus, o 'brasileiro' tem base latina e entendo tudo! Então eles cochicham, ou mudam de assunto quando eu chego.
E como o paulista diria: 'Meu! Isso é puta feio!´

Então, eu cansei das gerentes e quero ser uma!!!!!
Ha!

Meu curso na Universidade começa no próximo mês.
Aqui vou eu!
E sem Robins, POR FAVOR!

O número 1 não é triste! É único!

O número 1 é o número da criatividade, do início das idéias, da liderança.
Mas, imagina duas ou três, ou mesmo quatro pessoas mandando em você? Seria de enlouquecer.
Esse significado numerológico do número um traduz, felizmente, o ser um e só nem mesmo perto de ser triste ou deprimido; ou fadado ao desespero.
Ser só não tem nada de deprimente.

No entanto, uma verdade é que em uma geração na qual se acredita que 'It's not what you know, it's who you know!', ser só soa como uma praga! Praga bem triste.

Tenho uma amiga que pensa como eu: diretamente e pragmaticamente! Ela não tem papas na língua, e volta e meia ela dá opiniões. Opiniões que por mais que duras, não são menos verdadeiras.
O problema é que para qualquer doída(o) com as verdades, tem sempre um amigo que sofre muito mais. E esse amigo volta e meia diz para o doído que ouviu o que não queria, mas falou o que não devia: 'Não se preocupe, doídinha! ELA É SÓ!'

E mais uma vez a palavra soa como uma praga.
Não preciso dizer que ser só somente é uma praga no Brasil, como ilustra o exemplo acima.
Ou em qualquer outro lugar que tenha alguém que diga isso....

Imagina na Nicarágua.....
'Oye, herida, no te lo lleves en cuenta. Relajate, pues ella es solita, la pobrezita!'
Soa possível.

E é por isso que eu vivo por aqui.
Por que ser uma mulher só é legal, é ótimo!
E ser uma mulher adulta e só no meio do mundo, é melhor ainda! É uma dádiva dos céus, uma liberdade suprema.

Para a minha amiga no Brasil, eu só tenho um palpite a dar:
Acredite em ser só e única! Pois existem outros seres sós que adorariam conhecer um ser como você.

E o número um nunca foi triste!
Aliás, já é tempo das pessoas serem sozinhas com naturalidade.
E assim, finalmente, serem ÚNICOS!

Bloody Solitude

Bem-vindo ao mundo da Solidão!

É isso mesmo! Resolvi assumir que sou só, sem pena e sem dó. Só! Sozinha e só e muito individualista. É claro que a sociedade inglesa hedonista, consumista e de aparências na qual vivo permite isso, e assim estou melhor!

Mas ser só é uma arte. No meu caso, essa arte foi imposta por já ser filha única. Não teve outra alternativa.

Todo ser só que eu conheço, mesmo que como eu, rodeado de pessoas, tem uma imaginação incrível e louca. São sonhos, desejos, idéias, invenções que somente um ser com o dom de ser só desenvolve e aprimora.

A vantagem de ser só é nunca ter culpa, pois ninguém vai te julgar; não se importar com o que os outros pensam; chorar sem ninguém ver e reaparecer com um sorriso imaculado; falar consigo mesmo; desenvolver projetos sem ajuda e aprender a ser pró-ativo e não ter ajuda; além de não depender de luzes acesas para dormir.

A desvantagem é não ter muita gente para contar seus pensamentos idiotas, ou levar um fora necessário de vez em quando.
Então, para isso se faz um blog, e se deixa comentar pelos rodeados que não entendem o que é ser verdadeiramente só na vida. Ou dividr idéias de progresso com os que são sós e gostam disso.

É aquela velha história 'in the back of my mind' que eu sempre digo para mim mesma : ' Só tem tu, Maria; vai tu mesmo'