Wednesday, 30 April 2008

A new trooper.

Estava bom demais para ser verdade.

Ninguém no trabalho sentava do meu lado direito, e hoje mesmo eu elogiei o silêncio dos que sentam ao meu lado esquerdo.
Não falam um 'ah'!
Lindo!

Aí, o norueguês solta:
'Mas o sul-africano novo vai sentar do seu lado na semana que vem!'

Eu: 'É? Tem foto dele? Mostraê!'

N: 'Tem... Vejamos aqui! É este!'

Olhamos e ficamos olhando... olhando... olhando...
Eu fui a primeira a tecer o comentário:
'Esse sorriso simpático é verdadeiro, ou é sarcástico?'

N: 'Não, Maria... Ele acaba de vir de uma temporada de 2 anos nos EUA. Sinto muito, mas deve ser verdadeiro, deve ser positivo! Yankee!'

Eu: 'Ai, que saco! Um feliz do meu lado! Odeio esse povo positivo.'

Dou três semanas para ele aprender que ao meu lado, ou ele fala algo que valha a pena, ou cala a boca e trabalha sem muito alarde.

Era só o que me faltava.
A shiny happy trooper by my side!

Puta que o pariu, viu?
Sinceramente.....

Tuesday, 29 April 2008

Banksy

Tristan já tinha me falado da vizinha do andar de cima, e eu senti um clima entre eles, ou dele para ela, desde aquela época. Ela é o tipo dele, eu sei.
Simples de ver.

Hoje, eu chego em casa para pegar meus livros e já sair para dar a minha aula, mas pego uns livros coloridos, pensando que eram os meus.

Os títulos eram:
- The Art of Today by Brandon Taylor;
- The Art of the Surrealism by Edmund Swinglehurst;
- Wall and Piece by Banksy.

Entre eles uma carta, escrita à mão, em cor de caneta lilás metálica, e com letra florida, de mulher.

Eu disse:
'Tristan, cadê os meus livros... não estão aqui. Estes são seus da biblioteca?'

Detalhe: Tristan não tem um cartão da biblioteca.

T: 'Não, eu peguei no balde de lixo reciclável do nosso prédio! Alguém deixou por lá.'

Eu: 'Então, foi a vizinha de cima, porquê essa carta é para Lizzie, ou seja, Elizabeth.'

Ele: 'É, e tinha essa carta no meio. Alguém escreveu para ela!'

Nossa, eu amei essa parte.

Tem coisa mais maravilhosa que ler correspondência alheia, bilhetes, e-mails?

Que ninguém deixe nem perto de mim uma carta semi-aberta. O que houver de cleptomaníaco em mim, com certeza, roubará os seus segredos.

Eu não me controlo!
É muito mais forte que eu mesma... Corrompe minha ética.

Na carta, eu pude descobrir que a vizinha tem essa amiga chamada Amy, que mora na França e que namora um cara mais novo, e eles têm um caso...
Oh! Excitante...

Também diz que a vizinha está à procura de um novo modelo para posar nu para ela, enquanto aperfeiçoa as suas pinturas. Ela faz arte! Amy deseja sorte para Lizzie.

E pensei que eu, se fosse Tristan, batia na porta dela e me oferecia para posar nu. Era a chance dele.

E perguntei, ignorante, à Tristan:
'E esse título, Banksy, você pegou pelo seu nome Banks?! Parecido... Não tinha outro, não?'

T: 'Existiam vários livros de arte. Eu só selecionei uns. Maria, você não sabe quem é Banksy?'

Porra! Gelei!
Tristan não lê um livro e me pergunta sobre esse tal com esse tom de voz?
Fiquei mal, me senti uma analfabeta, sem informação....

T: 'É um estilo de grafiti famoso inglês, o cara é um artista!'

Apesar de morrer de raiva da vizinha por jogar livros novos, de arte e capa dura para serem destruídos pelo lixo reciclável, adorei tê-los visto. Mas não admiti.

E respondi, emputecida para Tristan:
'Inglesa burra! Ao invés de ir à biblioteca doar os livros e repassar informação, joga estes livros no lixo... Não! Eu não sei quem é Banksy! Mas, vou saber melhor que você agora, seu puto!'

E peguei o livro para ler!
Acabei de lê-lo em 30 minutos.

Você quer saber quem é Banksy?

Vou repetir a ordem das revistinhas de amigos 'panela', como a TPM e vou te dizer:
Vai lá:

www.banksy.co.uk

Sonhei....

'Ontem, eu sonhei que estava em Moscow, dançando pagode russo na boate Kosakow...'

Hahaha!
A música era essa, mas o cenário era Recife chuvoso com fogueira no São João.

Já hoje, eu acordei!

Olha o preço da passagem:

£899
Return
Taxes & Fees Incl.
From: Gatwick (LGW)
To: Recife, Brazil (REC)


Ver amigos e família, dançar forró debaixo de chuva com fogueira e comer pamonha com canjica é um luxo!

Quem não aproveitar por mim, é louco!
Pode internar e jogar a chave fora...

O poder da dança.

Loucuras de uma mulher sozinha dentro de um apartamento, em uma noite chuvosa:

- Preparar o jantar individual de pijama e salto alto. Para ir treinando o uso do maldito. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã, né?

- Comprar e abrir uma garrafa de vinho tinto, e apenas uma. Pois no outro dia, o batente é puxado...

- Comer pouco! Porquê ficar barriguda de salto alto em um sofá, ninguém merece!

- Ligar a caixa de som e afastar os móveis, pois o salão fechou somente para você, querida! É hora de dançar.

E a dança liberta.

Todos os demônios se enterram ou são furados no olho com o peso do meu pé sobre o salto fino e chique.

Ontem, lembrei-me de uma outra querida chamada Maria e também pernambucana.
Íamos para as festas e encontrávamo-nos nos mesmos lugares, apesar de não sermos íntimas. A gente se olhava e se curtia.
Nossos santos batiam legal juntos.

Eu era uma Maria, ela era a outra, cada uma com o seu segundo nome.

Entrávamos em um salão e parávamos tudo e todos.
Ou pelo menos, a gente achava que fazia isso, que tinha esse poder unânime com o nosso gingado.

Ela dizia ao namorado:
'Segura a bolsa! Segura no pescoço para ninguém te olhar!'.
Domínio de território emocional.

E ele não era louco de dizer não, pois era hora de dançar.

Acho até que ele gostava, porquê assim ele falaria de surf com um outro fulano tomando uma geladinha, enquanto ela requebrava as cadeiras comigo.

Ela aqui não teria vez, pois ingleses não seguram bolsas de mulheres ou suas mulheres.
Direitos iguais, deveres iguais. Eles se sentem usados, menosprezados, objetos por segurar uma bolsa.
E demarcados como pertencentes à uma mulher, enquanto estão sozinhos tomando uma.

Bobos!

Uma bolsa segurada atrai tanta mulher quanto aliança de ouro na mão esquerda.

Mas, também, aqui não temos o nosso salão para dançar livremente como fazíamos pela terrinha. Definitivamente, não é a mesma coisa.

Nossa dança era livre, aberta, sem censuras, longe do bonitinho, contemporânea-jazz-balépopulardorecife....
E a gente nem bebia a cerveja hoje obrigatória!

Sozinha, eu dancei por mim e por ela.

Monday, 28 April 2008

Na saúde e na doença.

Olha, a solidão é ótima!
Mas somente na saúde...
Na doença, ela é um entrave.

Quem é sozinha e vive na roda-viva sabe que quando se adoece a coisa fica feia!

Geralmente, reagimos com o 'deixa-para-lá', o velho 'vamos pensar positivo, não é nada'...

E o tempo vai passando, e a doença qual seja ela, vai piorando... e você continuando, como se nada tivesse acontecendo e como se fosse a Mulher-Maravilha.

Você não se presta nenhuma atenção.

Mas tem uma hora que o corpo pára.
E você fica sem ajuda.
Louca por um suco de laranja de verdade, espremido da própria laranja.
Só um detalhe impede: você não tem força para espremer a laranja.

E agora, José ?
E agora, Maria ?

Não há o que fazer.
É dormir e tomar remédio. Hibernando.
Para ver se as mazelas somem.

Wednesday, 23 April 2008

Tolinha.

Eu insisto na minha cara de otária.
Adoro ver as pessoas absolutas e sérias me achando uma burra, enquanto eu maquino planos em segredo.

Só que tem uma hora que cansa, porquê 'o mal do esperto é achar que todo mundo é burro'.

E algumas pessoas têm que rodar, flanar, passear e nunca mais voltar.

Essa semana mandei pastar de minha vida três indivíduos que se acham o máximo e não são.
São conservadores, comuns, egocêntricos e mesquinhos.

E me irrita os que não tem 'semancol', um remédio de prateleira indispensável, assim como o Luftal.

Eu ando, realmente, muito impaciente.
Mas tolerar idiotice tem limite.

E aposto que essas pessoas que não se tocaram e ainda estão me ligando não entenderam nada.

Continuo me fazendo de otária.
Bem longe deles.

Inveja.

Frase balela: 'Eu sinto inveja. Mas é uma invejinha boa!'

Essa é uma linha das que preservam o tom mulher-digna nas suas discursões.

Inveja é inveja, e pronto.
Mas existe, para as pessoas conscientes, a vergonha de ser ter inveja, e elas vêm com essa história digna de que a inveja é boa.

Eu recebi dois e-mails de ex-colegas de faculdade com uma 'inveja' da minha vida por aqui.
Outra amiga também me falava disso essa semana, já que alguns invejam a vida dela.
Juliana chegou na minha mesa e disse:
'Você sabe como é, né, Maria... O povo pensa que você tá rica, nadando no dinheiro e dando gargalhada ao vento! Não dá!'

As pessoas imaginam e piram no que projetam ser maravilhoso, e ficam com inveja sem motivo.
Aliás, devo dizer sobre a minha vida aqui, que é uma vida super normal.
Até chata, por muitas das vezes.

Já voltando ao tema, quem sentiu inveja hoje fui eu.
Maria, a invejosa. Um título de novela mexicana.

Senti hoje inveja de uma mulher que sofreu que nem um cacete batido e deu uma bela e linda volta por cima.
O teor de inspiração que ela exala hoje é além do que ela jamais imaginou.
E eu tenho certeza de que ela não sabe disso. Ela fica mais encantadora ainda.

Eu sei da vida dela, conhecemo-nos de longe por quê somos de Recife.
Não nos falamos, no entanto.
Poderíamos ser amigas, pensamos parecido, eu acho.
Só que eu também tenho certeza de que ela me acha uma babaca!

Assim como eu acho alguns outros babacas!
E ela me acha uma! Ou pior: não me acha nada! Eu simplesmente não significo nada.
E é um direito dela pensar o que bem entender!

Com esse sentimento de inveja infundado, pois eu não quero as coisas que ela têm, fiquei com vergonha da minha incompetência em ter o sucesso dela, mesmo que em ramos completamente diferentes!

Porquê somente uma incompetente pode sentir inveja.
Afinal, não conquistou antes o que a outra tem.
E eu me vejo incompetente diante dela aqui pela Inglaterra.

E ainda doente, fico aqui me intimando a dar a volta por cima, e sacudir essa poeira.

Tudo bem se ter inveja! É humano, saudável.
Mas ficar nela é um sentimento nocivo.

Tenho que dar o arranque o mais rápido possível nessa vida inerte.
Não quero mais freios.
O carro tem que partir já.

Tuesday, 22 April 2008

'Marido é troféu de brasileira'

Essa frase eu escutei de uma mulher amancebada por anos com uma pessoa legal, porém nunca casada e sem filhos na época.

Eu também tinha aversão ao casamento nesse tempo. Muito antes de assinar o tal contrato de convívio.

Porém, eu continuo concordando com a frase.
Mulher brasileira adora falar de maridinho, meu marido, marido, marido, vou casar, casamento, esposo.....

Ai, que saco!

Eu já não faço isso. Por quê não é preciso.

É fato, então não precisa falar, mostrar anel, viver agarrado.
Sou casada e é isso mesmo.

Mas chegou aqui uma mensagem ótima do meu companheiro de mesa no trabalho, um outro italiano legal:
'Tudo bem! Você pode ser minha amiga.... Eu não sabia que você era casada!'

Pois, é!

Eu não levo troféu!
Aliás, acho horrível ter troféu.
Tô fora.
Não quer dizer que eu não tenha a minha própria vida!

Quer sair, gato?

Doente de saudade.

Já faz uma semana que essa gripe não me deixa.

Minha garganta está literalmente pedindo penico.
Pelo menos, estou mais magra.

A doença afina uma mulher. Sou uma mulher fina! A lady!

Mas não sou somente eu que estou assim.

Juliana, Plínio, Cris e Flávio também estão com as linhas telefônicas cruzadas e com o mesmo assunto:
'Ai, não aguento mais, vou fazer as malas e partir. Tô de saco cheio... essa cidade... essa vida. Cansei. Tão chato, sem sol, sem vida!'

Pura verdade.

Eu entrei para o cordão dos saudosos.

Só penso em carangueijo com cerveja, coxinha, moqueca de camarão, fígado acebolado, caldinho, bacalhau, falar alto, ouvir música na rua, ver meus amigos, abraçar e tocar as pessoas, passear sem ter hora para voltar, ir à praia e tomar muito sol com filtro solar 60 e um litro d'água do lado.
Ai, que saudade de ter uma vida.

O pior é que tem um povo que adora jogar uma caçamba e dar corda para história.

Gente, não digam 'volta, MH' que eu enlouqueço e vou embora de vez.

Com certeza, Dona Gê e Xirumba iriam adorar essa história.

Monday, 21 April 2008

O seu próprio caminho é sempre o melhor.

Amadas!

Eu juro que eu não tenho resposta para a vida!
Sinto tanto em desapontá-las....

Esse blog é uma coleção de historinhas. Metade ficção, metade realidade.

Só sei que é uma luta de armas e escudos, e o caminho que você própria escolher será sempre o melhor. Condiz com a sua história pessoal.

Quem melhor que você para fazer escolhas em nome de si mesma e sem interferências?

Ninguém.
Muito menos eu, a hermitã incorrigível.

E já parei por aqui.
Que meu nome não é Paula, e meu sobrenome não é Coelho!

Sunday, 20 April 2008

A dor de uma decepção.

Adultos não são crianças.

Não arriscam com facilidade, e quando o resolvem fazer analisam o terreno no qual vão pisar com cuidado, olhando bem para onde vão.

Então, se o caminho estiver livre, para uma amizade, para contar um segredo, para dividir um momento especial ou para amar, eles resolvem que vão, sem medo de ser feliz.

Mas, após tanto pensar, entregar o pensamento e o seu tempo, dar a sua honestidade e abrir seu coração para outra pessoa fica complicado ao perceber que nada daquilo foi apreciado pela outra pessoa. Dói.

As mulheres hoje em dia não pedem muito.
Elas se resolvem, viram-se bem.

O único requisito é firmeza na intenção e honestidade nos atos e nas palavras.

Uma querida esperançosa que eu conheço mediou por meses uma conversação eletrônica via msn com um mineiro, até que foi convencida a ir vê-lo, pois o sicrano dizia que 'valeria muitíssimo a pena e não via a hora'.

E ela foi correndo, de ônibus do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, cheia de amor para dar.

Ao chegar lá, o fofo a olhou no rosto e não beijou a sua boca quando chegou mesmo após a ter deixado por horas à espera em um shopping da cidade.
Falaram-se e ele lhe deu o quarto ao lado do seu.
Ela não fez pressão, porém não entendeu nada.

No dia seguinte, eles viajaram para Tiradentes, ficaram no mesmo quarto e ele nunca estava bem. Sempre esteve cansado. 'Muito trabalho ultimamente', dizia ele.

Levou três dias para o fulano dizer para a minha querida companheira de 'quebradas' o seguinte:
'Eu pensava que era você, mas não é! Eu só notei quando eu te vi. Desculpa.'

Ela pediu para ficarem em hotéis separados, ela pagaria a conta dela naquela mesma noite.
Pegaram o mesmo carro para BH e de lá ela seguiu de volta para o Rio de Janeiro.

Uma decepção enorme.
Um tapa na cara.
Uma intenção quebrada.
A confiança estraçalhada.

Definitivamente, essa história não é regra.
É somente exemplo de que uma pessoa que busca e tem expectativas, às vezes, depara-se com situações que não são agradáveis.
E quebram a cara.

Eu acredito na vida assumindo riscos.
Mas, a verdade é que hoje em dia está cada vez mais difícil entregar a sua sanidade mental à outra pessoa.

Essa vida é uma luta.
E as decepções dóem hoje em dia mais do que muitos outros sentimentos.
Ferem rasgando por dentro.

'O corno imaginário é pior do que o corno real'

Essa não é minha.

Essa é de uma amiga que faz todo o sentido ao dizer a frase acima. Ela pode falar, porquê eu com certeza, junto com ela, já comprovei.
Antes, eu não acreditava que fosse real. Mas, agora, realmente, é fato comprovado.

Você é uma mulher legal, tem amigos, trata todos bem, tem convites para sair, trabalha muito, não pede nada a ele, tem um papo bom, porém o seu companheiro já acha que você 'tem outra pessoa'.

Ele tem tempo livre e você não liga o tempo todo; se ele viaja, você não perturba, mas fala o essencial e sobre o que for mais importante se ele ligar; você implora para ele sair de casa, com os amigos, sozinho; você o elogia, dá dicas de como ficar melhor, mais charmoso.

No entanto, o fulano acha que o seu tempo sozinha ou o incentivando a sair com os seus próprios amigos, e as suas conversas sobre outros assuntos com outros, é fato de desconfiança e a relação têm que ser compartilhada o tempo todo.

'Nós somos um casal!', é a justificativa.

E isso enche o saco dele. Ter o tempo livre.
Você não está na palma da mão, ele vai ter que se esforçar para ganhar atenção, e cansa com o que pensava que já tinha ganho.

Ficar pensando que você tem um namorado, enquanto você não está perto, ou imaginar o que você faz se ele está longe enlouquece, de fato, o sujeito.

E quando, finalmente, você está por perto, 'ai' de você se seu celular tocar, se você estiver no msn, ou sair para uma volta à noite.
Você escuta: 'É o seu namorado!'

Em tom de brincadeira falsa.

É como se existisse uma patrulha na sua porta.
Corno imaginário, com certeza, é o primeiro a fazer merda em um relacionamento por pura insanidade emocional.

E é tudo imaginação.
Pura imaginação.

Friday, 18 April 2008

Stereo 2

Vamos continuar a falar do hipnotizador de mentes: o Sr. Max de Castro.

Recebi hoje de uma amiga essa resposta por e-mail sobre Max de Castro:

'Max de Castro complica a vida das pessoas que estão sem sexo. Cheguei a essa conclusão.
Ele é muito sexy. Quero trepar com ele de trilha sonora.'

Que Barry White, que nada!
Maxinho tá um sucesso entre as mulheres solteiras, ou sem atenção.

A frase da amiga teve que vir para o blog, porquê é puríssima verdade.

Max de Castro complica a minha vida, profundamente!

Hoje eu não trabalhei direito com esse homem no meu ouvido.

'Acelera', Max!

Cabelo.

Meninas...
Aposto que nós que gostávamos de subir em pé de azeitona roxa quando crianças, não sabíamos dessa frescura, tesão, emoção que o homem tem ao sentir o cabelo de uma mulher.

Só essa semana notei isso.
E da maneira mais bruta possível.

Eu, sentada, ou melhor prostrada no sofá após um dia cansativo, e uma reportagem na televisão falava da quantidade de dinheiro anual gasta pelas mulheres em cuidados com o cabelo.

E levei um dedo na cara de Tristan:
'Tá vendo, Maria? E o seu cabelo tá horrível... seco... Tem que cuidar!'

Oxente!
O que eu fiz para merecer isso eu não sei!

Mas, só comecei a notar o descuido depois desse dia e fui perguntar a Plínio, o que ele achava do meu cabelo.

Ele, meio murcho:
'Tá bom, você sempre é bonita! Mas tem que ajeitar, dá uma alisada para ficar quieto de vez em quando... Fica show! Alonga e fica grande... É bom dar um cortezinho de vez em quando, também. Uma mulher com cabelo bonito mexe comigo. É a primeira coisa que noto.'

Choquei!

Quer dizer que eu sou a nega do cabelo ruim, e não bom?
Olha só....

Vou pedir permissão à Iemanjá para dar uma aparadinha, porquê não é fácil essa tentativa eterna de ser Gabriela na vida.
É jogo duro!

Esse final de semana vai ter tudo: depilação, manicure, cabeleireira e massagem.
Vou ficar 'deliça'.

Thursday, 17 April 2008

Mulher bêbada não tá facinho, não!

Duas cenas e a mesma mensagem:
Homens, queridos, atenção! Mulheres bêbadas e falando sobre sexo não estão lá facinho para você!
Segurem seus pintos, mãos e mentes!
Segurem a onda! Por favor!

Cena 1:
Cidade do Recife, mesa de bar, 4 amigos de cidades distintas em um reencontro, 2 homens casados, 2 garotas solteiras e um 1 rapaz namorando.

Uma das meninas solteiras brinca em tom sexual com um dos casados, já que os dois são pernambucanos e amigos de longa data.

O outro casado, olhando de longe, e doido que fosse com ele a história, atiça o casado da conversa excitante dizendo:
'Pega ela, fulano! Deixa de ser besta! Ela tá dando mole!'

O casado número um, no entanto, mais sábio que o afetado, não fez nada!
Ele entende que mulher pernambucana fala o que quer, na hora que quer, e bebe até morrer se quiser! Sem melindres!
E não tá facinho, não!


Cena 2:
Uma casa em Brighton, um jantar com 3 solteiros e uma amiga solteira, além de um visitante francês de menor.

A menina fala de sexo ao ficar bêbada, todos falam o que querem, e de repente a menina dá um beijo no dono da casa.
Sem notar levar 3 tapas fortes na bunda.
E fica puta, deixando a festa.
Recebe um pedido de desculpas por mensagem de texto do dono da casa pelo comportamento dos amigos, porém ainda não refeita da desmoralização, resolveu escrever um e-mail e desabafar.
Resultado: foi ignorada!

E ela não tava facinho, não!

A moral da história é que ainda há muita gente conservadora nesse mundo, e que o melhor a fazer é se juntar com gente do seu calibre somente. Ou ir acompanhada de alguém que dê um tapa mais forte que você.

Evita erros ou uma moral falida por falar o que lhe vem à mente.

Moças que não são flores também não são putas!

E garotos: segurem a onda aê!
Mulher e homem têm os mesmos direitos, incluindo beber, falar palavrão e sobre temas tais como dinheiro e sexo.

Nem em prostíbulo você dá um tapa na bunda sem permissão.

Segurem a onda!

Mano Brown.

Com essa cara feia, essa cor, essa altura, e essa voz??!

Nossa senhora!
São Jorge te guie sempre, Mano Brown!



'Durmo, mal sonho, quase a noite inteira, acordo tensa, tonta e com olheira...'

Vai ser tesudo assim lá em casa!
Afe....

Fama de afoita.

'Cuidado com o mar, viu? Não seja afoita!'

Era o que minha avó me dizia sempre que ela sabia das minhas viagens.
Da última vez que ela me viu, ela disse a mesma coisa.

E para ela, que me viu nascer e me criou até os nove anos, eu tenho essa fama de afoita ao ver o mar.

É verdade.
Eu via o mar, corria e me jogava nele, ia até o fundo, porquê confiava no meu nado, sabia driblar uma onda enorme a furando e ficava horas nesse carnaval com a água.

Adorava quando eu levava um 'caldo'.
É a natureza te ensinando a regra do respeito às energias que não falam, ou não são humanas.

E mesmo assim são tão mais fortes que você.

Mas essa afoiteza hoje em dia anda calma!

E tudo fica calmo, quase inerte, hibernando, sem energia.
Com isso os medos chegam, e se diz não antes de se saber para o quê se respondeu.
'Não!'

Nem se tenta, a recusa já vem.
Por quê se cansou de tentar.

Eu saí do mar e joguei a toalha cedo demais.
Ando seca.

Doida para me molhar.
Louca para me jogar no mar.

Só não quero me afogar!

Uma mensagem de paz.

Eu devo admitir que sendo uma primata violenta, propensa à fúria e impulsiva à medida extrema, eu preciso de pessoas sensatas ao meu lado, ou disponíveis para me dar uma luz.

Ou acender uma luz no meio do apagão.
Apagão emocional, turbulência de pensamentos, problemas com a falta de paz ?

Disque Guru!

Eu tenho dois gurus!

Uma no Brasil, via msn. Outro por aqui, via e-mails.

Dois brasileiros calmos e em paz, que pelo menos entendem bem de onde eu e essa minha cabeça a mil viemos. Existe uma troca de pensamentos verdadeiros com essas pessoas.

No entanto, em meio à minha vulnerabilidade atual, eu resolvi não perturbar ninguém e segurar a minha própria maré baixa.

Porém pensamentos também são energia em movimento e mesmo sem pedir eu recebi uma mensagem de paz e dizia assim:

'Fiquei muito triste de nao ver você mais...saudades suas .... está de braços abertos pra ti e eu estarei lá lhe esperando cheio de paz e energia pra te ver. Um abraço forte e fica com Deus.'

Eu só sei que chorei.

Sunday, 13 April 2008

Stereo

Graças a Deus, o iTunes existe e me mantém atualizada sobre a música do mundo.

Os discos brasileiros aos quais não tenho acesso estão bem perto, e compro em tempo real.

Sem desculpas para a falta de informação musical, apesar do velho cheiro de papel novo no encarte do CD fazer muita falta.

Então, esta semana eu baixei todos os CDs do Max de Castro de uma só vez.
E o Max é o máximo.

Seja desde uma toca no bairro das Graças, seja desde um prédio no Leblon ou um iPod em Brighton, Max toca e canta suas histórias para as mulheres desejosas por tudo o que ele fala.

É bem clichê, mas após ouvir o frevo 'Stereo', eu também me apaixonei e se um dia ele passar na minha frente, eu vou mandar ele 'acelerar', assim como ele mandou 'A filha da madame saré' fazer.

Ah, se os homens fossem espertos e seguissem as receitas musicais de Max de Castro.
Todas nós seríamos felizes!

Friday, 11 April 2008

Top 10 - Homens.

O tal indivíduo que me faz olhar na hora, tem que ter muitas dessas qualidades abaixo:

10. Um passo forte, uma andada confiante e uma postura ereta.

Eu já penso que sabe se mover, talvez dançar, quiçá arrasar no sentido horizontal.

9. Uma cabeleira desleixada e longa.

Uma pitada de testosterona a mais é sempre bem-vinda.

8. Olhos diretos.

Homem que olha no olho, é um encanto. Sem disfarces.

7. Ombros largos.

Imagina se perder nos braços de um ombro aberto em largura? Afe...

6. Altura.

Porquê em homem pequeno, eu tendo a pensar que posso dar cascudo. Olhando para cima ao falar, o respeito é outro.
E posso usar saltos.

5. Generosidade.

Homem dando simpatia, sorriso, copo de cerveja, jantar, amor, prazer? Nossa!
O que ele der, ele receberá em dobro!

4. Energia e dinamismo.

Disposição é essencial. Você diz que vai, e ele topa na hora!
Aleluia!

3. Coragem.

Um homem que confia no seu taco, não enche o saco de uma mulher forte, nem se abate, nem se acovarda! Coragem para encarar o caminhão em alta velocidade é fundamental.

2. Abertura.

Mind games? Por favor, passe amanhã, que eu ainda não me recuperei da minha operação. Em jogo aberto, eu ligo quando quero, e ele liga a hora que quiser! Jogo limpo.

1. Individualismo.

Afinal de contas, é sempre lindo se estar em par, porém, não me culpe por não ter uma vida.
Encontre seu rumo enquanto eu sigo o meu, que quando a gente se ver vai ser só felicidade.

O limite da simpatia.

Ouvi essa de um rapaz culto, jovem, loiro de olhos azuis, com um potencial incrível para a fotografia, porém incorrigivelmente só!
Saímos para uma cerveja, e eu dizia que ele nunca seria o meu tipo, era um irmão, e eu ficaria até nua na frente dele, sem problemas ou maldades.

Ele soltou:
'É esse o problema com todas as mulheres! Elas só me vêem como amigo!'

Agora analisemos o meu querido companheiro de cervejas e papos.

Ele é preguiçoso, e o sexual não é o seu forte. Como bom geminiano, adora os papos, admira as perfeitinhas, as garotas bonitinhas inocentes, porém quer uma relação forte com uma boa dose de integração mental. Menina com cabeça madura já é um quesito exigente.

Seu corpo é pesado, ele não se move com confiança, não mostra que é capaz de 'se virar nos 30', entende? Retraído para uma sociedade na qual as mulheres avançam quando podem.

Ele passa uma simpatia certeira.
É impossível não se querer ser seu amigo. Ele é O cara, rodeado de pessoas.

Porém, o meu amado amigo não sabe o limite entre simpatia e amizade.

Sim, na conquista existe essa diferença!
Clareza de intenções é essencial nos primeiros estágios de negociação.
Ele não sabe disso, e se abre todo de uma vez.
Sem medida.

A garota se identifica, e o vê como um amigo! Somente amigo!

Quando se está a fim de alguém, eu posso ser simpática com aquela pessoa.
Mas, amizade é outra coisa!
Para ser amante, a relação começa sendo de amor, de tesão, de excitação... não de amizade!

E ele confunde!
Por quê é um Romeo incorrigível e quer que a sua melhor amiga seja a sua amante.
Sentido inverso, difícil de acontecer, porém não impossível.

No entanto, ele continua acreditando na fórmula própria e continua sozinho!
Cheio de amigas!

Há que se perceber que amor é uma coisa, e amizade é outra.

Duas coisas completamente diferentes.

E tu me comeu?

Essa semana falava de passado com uma amiga, e ela soltou:

'É mesmo, tu ficavas com fulano? Hahahaha!'

Eu: 'Hã? Quem disse isso... eu saía com ele pros mesmos lugares, mas a gente nunca ficou junto!'

Ela: 'Pois a cidade do Recife inteira pensa que vocês foram namorados! Ele dizia.'

Eu: 'É mesmo???!'

Não me senti ofendida.
A pessoa era legal.
Saía com ele, porquê eu só gosto de quem gosta de mim.

Ele me olhava no olho e dizia: 'Você é maravilhosa!'
E pegava briga com quem falasse mal de mim.
Homem corajoso!
Em falta hoje em dia.

Ele é uns 16 anos mais velho e reza a lenda da cidade, que é super legal.
A ex-namorada na época queria me pegar no meio da rua, e ele apartava.

Até hoje, mesmo tendo um sucesso profissional a dita não me engole.

Tudo bem servir de motivo de ciúme para um amigo.

Agora dizer que me comeu, sem eu ter provado?
Hummmmm....

Não sei bem o que eu penso!

Só sei que a minha primeira reação foi a de pensar que pelo menos ele é legal e tem muitos amigos.

E ter muitos amigos é melhor do que ter inimigos.
Da próxima vez que eu cruzar com ele, vou perguntar:
'Aê, legal! E tu me comeu, foi?'

O sotaque.

E continuando....
Também é uma questão de convicção, não mudar o seu sotaque!

Falo isso, por quê tem coisa mais chata do que ouvir o sulista brasileiro te imitando o sotaque na versão 'rabo-de-cabra' global?

'Avexada', 'oxente, bichinho'...

Ah, por favor!
Vôte, sai daqui trubufu!

Exale a sua musicalidade verbal, mas não imite a minha!

Eu agora dou foras diretos que começam sempre com a mesma linha:
'Fofa, pare! Não combina com você!'

E não combina mesmo!

Essa semana, ouvi de uma paranaense que os filhos dela vão ter que chamá-la de mainha!

Ah, vai... é um elogio!
Eu sei!
No entanto, é muita falta de certeza da sua própria identidade.

Eu ela diria:
'Meu filho vai falar 'leite quênte, dói o dênte!' desde pequeno, porquê vai falar com o sotaque paranaense, igual a mãe dele!'

Aí sim, combinaria.

Com uma certeza na palavra e no sotaque.

Assinando embaixo!

Olha aí!

Os comentários no blog estão aumentando.

Antes, eu lia os comentários e respondia com um contra-comentário. Uma vontade de estar perto, e me imaginava em plena mesa de bar brasileiro discutindo o tema.

Mas, notei depois de dois comentários apagados, por timidez talvez, que as pessoas não queriam esse confronto.

A verdade é que é ótimo ver gente dando a cara para bater.

É uma questão de convicção!

Você tem uma opinião?
Solte!

Seja bem-vindo, sem censuras!

Monday, 7 April 2008

Literatura C.

Não me levem a mal, amigos inteligentes, jornalistas, artistas.

Mas literatura e ficção sem compromisso é uma delícia.

Digo isso, porquê assumidamente voltei aos meus livros comprados em supermercado, livros descartáveis de viagem que são deixados no lugar de destino em troca do espaço para um souvenir do local!

A história foi consumida, prendeu-me por algumas semanas mas já foi lida. Então, adeus, página virada.

No momento, estou lendo um bestinha sobre uma garota de interior que deixa um homem no altar e vai para Londres morar em um barco. Ainda estou na fase do chove 'no' molha do romance. Ela não dá muita bola para o homem que vive atrás dela.
Típica inglesa.

Porém, que delícia de texto.
Rápido e sem compromissos.

Proust, Fernando Pessoa, Gabriel García e Jung estão parados na prateleira, enquanto os livros de £ 3.69 têm rotatividade garantida na cabeceira.

No entanto, ao me deparar com o novo 'bestseller' de Danielle Steel, 'Sisters', eu travei!

Achei um pouco demais.
Eu gosto de Sabrina, mas nunca assumi. Danielle Steel aqui seria o mesmo!
Uma vergonha!

A gente finge que lê Anais Nin.
Pura falácia!

Não comprei 'Sisters' ainda. Estou começando já um novo, chamado 'Pure Revenge', que vinha com uma barra de chocolate de graça.
Delícia.

Gente, literatura C, sem compromisso, também é ótimo!

Louboutin madness!

Eu já esqueci quanto este par de sapatos me custou.

No entanto, eles são lindos: sling back style, pretos, solas vermelhas, salto de 100mm. Clássicos.
Um sonho!

Na verdade, foi o sapato mais caro que eu já comprei na minha vida.

Mas, eu estava em um clima poderoso, sentindo-me linda e querendo algo para complementar a loucura.

Levando em conta que um sapato alto Arezzo custa por volta de uns R$300.00, o preço que eu paguei online, ontem, seria proporcional a um sapato Arezzo comprado no Brasil com um salário brasileiro.
Só que a compra foi feita na Inglaterra.

Vamos dizer que eu fosse um garoto, na mesma idade que eu tenho (secreta, por sinal), com o salário que eu tenho (variável!) e quisesse um Playstation, desesperadamente.
Eu teria que desembolsar uns £350.00.
A mesma história e menos culpa por ser eletrônico.

Há quem diga: 'Mas são só sapatos!'

Não importa!
Como diz Caetano na minha música favorita de todos os tempos, e agora adaptada 'eu sempre quis muito, ... juro que eu não presto, eu sou muito louc(a), muito!'.

Pelo menos agora, a loucura foi amansada!

Eu tenho um par de Louboutins, comprei com meu suado dinheiro, e estou satisfeita.

Colchão de solteiro.

Recebi uma mensagem de texto ontem, que era coletiva, e não só para mim.

A mensagem vinha de uma amiga recente e baiana, separada que mora em Brighton e tem um namorado até legal.
Ela é gente fina! Eu digo que quando voltar para o Brasil vou morar em Morro de São Paulo, e ela diz que vai junto.

Rimos muito juntas.

Mas a mensagem me desapontou:

'Aê, gente bonita! Alguém teria um colchão de solteiro para me dar ou me vender? É para o novo lugar que aluguei e me mudo na semana que vem.'

E fiquei pensando qual a situação que levaria uma mulher bonita, solteira e que mora sozinha a ter um colchão de solteiro ao invés de um colchão de casal, em um recomeço sozinha.

Esse tal desse colchão de solteiro não saiu da minha mente, já que desde os 15 anos eu pedia um colchão de casal, e minha mãe dizia que eu era solteira, então teria colchão de solteira.
Eu vivia jurando vingança daquela merda de colchão que me fazia cair no chão por falta de espaço em dias de pesadelo.
Cair da cama é uma desgraça.

Hoje em dia, durmo em um king size acompanhada, já que somos dois individualistas e um colchão de casal não seria suficiente.

Porém o colchão de solteiro foi um enigma para mim.

Será que a baiana pensa igual a minha mãe?

Novela das 6.

Minha mãe liga nos domingos, desliga, e eu ligo em seguida.

Sempre assim.
Ontem o papo foi mais interessante do que o calor de Recife, a chuva 'da gripe', e quem está com dificuldades por lá.

Ela começou assim:
'Ah, sabe quem ligou para cá essa semana... aquele teu ex-namorado do colégio' - e disse o nome do sujeito.
'Ele primeiro ligou e desligou, depois ligou de novo e demorou a falar mas se apresentou no final. Disse que tá bem, com emprego fixo no Recife, morando sozinho, comprando um apartamento na planta em Casa Forte.'

Ela continuou:
'Eu não perguntei, mas ele fez questão de dizer que não casou e não teve filhos, e me perguntou quando você voltava. Ficou decepcionado quando soube que tu moravas na Inglaterra. Pediu o seu telefone, dou? O, Maria, tu voltaria a namorar com ele?'

Eu:
'Nossa, essa casa é uma novela, viu... De jeito nenhum, não quero ele nunca mais. Dê e-mail, telefone não. Não tenho nada para falar com ele.'

E se ele mandar um e-mail a gente conversa, a cordialidade sempre existirá.
Mas voltar para passado, nunca!
Passou.

Sunday, 6 April 2008

Uma vida brasileira em qualquer lugar do mundo.

Conheci a Cris há 2 semanas.

Ela substituiu o John, o mesmo que uma vez me comparou a um cachorro comendo, e agora é responsável pelo território brasileiro em outro departamento, complementando o meu trabalho sempre.
Eu começo, ela acaba.

E começamos uma amizade de andadas no fim do expediente, rumo às nossas casas.

Cris casou há pouco tempo e é conservadora.
Seu marido é do Sudão, e é motorista de ônibus. Conhecendo-o você não imagina que aquele homem não seja brasileiro.

Eles conheceram-se na cozinha do restaurante no qual ela ainda trabalha, nos finais de semana, três anos atrás.
Ela ainda tem dois empregos, porquê precisa pagar os móveis do apartamento que alugou para eles viverem.

Cris tem sua mãe por perto, pois ela também vive em Brighton.
A prima mora na França, e a família do marido liga à toda hora para saber do paradeiro dele, principalmente a mãe do sujeito.

Cris frequenta uma igreja, então, adotou a do marido, a Ortodoxa, na qual todos falam árabe.

Cris justifica nossas andadas ao final do turno, a quem nos pergunta o porquê de andar tão longa distância, como um exercício para perder peso.
E eu morro de vergonha da justificativa que mais te faz parecer uma mulher vazia: perder peso!
Como se isso fosse tudo no mundo!

Cris em pouco tempo de convivência e muita intimidade me diz com frequência: 'tudo com calma, que papai do céu ajuda!'
Ela fez jornalismo em São Paulo, mas não abandona o 'papai do céu'.

Cris sente muita pena das pessoas, como Plínio sente também pena dos ingleses, ou outros brasileiros sentem pena de alguém por aqui.
Um sentimento cristão.

Eu rebato para todos: 'Pena é um sentimento indigno, gente! Não existem vítimas, todos fazem escolhas.'
Todos me olham de volta me achando cruel, inclusive Cris.

O marido de Cris não é branco, é árabe, mais não gosta de negros, e os cita como macacos, em tom de brincadeira.

Falávamos de ciclistas nas ruas, como eu sou, e do quanto o trânsito é cruel hoje em dia, e principalmente os motoristas de ônibus.
Ela soltou um: 'cuidado com meu marido, então!', em tom de riso!
De volta, ela ouviu: 'não há amizade nessas horas, principalmente se me causar um acidente! eu se fosse ele seria cuidadoso, pois eu denuncio mesmo!'

Ela ficou calada.

Cris fala do gerente do restaurante que trabalha demais e não vive, que este está muito rico e não tem uma mulher.
O tal dono também tem um amigo, e Cris suspeita que o tal seja 'frango'.
Por quê quem trabalha muito, tem dinheiro e não tem um relacionamento, com certeza, é triste na vida.

Cris estuda espanhol, mas, por enquanto, só fala: 'sí, sí!'
Fica no portunhol, por enquanto!
Sua vida me lembra a vida de qualquer outra brasileira em Recife.
Marido, dois empregos, igreja, perda de peso e preconceitos antigos com a vida!

Um desses dias, passou um rapaz bonito por nós duas e eu soltei:
'Deus te abençoe, meu filho! Lá em casa você nunca iria ter fome!'

E ela me disse com o dedo em riste: 'Então largue o seu marido! Don't be naughty!'
Fiquei chocada com a ordem e disse: 'Não acredito nas coisas que saem da sua boca! Você é conservadora ao extremo!'

Ela respondeu: 'Hahaha! É mesmo, eu sou muito xarope!'

Mas só que a minha tosse acabou, e eu acho que já é hora de guardar esse xarope tão amargo e tipicamente brasileiro no armário.

Porém, eis a questão:
Como se diz a alguém de maneira educada que você odeia ouvir bobagens?

Aceito sugestões.

Wednesday, 2 April 2008

Cacarecos.

Qual é o seu perfil de consumo?
Você compra poucas coisas grandes e caras, ou muitas coisas pequenas e baratas?

Definitivamente, o meu perfil de consumo é o segundo.
Ainda mais em um país no qual tudo é tão accessível, tudo se pode ter, sem pagar horrores.
Culpa da China, eu sei.

Mas, eu só notei que ando cheia de pequenos e inúteis objetos esta semana.

Notei porquê olhei a conta bancária e não vi parte do dinheiro que deveria estar por lá.
Eu gastei em bobagens.

Como sou viciada em cafeína, gasto uma média de £3 por dia em cafés duplos americanos, ou seja, daqueles pretos como a noite!
Cafeína na veia que ao longo do ano, pode vir a me custar mais de £1000 ao ano.
Isso não é bobagem, e sim, um vício.

Já, na hora do almoço, tenho o hábito de sair um pouco ao ar livre para andar, liberar a raiva, e sentir um pouco de frio, que me acalma os nervos apaixonados.
Nessa andada sempre sinto que tenho os lábios e a pele completamente seca, e compro um protetor de lábios baratinho para um alívio instantâneo.
Contei ontem, e entre Carmex, Johnson's, Nivea, Chapstick e outros tenho um total de 20 deles. Cada um de uma cor diferente.

E chega a vez das pinças, porquê a testosterona sempre morou em mim, e é a razão da minha agressividade, competitividade, alguma inteligência rápida, e MUITOS pêlos corporais.
Então, se eu não achar uma pinça à vista quando eu preciso, pode ter certeza de que eu vou dizer um sonoro 'dá licença' e passarei na farmácia mais próxima para comprar uma.

Entre as cegas e as que funcionam, tenho no momento apenas 12, porquê umas velhas e enferrujadas das Lojas Americanas, do tempo Brasil, foram jogadas fora na última semana.

Olha aqui, sabe de uma coisa?
Esses cacarecos são um reflexo direto da minha 'addictive' personalidade.

Se eu acho isso legal?
Nem um pouco, quando toca no meu bolso.
Tenho que parar já!