Essa vida anda um absurdo!
Um absurdo completo!
Já falei aqui do que me dizem quando eu não consigo realizar algo, por mais que tenha me esforçado um tanto:
'It's not what you know, it's who you know!'
A sociedade, realmente, acredita nisso piamente!
A sua roda social pode salvar você do fracasso completo, mesmo que você seja um incompetente.
E se você for competente, você não pode ser sozinho. Você precisa de um grupo.
Eu constato a veracidade das frases acima devido à realidade atual: é assim mesmo!
Todos acreditam também que é verdade e proclamam isso como verdade única.
Uma frase propaganda que virou realidade.
Mas, eu ainda não caio nessa.
Eu não acredito em 'panelas'!
Elas não são verdadeiras, e eu não sou idiota. Então, por não ter uma 'panela' social, eu acredito que seja uma marginal nessa sociedade de hoje. Falei marginal, ou à margem do pensamento geral, porém não vítima. Não sou vítima da sociedade ou de ninguém!
Eu tive a oportunidade de aprender a sobreviver e faço o máximo para abusar dos mecanismos que me deram (estudo, palavras, ensinamentos, conselhos e experiências) e sobreviver da melhor maneira possível.
Mas, e os que não tiveram minhas oportunidades e são marginais forçados em uma sociedade?
Estou escrevendo isso, porque diante do que li na Folha Online ontem, Luciano Huck acredita que foi agredido pelo marginal brasileiro. Pelo Governo brasileiro, pela maioria social brasileira, dentro do seu próprio país.
Ele se sente 'envergonhado'!
'Envergonhado' mesmo sendo a minoria dele, ou sua 'panela' social, a mais influente no Brasil: 'globais', ponte aérea RJ-SP, amigos empresários e vários negócios à disposição.
No entanto, por causa de um relógio Rolex, ele ia morrer!
Ia morrer, mesmo!
E aí vem a indignação!
E eu não entendi, porque demorou tanto.
Vamos defender um pouco o sujeito: ele não é um funcionário fantasma, ele alega pagar todos os seus impostos e criou um projeto social.
Fez mais que muitos corruptos no seu País.
Eu não posso dizer que ele faz tudo isso para 'tirar o seu da reta', porque seria idiotice da minha parte.
Ele pode ser rico, sim! É um direito adquirido por ele!
Então, Luciano, que exerça sua riqueza com sabedoria!
Minha mãe me diz uma coisa desde pequena: 'Não se estimula a cobiça de ninguém. É bobagem isso!'
E assim nunca deixávamos à mostra coisas de valor, ou saíamos à rua com coisas de valor. Sabemos onde moramos e que as pessoas ao redor não poderiam ter um colar de ouro com um pingente de brilhantes. Mas, sim, é um direito nosso tê-los, pois o dinheiro é nosso e usamos como queremos.
Cobiça instiga raiva, raiva instiga violência. Simples: não queríamos ser violentados!
O pensamento dela é um pensamento brasileiro baseado na nossa condição social geral.
E está ligado à outro que li como sendo de Fernanda Torres há anos atrás:
'Usar jóias no Brasil é brega! As pessoas não podem comprar o que você tem.'
Radical!
Eu acredito que ela tenha, sim, algumas jóias. Até como herdadas de família.
Mas entendi o que ela quis dizer: 'não se estimula a cobiça de ninguém!'
E aí, vem Luciano Huck reclamar através de texto nacional porque esfregou um rolex na cara de um que estava à margem de sua 'panela', e não tem o que ele TINHA em um sinal de trânsito de São Paulo.
E continuo pensando que as 'panelas' não são a solução.
E eu reformulo o que Fernanda Torres talvez tenha dito:
Ser elite, ou 'panela' no Brasil é muito brega! Hierarquia é muito brega!
Vou roubar as palavras de um e-mail da minha amiga Clarice como fato que são e que precisam ser repetidas:
As pessoas não querem se misturar, pensar e fazer o social, usar seus talentos para ajudar os que não têm o que elas têm!
Lembro de um alemão que conheci no Rio de Janeiro.
Era uma pessoa legal, fiquei agradecidademente na casa dele, mas com o convívio comecei a notar as palavras 'neguinho'e 'pobre' repetidamente em seu discurso.
Notei que ele brigava em sinal de trânsito em pleno Rio de Janeiro, e agressivamente. Depois ria, como se não fosse nada! Ele se achava no direito de fazê-lo, porque a 'panela' social brasileira dele o tinha ensinado assim.
Ele tinha que morar no Brasil! Foi a escolha dele ao casar com uma brasileira.
Então, em meio a tantas reclamações dele e o palavriado que ele usava, eu tive que falar o seguinte:
'Se você está tão insatisfeito com a situação, porquê não tenta mudar? Ensinar alemão à alguma comunidade é um começo, fulano?'
Ele, com vergonha me disse: 'Eu não, o Governo que tem que fazer isso!'
E o pensamento dele é o pensamento de muitos.
Muitos procuram suas 'panelas' exclusivas, e que se danem os marginais.
E aí, a 'panela' vale muito!
Quando eles não tem a quem culpar.... bem..... 'Foi o Governo!', grita um ou grita outro!
O cerne da questão e a verdade é que desigualdade não faz bem à ninguém.
Então, por tabela, elite, hieraquia e 'panela', na minha cabeça não funcionam.
São muito bregas.
E quem acredita nisso, acredita em um absurdo!
Eu fico com o marginal, e não com Luciano Huck.
Tuesday, 9 October 2007
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