Monday, 22 October 2007

00 55 21.....

Era até então um domingo qualquer, sem emoção...

Recebi uma mensagem no celular.
Era de uma amiga me pedindo desculpas por ter sido tão sincera no dia anterior.

E pensei em ligar para ela, fazê-la comfortável, sem culpa e deixei o celular de lado.
Pensava no que dizer sem magoar, com o mesmo cuidado que ela me teve.

Mas nem tive tempo.
Recebi uma chamada de um número carioca. +00 55 21 .....

Pensei reconhecer o número de telefone, e que poderia ser Roberta, minha querida amiga de Santa Teresa. Mas não faria sentido. Ela acabou de vir à Europa e não viria em tão pouco tempo.

Pensei também que fosse outra pessoa, e com este eu não tinha o que falar. Então, esperei pela secretária eletrônica e eu ligaria de volta se quisesse falar com a pessoa.

Não houve um recado, e sim, mais outras 3 chamadas.

Resolvi atender e fiquei com medo de que fosse o tal com o qual não tenho realmente assunto a tratar.

Mas, não!
Felizmente, era Beta!

Ligava-me de sua vista da ponte Rio-Niterói em um dia de sol.
Um telefonema feliz para dizer-me que decidiu viajar sozinha pela Europa no próximo ano e vem me ver!

Contou-me as últimas notícias, do quanto mudou nos últimos meses, após ter decidido ser uma mulher diferente.
Ser 'menos chata, menos possessiva, menos controladora e menos pegajosa'.
Por consequência, ser livre!

Da liberdade que tem se dado nesses últimos tempos e do que viveu fora do comum estes meses.
Adorei que ela tenha ligado de tão longe para me dizer que se transforma dia a dia nesta nova pessoa.

Falou-me dos seus planos, e de que devemos viajar juntas no próximo ano.
Fiquei animada com a possibilidade.
Pensei que ela me levaria para os lugares nos quais ela domina as línguas nativas, e eu faria o mesmo em contrapartida.
Espero ter tempo para isso.

Falamos de que devemos ir à Ásia antes dos 30 anos, que merecemos tocar o outro lado do mundo.

Fiquei com uma saudade do Rio, e da vista do relógio da Central do Brasil desde a sua janela, dos nossos jantares vendo a cidade desde aquela vista alta.

Admiro Roberta.

Eu a conheci em uma tour de jipe em Fernando de Noronha.
Resolvi ir sozinha e conhecer o paraíso que o meu Estado tinha.

Ela estava com seu marido e todos estavam em casais.
Foi lá que ela pela primeira vez me falou de que gostaria de viajar sozinha em alto e bom som naquele março de 2006. Eu respondi:

'Vá! Mulher bonita e livre nunca fica sozinha!'

Ela me olhou sem acreditar. Talvez, tenha me achado arrogante naquele momento.
Mas, logo se refez da frase e me convidou para visitá-la um dia.

Cumpriu sua promessa de hospedar-me em abril de 2007.
Ofereceu-me um quarto lindo na sua casa por 1 semana inteira.

Sem querer nada em troca.

Foi uma ótima anfitriã. Abriu-me a casa, sua família, sua vida e a admiro pela sua abertura ao acaso.

Ela deixou que as coisas acontecessem sem se preocupar no que ia receber e hoje somos amigas.

A culpa e o esforço pela nossa amizade foram dela. A prezada amiga foi ela.

Em dias de hoje, nos quais as oportunidades são tudo, ela nunca pediu nada em troca.

Ela é uma bela mulher.

Saber que ela hoje tenta melhorar a sua maneira de ser diz-me que ela é especial.
Um ser em evolução.

Eu, definitivamente, não quero perder esse crescimento e ver a admirável pessoa na qual ela se tornará.

E não vejo a hora de ela chegar!

No comments: