Todos sabem que o que gosto mesmo é de estar um pouco sozinha.
Permitir-me ser livre nos meus devaneios sem a intervenção de outrem.
No entanto, desde que resolvi ter esse blog, a última coisa que tenho estado é sozinha, pois as mulheres e homens que vivem as mesmas questões que eu, ou têm a mesma visão compartilhada comigo estão mais presentes do que nunca.
A comunidade cresceu e as conversas são inúmeras, dando pano para muita manga e texto.
Então, voltei a utilizar uma regra que já tinha para a comunhão de idéias em sociedade.
Já que não posso ser mais tão só, pelo menos terei várias duplas.
Cada pessoa terá o seu tempo, sua vez de palavra e discussão.
As idéias serão digeridas passo a passo e os assuntos serão privados.
Entrarão no blog em forma de texto a minha visão do cerne da questão, disfarçado ou não, em forma de ficção e talvez com um nome ou inicial imaginária. Aliás, o subtítulo do blog explica que serão 'percepções solitárias'.
Esses momentos ao vivo e em dupla são privados, muito emocionais e têm quase sempre um tom confidencial.
São momentos ricos, porém são para poucos. São para os cordiais e não tão emotivos. São para os que exercitam a auto-consciência sem repressão.
E são para adultos que sabem guardar segredo.
Eu posso falar o que eu quiser, e a outra pessoa também.
É um direito de comunicação assistido.
Podemos brigar e discutir, e no final, resolver tudo como sempre. Ou não resolver e pedir um tempo para digerir a idéia.
Afinal, somos amigos, adultos e cordiais.
É por isso que a irritação vem quando somos chamadas para um café com alguém e saímos de nosso belo ninho de meditação para encontrar alguém, mas ao chegar damos de cara com um grupo enorme e diverso.
Todas falam, impõem o seu pensar rapidamente, cuspindo e escarrando idéias e ficam horas a rir e falar qualquer coisa que corte um silêncio constrangedor.
O silêncio e a introspecção são proibidos nesses grupos.
E na maioria das vezes, temos que ser muito felizes. Positivos!!!!
E eu aviso: Assim não dá!
E por isso, sou a primeira a me retirar do recinto.
Se você não tem tempo para mim, assim como eu tenho tempo exclusivo para você, por favor, não me chame. Se eu tenho a obrigação de ser positiva 'ha-ha', por favor, não me chame!
Ou, pelo menos, avise-me o que acontecerá.
Eu sei... às vezes não há tempo para que a pessoa com a qual você foi se encontrar note a intimidade da conversa, e convide alguém para que se 'junte' a vocês como dupla.
Em minutos, virarão um trio.
Mas, as coisas se complicam mais ainda quando a seguinte cena acontece:
'Marta, Maria estava acabando de me dizer o quanto gostou de tal pessoa, o quanto a achou perceptível e simpática.'
E você continua ali, incrédula.
Hein? Como assim?
Afinal, quem deu permissão para compartir meus sentimentos e palavras com outra pessoa?
Fale da minha questão em outros termos e não me aponte o dedo.
Não discuta com outros o que eu discuti em confidência com você.
Por favor, não faça isso. Eu te imploro!
Por quê se eu sumir, você não vai entender.
E é melhor que seja assim.
Acredite!
Acredite em mim!
Você tem que entender que existe o tempo de cada um!
E se não entende, só peço um coisa:
Ou me convide para a festa, ou deixe-me só!
Monday, 22 October 2007
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1 comment:
Adorei o post!
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