Monday, 8 October 2007

O mal do feitiço do amor nas recém-mulheres.

Esta semana me lembrei do que me disseram uma vez em uma recepção de casamento em Olinda:

- 'Sabe aquela época na qual todas fazem 15 anos? Pronto! Agora é a vez de todas ficarem grávidas ou casarem!'

E a frase faz muito sentido!

Desde os últimos 4 anos, vejo um baby-boom ao meu redor!

Nesta última semana, quatro anunciaram as suas respectivas gravidezas:
Nina, Ana, A. e S.

As duas primeiras tinham na notícia um tom de final feliz, com um tímido choro de alegria e emoção:
anos de tentativa em amar corretamente e multiplicar esse fator, alguns tratamentos e sacrifícios físicos e pelo menos um (ou vários) aborto espontâneo esquecido até a reta final.

Não preciso dizer que Nina e Ana têm mais de 30 anos.

Já para A. e S., o tom foi de conformismo com um acidente de percurso, misturado com um explodido e alto choro de desespero:
pouco tempo de amor e muito descuido e nenhuma gravidez no currículo até o resultado atual.

E não preciso dizer que A. e S. têm menos de 20 anos.

E pensei por dias: como se chega a tal situação nos dias de hoje?

E a causa do 'acidente' para mim é a tal: o feitiço do amor nas recém-mulheres, ou mulheres jovens é fatal. Faz esquecer cuidados básicos, regras do amor nos tempos modernos como o uso da camisinha, e é embutido de um sério romantismo cego digno de adolescentes ainda.

Vamos falar de A. um pouco: está na Europa há alguns anos, ainda não fala inglês. Apesar de ter dinheiro suficiente para entrar em uma das melhores universidades inglesas, não poderia fazê-lo pois não tinha um certificado de inglês como prova ou fala a língua com maestria.

Agora, diante do 'acidente' e chorando pelo fato em si, junto ao abandono do futuro pai que se achou muito novo para tal responsabilidade, ela ainda pensa se poderá levar adiante tal situação ou se vai largar tudo e voltar ao Brasil.

A. me disse: 'Nunca acreditei em abortos! E não penso em fazer um!'

Diante de tal resposta, eu não sugeri nada. Fiquei calada.
Não adianta 'se' ou 'caso tivesse', ou mesmo julgar. É fato consumado.
E agora? Sozinha e com essa responsabilidade? Não achei legal e não queria estar no seu lugar.

Falemos de S. agora;
não fala inglês, mas fala outra língua européia, trabalha e é linda, mas ficou grávida de um que não fala nenhuma outra língua além do português e que não a deixaria abortar por nada desse mundo, como já a disse.

Explico que o importante de se falar outra língua estando na Europa, é o aumento das suas possibilidades de progresso e do seu grupo social por aqui. Eis então, que é fundamental.

S. me disse: 'Dizem que quem faz a besteira agora tem que aguentar e botar no mundo, né?!'
Logo em seguida, fez a pergunta terminal: 'Você o que faria?'

Eu respondi: 'Eu aos 19 anos não estaria pronta para ter ligado à minha vida um homem tão intransigente como esse. Ainda mais para sempre. Eu só sei que tenho mais idade que você e ainda não quero mudar minha vida a esse ponto. Por que vai mudar e você sabe disso, não?'

Ela balançou a cabeça e chorou. Depois esqueceu e sorriu.

Com ela, o feitiço do amor foi sorrateiro e trouxe um homem que, com certeza, não a vai deixar sozinha por muitos e muitos anos.

Não adianta 'se' ou 'caso tivesse', ou mesmo julgar. É fato consumado.
E agora? Acompanhada por um que não a deixa escolher e com essa responsabilidade? Não achei legal e não queria estar no seu lugar.

Queria que eles ouvissem os testemunhos de amigas do passado, que tiveram seus filhos e 'foi a melhor coisa que já podia ter acontecido em suas vidas', porém perderam várias oportunidades ou limitaram a longevidade das suas conquistas individuais porque viraram 2 pessoas! E a segunda pessoa que chega tem sempre a prioridade!

Ah, o feitiço do amor!
E quando pega as recém-mulheres, traz muitas vezes essas consequências irremediáveis.

No comments: