Thursday, 20 December 2007

Mr. and Mrs. Banks

Quando chegam envelopes lá em casa com o seguinte título:

'Mr. and Mrs. Banks'
eu sei que é formal o assunto.

Eu não mudei o meu nome.
Então, os que mandam cartas com esse remetente são:
a família dele (que nunca aceitará que eu não mudei de nome), o meu banco com o extrato da conta de poupança de 10 libras que abri para nós dois, ou alguém que sabe que Tristan é casado porém não sabe com quem.

E até hoje, mesmo após 6 anos com ele, sou a mulher misteriosa de Tristan que alguns nem sabe como se chama.
Sad!

No entanto, chega o Natal e a quantidade de cartões que ganhamos é grande.

Mas, chega nessa hora eu, também, não tenho culpa.
Não enviei um só cartão.

Não foi maldade.

Apenas, não conheço aquelas pessoas que enviarão os cartões, nem sei seus endereços.

E por mais que a causa seja sentimental, nobre ou boa, eu não tenho culpa em não retribuir.
O espaço para essa interação não houve.

Então, sem lamentos ou reclamações.

Sinto muito, porém não enviei nenhum cartão de Natal.
Somente e-mails.

Feliz Natal a todos!!!

Bloqueio

Hoje, eu começo esse pensamento cantando Lenine:

´...nunca! se leve tão à sério, nunca.... se deixe levar.... '

E já paro!
Por que a segunda parte desse refrão fala 'da vida', que a vida passa... E aí eu já não gosto tanto.

Mas o motivo de cantar a música, é por que esse é o cerne da questão:

As pessoas se levam tão à sério que mesmo que você não queira falar com elas, elas bloqueiam você no msn!

Hoje abri o msn, e recebi a mensagem:
'Saiba quem o bloqueia no messenger!'

E em seguida, todos que me bloquearam apareceram como notificação em seguida.
Plim, plim, plim, plim, plim.....

Agora, eu pergunto cantando outra canção, sucesso na voz de Sidclei Sobral:

' Quem 'te' chamou? Quem vai querer contar segredos?....'

Não quer falar comigo? Delete-me da sua lista de amigos.

Aliás, é isso que eu faço.

Eu não bloqueio, por que não olho para trás.
Eu deleto!
Ora!

Monday, 17 December 2007

Espiritual x Sexual

É mutável como as fases da lua.

Às vezes, eu minguo meus desejos.
Às vezes, eu cresço em excitação.
Às vezes, eu renovo as minhas expectativas.
Ou, às vezes, eu me encho de interiorização.

Existem as fases espirituais, nas quais eu faço um balanço do que vem, do que vai e do que se tem no momento presente.
Sempre projetando para o futuro.
Sempre agradecendo de alguma forma.

Tudo secreto e reservado, em silêncio.
Maré baixa.

Mas, a maré enche quando menos se espera,
e o que era pouco vira muito.

Explode-se em vontade, e a ansiedade acompanha tudo muito de perto.

Existe um corte quase invisível entre a excitação e a obsessão, de tanto que penso. Sem parar.

Turbilhão emocional, respiração acelerada, impulso e expectativas.

O sexual libera bem essa energia.
É o ato perfeito para que a vazão das emoções funcione com eficácia.
Acalma.

Uma hora espiritual, outra sexual.
Tudo com muita intensidade.

Jantares de Natal!

Quem disse que inglês não gosta de jantares e só vai aos pubs?

Com certeza, não fui eu!

Essa semana já compareci a dois jantares, e quinta-feira próxima já tenho um outro ao qual devo ir.

O de sábado passado, no entanto, foi o típico jantar de natal com os amigos.

A reunião começou às 4h30, e levei um caminhão de cervejas. Foi a única coisa que me pediram.
Eram amigos os quais eu não via há anos.
Fiquei emocionada com o convite.

Comemos nossa 'sausage and mash', ervilhas e falamos muitíssima besteira.
Uma das garotas fez um pote de tomates pequenos embebidos em vodka, e todos adoraram.

Um tomate que explodia na boca recheado em vodka.

'É apreciado pelos que gostam de um Bloody Mary!', disse ela.

Realmente, uma delícia!

Outros levaram um salgado industrializado chamado 'cheese footballs'. Bolinhas pequenas de futebol recheadas de queijo!
Horríveis.

Comi uma e disse:
'Hummm.... interessante!'.
Não as toquei mais.

Após o jantar, o dono da casa soltou:
'Seria bom um quiz, ou um jogo agora!'

Metade dos convidados continuou em silêncio, e a outra metade concordou com veêmencia.

Ah, o desafio mental inglês divisor de classes....
Sempre presente.
Até nos momentos mais descontraídos.

Eu finji um sono provocado pelas sausichas.
Uma garota chamada Charlotte acompanhou-me no torpor digestivo.
Ficamos em silêncio.

Então, comemos a sobremesa:
'crumble rhubarb and custard'.

Traduzam se quiserem. Eu nunca comi 'rhubharb' no Brasil, então não faço associação.
Quem souber o nome desse vegetal (ou fruta?) que me informe, por favor.

Curstard é um creme doce e amarelado, com um gosto parecido com leite moça. Porém, mais leve.
Uma delícia a massa tostada e quente no creme.

E aí começa a lamentação dos amigos: onde você passará o seu Natal e quem você terá que aturar por um dia inteiro em frente à televisão?

Todos falam do enfado de ter que ver seus pais.
Ingleses não são familiares, e isto é um fato consumado.

Mas, mudamos de assunto para o Ano Novo.
Que festas seriam legais? Onde estaríamos cada um de nós?

E chegou a hora de romper com os brinquedos chamados 'crackers'.
Cruzamos os braços em uma roda e dividimos o nosso brinquedo explosivo com alguém ao nosso lado.

Devemos ganhar um brinquedo, ler uma piada, e botar a coroa feita de celofane de rei ou rainha.
Tradição não se altera.

Começam as despedidas por volta das 9h30, pois o cimancol é enorme.
Já alugamos os donos da casa por 5 horas.
Hora de deixá-los à vontade.

Se eu gostei do jantar?
Adorei!
Um jantar curto e grosso para amigos sem intimidade, como eu gosto.
Um bom jantar!

Na próxima quinta-feira, existe um segundo desses, porém o time de amigos é mais íntimo.

E quanto mais intimidade se tem, mais horas se passa junto.
Será um ótimo jantar!

Friday, 14 December 2007

Arrogante.

Minha mãe não sabe dizer não.

Então, quando ela leva um não, ela me chama de 'arrogante'.
Ela usa a palavra com mais frequência desde que decidiu usá-la pela primeira vez, 2 anos após minha saída da casa dela.

Estive lendo livros de Charles Handy para um trabalho da Universidade, e os textos falam do empreendedor com uma 'arrogância' para iniciar um caminho solo e transformar uma idéia em uma aventura.

Expliquei a idéia para amigos brasileiros em Paris, e naquele final de semana inteiro o que ouvi foi que eu era 'arrogante'.
'Arrogante e neo-liberal'.

Voltei de Paris e disse à uma amiga o que tinha acontecido e ela me disse:
'Hummmmm..'

O silêncio dela dizia 'arrogante'.

Então, notei que, talvez, a palavra tenha um significado diferente para os latinos.

Fui a um amigo e amiga ingleses e perguntei se eles me achavam arrogante.
E eles:

'Maria, você é curiosa, pergunta coisas, discute, aceita e interaje com as idéias dos outros. Arrogantes não fazem isso. Eles não tem a sua auto-confiança, e talvez por isso a chamem de algo que você não é.'

E concordei sem dizer nada.

Talvez, a isenção de culpas na vida leve qualquer um à uma certa arrogância.

Entre a culpa e a arrogância, eu fico com a segunda opção.
Está bom assim.

Voyeurismo.

A minha sogra adora enviar caixas.

Caixas de natal, caixas de aniversário... caixas pelos correios.

Ela envia as caixas para não ser esquecida, já que decidiu que não voltará à Inglaterra.
E ela sempre envia garrafas de vinhos porto para o filho.

Tristan as deixa para mim e eu acabo minhas sextas-feiras com taças da garrafa esquecida.

Mas, uma taça de vinho porto, leva a outra, que me leva a mudar canções no I-Tunes, e checar o e-mail, e ver mensagens no Facebook, e acabar por checar a vida de todos os meus amigos.

E acabei ficando por horas nas fotos daquela nova criatura...
E fui enchendo ele de adjetivos.
Cada um pensado de acordo com uma nova foto que eu via dele.

Inseguro, palhaço, interessante, engraçado, idiota, apaixonado, ativo e definitivamente, muito sexual o rapaz.

Ele foi feito para o meu voyeurismo.

Wednesday, 12 December 2007

Delegando independência e escolha!

Dia normal de trabalho.

5 matrículas chegam ao mesmo tempo.

Ligo para uma das estudantes. Paula Maria, em Brasília:

Eu: 'Olá, Paula Maria? Preciso de uma decisão sobre a cidade que você quer ir e sua matrícula. Você não tem muito tempo...'

PM: 'Oi, Maria. Ah, desculpa... é que eu não decidi ainda. Sabe o que é melhor ? Se você pudesse ligar para o meu marido. Ele resolveria para mim.'

Eu: 'Ah, ele vai com você? Eu não sabia.'

PM: 'Não! Eu vou sozinha. Mas, ele decide isso para mim. É melhor! Liga para ele. Vou dar o número.'

Eu: 'Tudo bem, ligo hoje, então.'

Como Paula Maria, em duas semanas Havana, Maria Cláudia e Elizete também delegaram suas escolhas ao marido por mais que esses não fossem viajar com elas.

E fiquei me perguntando se eu reconheceria no meio da rua essas mulheres que no século 21 delegam responsabilidade e escolha pessoal aos seus maridos somente por estarem em uma relação estável.

No mínimo, curioso.
Fiquei intrigada.

Tuesday, 11 December 2007

'Olho vermelho' e 'Estante'.

Comprei um tarô novo.
Finalmente, achei um Crowley do tamanho que eu queria.
E puxei uma carta. O cavaleiro de espadas.

Quem seria esse homem.....?
E lembrei-me de Jim Deal, o geminiano legal.

Era uma quinta-feira, chamei-o para uma cerveja. O pub teria que ser perto da estação de trem, do lado do meu trabalho.

E Jim sugeriu ao telefone:
'Nos encontraremos no relógio, na entrada da estação! De lá vamos para o Shakespeare's Head.'

Ótimo!
Chegando lá, eu comprei a primeira rodada de bebidas.

Fazia tanto tempo que não nos víamos que fiquei com medo que o encontro saísse pela culatra e não tivéssemos sobre o que falar.

Acho que ele também teve o mesmo medo, e por isso me comunicou: 'Daqui a pouco, virá um amigo que mora aqui em frente. O Chris!'

Mas, conversamos rios de palavras. E nem notamos o fulano que chegou, o tal do Chris.

Um moreno alto, de cabelo grande, cacheado, uma cara de brabo, marrom nos detalhes e de pele branca.
Com ele, vinha o amigo de apartamento, Joe. Pequeno, cabelo afro, olhos azuis e pele branca.

Os dois tiraram o casaco ao mesmo tempo.

E as camisetas denunciavam o Brasil da cabeça deles: 'Amazonas' e 'Capoeira Boneco'.

Descobri em pouco tempo que os dois fizeram uma festa na casa deles havia duas semanas, como despedida para a namorada de Joe que foi visitar o 'mestre' em Fortaleza.
Eles faziam capoeira todos os dias em Brighton, queriam visitar o Brasil, e se chamavam de apelidos como 'Olho vermelho' e 'Estante'.
Eles tinham a sua tribo.

Para eles, o Brasil não tem defeitos.
Sol, mar e capoeira.

Uma noite agradável.

Trocamos informações: eu dei um site de vôos baratos para o Brasil, eles me deram dicas para conseguir o webdesigner barato do qual preciso.

E assim, Jim me disse:
'Eu disse a você! Só tenho amigos legais. E a partir de agora, eu te dou todos os meus amigos. Não tem desculpa para ficar sozinha!'

Eu agradeci.

Quando eu ia pensar que teria dois novos amigos ingleses chamados 'olho vermelho' e 'estante'?

Nunca...

A casa criativa.

Tristan viajou.

Volta em janeiro.

E a casa ficou me fazendo companhia.
Um apartamento quente, no qual se come anchovas, queijo suíço e azeitonas com baguete, acompanhados de vinho tinto, na hora do jantar.

O mínimo de comida para uma pessoa maximizada.

Um apartamento criativo, no qual as paredes tem pedaços de papéis grudados, tentanto fazer sentido, em um colorido bonito e desconexo.

Idéias brotando... brainstorming ativo.... vazão da ação mental.

Desliguei os telefones.
Liguei os fones de ouvido.

Nesta casa, canta-se a noite toda e ninguém reclama de que não se ouve a televisão.

A televisão está desligada.
A cama é grande e espaçosa.
As luzes são indiretas e mínimas.

Tudo é resultado de um processo individual de cuidado consigo mesmo.

Ninguém é preciso.

E tudo está muito bem!

Quando as histórias se repetem...

A gente se ilude.
Essa é a conclusão à qual eu chego.

Não acreditamos que alguém possa ser tão tacanho e intransigente, ou com uma cabeça pequena...
E tentamos de novo.
E aí, quebramos a cara.

Mas, só que tem o seguinte: com ilusão a gente só pode lidar duas vezes.

Uma vez por ser o início da história. E vem o desapontamento.
Outra segunda vez existe, por ser a chance de um novo acerto, ou compreensão mútua entre as pessoas.

Se entrar no terceiro turno de expectativas frustradas em qualquer relação, é porquê, realmente, eles não prestaram atenção em nada do que aconteceu antes.

Este final de semana, chegou a vez da segunda tentativa de encontro com um grupo de amigas.

Eu cheguei na porta e a dona da casa disparou:

'Mas tu é muito louca mesmo, né? Some por tanto tempo!

Eu fiquei em silêncio.
Era o mesmo tema....
Ah, os loucos e os normais. Quanta diferença no mundo....

Fui na contra-resposta:
'E vocês, bem? Novidades?'

E todas dispararam rajadas de notícias ao mesmo tempo.
Até que a dona da casa parou novamente e perguntou:
'Oxe, e cortou uma franja?'

Eu, em silêncio....

Respira, Maria!

Fui na contra-resposta:
'Pois é! Seu cabelo está bem grande.'

E mais blá-blá-blá.... Rápido, alto e em multi som.

Fiquei em silêncio, resolvi ouvir.

Comemos, bebemos, até que anunciei:
'Não posso ficar muito. É domingo, tenho que passar minhas roupas no ferro para a semana que vem...'

Foi a primeira coisa que me veio à mente com a qual elas iriam se identificar. Trabalho e responsabilidade doméstica.

E pensei ao mesmo tempo que o dia até não estava indo mal.

Mas, aí chega a hora dos favores forçados e a dona da casa sacou um tarô de marselha com o qual ela aprende sozinha a jogar por 6 meses:
'Vamos fazer uma rodada de cartas?'

Chego à conclusão, também, de que devo ter o nome 'otária' em letras garrafais na testa.

E que o silêncio não leva às pessoas à reflexão.
Ao contrário. Leva às pessoas a passarem por cima do que você pensa, acha, acredita ou faz.

Você não fala, eles falam por você.

Respondi, assertiva:
'Eu não quero, não vou fazer, sinto muito.'

Então, a dona da casa começa:
'Ah, então eu boto! Tu olha, tá?'

Silêncio.....
Realmente, eu tenho a reputação de 'manobrável'.
Está claro, agora.

Então, olhei....
E vi a dinâmica de conselho de alguém que quer aconselhar, mais do que sabe aconselhar.

Para mim, irresponsável.
Anos são anos. Não são momentos!

Então, chega o irmão da dona da casa e diz:
'Cuidado com essa macumba!'

E assim, acabaram de matar o objeto de estudo de Carl Jung ali mesmo, naquela sala de jantar.

Todos riram.

Eu ri junto!
Ri.
Ri porquê eu me meto em cada uma, viu? E a culpa foi somente minha!
Sinceramente...

E chegou a hora de ir embora!

E a chance acabou.

A chance de fazer bonito nessa relação de amizade.
Deles tentarem entender porque eu sumi por 6 meses, e de eu tentar falar que eles não estavam tão certos....

E fui embora.

Dessa vez, certamente, sei que o próximo encontro será por acaso.
Por quê toda ilusão tem limite.

E antes só, que mal acompanhada.