É bom descobrir o que pensam de você.
Ainda mais quando você não se importa muito com o que pensam os outros.
Soa como uma surpresa.
Boa.
Ontem, recebi um telefonema de A., uma amiga basca, direta, rápida com as palavras, passional, e muito fiel.
Já trabalhamos juntas. Eu saí do lugar, e ela continua lá. Faz parte da sua lealdade continuar na mesma função por anos. Assim como no seu casamento de já 12 anos, enquanto ela ainda tem somente 30. A lealdade é uma característica dela. E ela escolheu ser leal e fiel a mim como amiga.
Fico lisonjeada.
E ontem escutei:
'Maria, estás bem? Desculpa por não haver ligado estes dias, mas liguei hoje. Parto para Bilbao em 3 horas, mas queria dizer adeus antes. Volto no final de outubro, estarás aqui? Quero te ver. Mas, tenho notícias agora. Queres as boas ou as más?'
E eu, como sempre com essa pergunta:
'Oi, meu amor. As más antes, por favor! End it on a high, please!'
Ela:
'A má é que vou embora sem ver-te e não tomaremos nosso café esta semana com Mikel (seu filho de 6 meses, que aliás se comporta muito bem quando não está faminto!).'
Eu:
'Isso é uma sacanagem, viu? Mas, tudo bem! Aproveite tudo que o frio começou!'
Ela:
'Eu sei, eu sei, mas já botei a calefação hoje. Esse ano não vou tentar me acostumar com nada(acostumamos nosso corpo sofrendo no começo do inverno! para sofrer menos depois! tática inglesa de guerra, eu acho, pois aprendemos com nossos maridos, que aprenderam com seus avós.) Mas agora vem a notícia boa.... Qual é? Diga-me você!!!'
Eu:
'Estás grávida!'
Ela:
'Sim, de seis semanas! Estou tão feliz, queria te dar um abraço, e que me viras antes de partir, mas te liguei assim que soube! Amo você e queria dividir contigo.'
Achei lindo, isso! Sou tão querida que soube a notícia antes da família em Bilbao!
Acho que Ana me ama! Bom.
Hoje, cheguei ao trabalho e a japonesa Y. me perguntou sobre a conversa que tive com a professora amiga dela ontem, e o que tinha resolvido. Ela ficou 'curiosa'.
Devo dizer que eu não tenho intimidade com meu time no trabalho. Não tenho intimidade com os dois italianos, com o polonês, com o iraniano, a húngara, o norueguês ou a chinesa, muito menos com a reservadíssima japonesa.
E eu respondi a Y.:
'Marquei minha primeira aula. Será quando eu voltar de Portugal. Mas farei sozinha, porque aparentemente, Tris já fala tudo que precisa quando viaja.'
Ela:
'Ah, que pena! Tem certeza de que vai fazer sozinha? Mas assim você vai aprender muito rápido, porque já é muito talentosa com o uso de outras línguas. Ele ficará com inveja.'
Eu:
'Vou, sim. Se ele ficar com inveja é problema dele.'
Ela:
'Maria, eu adoro você. Você é muito engraçada!'
Olha aí! Uma pessoa que nunca fala com você, ouve tudo que você faz e decide chamá-la de talentosa e engraçada.
Eu entendi a graça que tenho para ela, porque entendo que na cultura dela uma mulher não pode nunca ser mais hábil do que o seu marido. Não seria leal. E essa eu não compro, então, sou engraçada para ela.
E antes de chegar pela manhã, eu passei no supermercado e bati de frente com S., a brasileira que fez coxinhas no meu casamento e tem 3 filhos sendo mãe em tempo integral.
Eu:
'Olá S.... nossa! como eles crescerão! (as crianças! todas acordadas, vestidas e no supermercado às 8h30 da manhã)'
Ela:
'Pois é, lembra desse? Era o bebê quando você casou!'
Eu:
'Incrível! Acho que é a água daqui, não?'
Ela:
'Hahaha! Não, é a comida mesmo. São uns lobinhos e vim comprar justamente isso. Tá trabalhando?'
Essa é uma pergunta bem brasileira..... acho que lembranças da inflação, do desemprego, da dificuldade... assim, a primeira pergunta é : Você está trabalhando?
Ou foi uma pergunta comparativa de uma mãe em tempo integral, apenas.
E eu expliquei o que fazia além de cantar.
Ela:
'Nossa! Como você é chique! Mas também, eu queria ser inteligente como você. Para você nunca falta trabalho!'
Nossa, a mulher da coxinha também tem a sua opinião ao meu respeito!
E é uma visão boa.
Tá bom, eu sei... ela não me conhece, e só sabe dos fatos. Foi uma linha de texto geral e educada que ela soltou.
Mas é uma visão boa, pelo menos.
No final das contas, fiquei pensando que eu nunca parei para pensar muito nessas pessoas, retirando A. da lista, porque penso muito nela.
Mas, nunca elaborei a sua lista de adjetivos, a lista que a descreve.
O mais importante é saber que pelo menos, minha imagem externa anda bem, mesmo sem que eu pergunte!
Thursday, 27 September 2007
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