Eu tenho convicções estranhas em relação aos relacionamentos, e para mim, são quase como superstições: não há quem me faça mudar de idéia e acredito mesmo nelas.
Eu as chamo às vezes de minhas silenciosas teorias pessoais.
Uma dessas minhas teorias pessoais nos relacionamentos é de que:
Ninguém muda após completar 30 anos.
A lógica vem do princípio de que após 30 anos de decepções, alegrias, tristezas, vivências e outras experiências de vida que cada um tem, após os 30 anos é quase impossível, ou muito raro (pago para ver!) que alguém mude.
A pessoa é o que é, ou é como se apresenta. E eu, por ter um poder de persuasão quase falho, admito que não quero mudar ninguém e aceito que não dá para perder tempo com a tal pessoa.
Eu sei..... é um pensamento cínico, incrédulo e inflexível.
Mas, é uma das minhas superstições. E poupa-me tempo.
Então, quando algo dá errado em um relacionamento com alguém, eu prefiro não perder tempo e, simplesmente, esqueço a pessoa.
Eu não preciso dizer que a esqueci, ou brigar, ou gritar, ou nada mais.
Eu simplesmente sumo e esqueço. Dou um tempo.
Vou fazer outra coisa, focar em outro projeto, conhecer uma outra pessoa.
Tenho essa relação descartável nos relacionamentos. É isso: sou eu! É a minha superstição, minha solução para as minhas emoções.
Aliás, estou no lugar certo para fazer isso, em plena Inglaterra, o lugar do não-confronto.
E se um dia a pessoa voltar, ela pode ter certeza de que eu não lembro o que ela fez. Eu esqueci o fato. Assim como um dia eu a esqueci.
E, quem sabe, podemos recomeçar de onde paramos.
M. era uma amiga e entrou nessa leva.
Ela é libriana, argentina, e tem mais de 30, além de um diploma em psicologia que a faz cheia de razão muitas vezes. O quanto ela tem de sensata e justa, tem de crítica também.
É incessante a sua crítica... a tudo e todos. E não me importo com isso, aliás, até gosto.
Mas não tanto.
E um dia, em 2004, M. passou dos limites.
M. criticou um terreno da minha vida que não fazia parte da sua conta, e fez pouco de mim na frente de muitos.
E eu fui embora.....
Não gritei, não discuti, não falei, somente fui!
Porque conhecendo ela como eu já conhecia, eu sabia que ela não iria mudar.
E eu não a mudaria.
Então, eu a esqueci.
Ela não entendeu, e telefonou.
Escreveu. Pediu para sairmos juntas.
Mandou mensagens de texto, 'ficou preocupada comigo e ligou mais uma vez', escreveu outras tantas vezes, e depois, simplesmente disse que sentiu minha falta.
Eu sempre educada, mas com uma desculpa na ponta da língua para não vê-la.
Porque não havia motivo para discutir e porque não tinha mais paciência. Não queria resolver nada.
E se ela gritasse, seria pior, pois eu a deletaria sem direito a resposta.
É assim: quando a educação falta, nem uma resposta minha chega.
Eu deleto.
Hoje, M. reapareceu.
Chamou-me para uma cerveja de segunda-feira, para celebrar a semana.
Eu gostei do otimismo infundado. Curioso!
Soube por muitos dela.... que ela acabou um relacionamento importante, que esteve só, que esteve mal, que foi ao fundo do poço, que sofreu, que viajou, que voltou, que perguntou por mim e que está bem melhor do que antes.
Queria até ter ido ao seu resgate, mas a lição de vida era dela, e não adiantava eu interferir.
O aprendizado era solitário e dela.
Mas eu, de acordo com a minha superstição, ainda não acredito que ela tenha mudado.
De todas as formas, hoje eu estou paciente e o sol em Libra me ajuda, assim como o aniversário dela chega, e achei que seria bom vê-la.
Hoje, após três anos, nos encontraremos.
E acho que será bom.
Tenho certeza de que ela me perguntará porque eu sumi.
E eu, serenamente, vou dizer a verdade.
Tenho certeza de que Libra nos ajudará hoje.
Ou não.
No final das contas, o que gosto é que eu e M. apesar de sermos amigas, ou não!, estamos sempre nos tratando de forma cordial.
Lá no fundo, somos diplomatas e consciente dos relacionamentos humanos e suas inconstâncias e
sempre somos cordiais.
Quem sabe, voltamos a ser amigas?
Monday, 24 September 2007
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