Friday, 21 September 2007

O meu tarot tem um jeito que é só seu!

Eu me lembro de como a minha relação com o tarot, ou a torat começou!

Eu devia ter 12 anos, morava com meus avós e minha tia (sim, eu sou a neta da minha avó! tenho até o mesmo nome dela!), tinha feito minha primeira comunhão, era magrela e risonha, adorava jogar 'queimado' e era apaixonada por Everton! ou Everson... não lembro!

Essa paixão recifense me consumiu por uns tempos. E paixão até hoje me rasga por dentro. É contra-indicado para mim, tenho alergia a esse medicamento, pois me tira do sério e cometo loucuras com ela e viro outra pessoa.

Em meio a essa paixão e em uma das visitas da minha mãe, lembro que as filhas da minha avó se juntaram e abriram a 'última gaveta da estante'. Aquela que sempre fica emperrada por falta de uso. Aliás, todas as gavetas e estantes da minha avó eram 'quase sagradas'. Continham rendas, pratos bonitos, fotos e relíquias de uma família nordestina grande, outrora pobre e muito complexa.

Mas, na 'última gaveta da estante', tinha também o tal saco plástico vermelho. Dentro dele, tinha um livro e umas cartas: 'O Tarô Adivinhatório', com cartas egípcias e edição de 1962.

Minha mãe falou: 'Não acho legal eu botar para você, por que você é minha filha, mas vou tirar somente uma carta'.

Detalhe: minha mãe não sabia ler baralho nenhum! Mas eu pensava que ela sabia.

Então, perguntei a ela se ia namorar o tal Everson que tinha 16 anos, um cabelo negro e liso de índio, alto, com uma pinta no queixo. O terror do bairro de Campo Grande e Sítio Novo.

Ela tirou uma carta, e não sei qual, não lembro! Só lembro o que ela me disse:
'Para chegar a esse tal menino, você terá primeiro que chegar a Deus!'

????????????? Como assim???????????

Preciso dizer que até hoje, minha família materna tem um dom forte para o escracho!
E acho hoje, mesmo, que estavam escrachando com a minha cara.

O que eu senti depois disso foi uma fascinação por essa tal gaveta, e por esse tal saco vermelho, e por essas cartas que eu não entendia.
Entâo, desde os meus 17 anos, eu tento entender cada uma dessas cartas.

O tal baralho da minha avo, hoje faz parte da minha coleção. Tenho 12 baralhos diferentes.
Estudei cada método deles.
E ainda os abro todos os dias! TODOS os dias!

É a minha mania, meu tique, faz parte da minha solidão preenchida.
Eu e meu tarot! Nós nos amamos e as cartas nunca mentem.
A paixão saiu do tal Everson para o Tarot naquele dia.

Perdi a conta das cartomantes nas quais já fui, mas hoje em dia não vou mais!
Simplesmente, por que eu leio junto com elas e discuto durante a consulta.
E aí acho injusto pagar a alguém e ter feito o mesmo trabalho.

Minha mãe me diz que eu nunca deveria cobrar para botar as cartas:
'Traz má sorte!', diz ela.

Contudo, se você é amiga e não cobra alguma coisa, as cartas viram uma brincadeira! E uma brincadeira constante!
E hoje em dia eu cobro, sim!

Falei tanto do tarot hoje, porque lembrei que saí de casa correndo e não olhei meu conselho do dia!
E sinto falta!
Por que o meu tarot tem um jeito tão dele.....

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