Tuesday, 27 January 2009

Uma mulher doce...

...positiva, inocente...

Eu adoraria ser assim!

Amaria pensar que o iraniano que senta em frente a mim é um homem com ética impecável e imparcial. Se eu conseguisse e sorrisse para ele com positivismo, ele me acharia doce.

Ao invés disso, quando ele faz um comentário sobre alguém, ou elogia uma mulher na minha frente, eu olho no fundo do olho dele, sem rir, e ele se entrega: ou olha para cima, ou lambe os lábios, ou dá de ombros. Ele sabe que eu já vi o desprezo, a luxúria ou a indiferença dele nas palavras e afirma o que sentiu depois. Sempre ri e diz: 'Maria, Maria...'

Pedi para uma amiga me definir em algumas palavras. Aquela pergunta típica das entrevistas de trabalho: como os seus amigos te definem?
Ela respondeu: entusiasta, inteligente, linda e cheia de vida.

Essa é amiga, mesmo! E sendo de escorpião, eu até acreditei nela.
Mas ninguém me define como doce.

Aliás, a última vez que eu ouvi essa palavra foi em uma frase ao revès: 'Eu prefiro você quando você fica doce, assim!'

Nem era doçura, era cansaço, eram 12h30 após vários beijos sem fim e um dia longo de trabalho.
Eu queria dormir e já tinha jogado a toalha.
Ele, no entanto, preferiu a calada, de olho baixo e 'doce'.

Adoraria corresponder à expectativa, conformar-me com o que tenho, aceitar o mínimo de bom grado, achar que já tenho tudo!
Seria muito mais fácil.. eu não ficaria na busca incessante. Pero, yo me aburro... É tudo tão chato...
E busco coisas novas o tempo todo. Agressivamente. Fuçando o novo!

E não consigo ser doce.
Não é a minha natureza.
Eu não sou docinho.
Eu sou rapadura e a doçura só vem ao final.

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