Sunday, 4 January 2009

O último brilhante.

O último homem brilhante ao meu coração do ano de 2008 tinha que estar acompanhado.
Não fisicamente, mas em mente.
A mente acompanhada das lembranças da amada por ele ser comprometido.

E quando o homem brilha, eu escuto.
Escuto, escuto.... Silêncio, todos! Eu quero saber o que ele pensa, me interesso pelo mundo dele.

Ele tinha uma voz linda. O timbre era na medida exata, tinha um quê de menino, jovem, mas ele não hesitava. Ele sabia usar o uníssono, ele não cantava as palavras, e nem o sotaque dele o deixava fazê-lo.
Eu não entendi muito o penteado, e quando ele não me olhava eu tentava ver a lógica das mãos após o banho... Tentando entender como ele fez aquilo. Não havia gel, pelo menos. Nunca me engano sobre um homem que usa gel no cabelo: ele é superficial. O brilhante não era assim.
Ele brilhava, afinal.

Aliás, ele já tinha passado na teoria dos 5 minutos. Digo até 5 segundos! Foi realmente automático.
Eu emudeci ao vê-lo sorrindo.
E ele nem me viu. Eu notei de muito longe.
Não falei com ele a noite toda.
Eu não consegui, o encanto estava na minha cara. E até hoje, dias depois eu evito falar no nome dele, como se evita falar em doença contagiosa com medo de que ela se espalhe cada vez mais pelo corpo, ou chegue perto. Pura superstição.

Cheguei à uma conclusão com um amigo em comum, e decidi que realmente não seria legal insistir em alguém que já tem outro alguém.
Alimentar fantasia não faz bem à ninguém.

Ele brilhava mesmo assim com um sorriso assertivo e calmo, com um timbre de voz indecente que eu só imaginava falando ao meu ouvido e me pedindo para ficar.

E nem conversamos eu e ele sozinhos. Aliás, tenho a impressão de que passei batido para ele.
Fazer o quê?

Não diminue o fato de que ele brilhava.

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