Friday, 15 August 2008

A empregada!

Lá em casa nem sempre teve uma empregada.

Minha mãe por anos, na minha adolescência, foi incompetente para arranjar um emprego fixo, ou talvez muito emocional no ambiente de trabalho, como todos os outros tios e tias desempregados.

Um ego enorme dado pelo estudo e uma falta de estratégia para lidar com pessoas que lhes davam uma ordem no serviço. Sem jogo de cintura para conseguir o que queria, ela era.

Então, pelo período que ela foi desempregada, eu estudava e ela fazia um almoço horrível, pois nunca soube cozinhar. Herdei dela o meu nojo pela cozinha.
E ela também limpava a casa com ódio. Ódio de ser uma mulher estudada e limpando casa.
Como se fosse menos limpar o próprio lixo que ela produziu.

Até que após 7 tentativas passou em um concurso público e passou a trabalhar, dirigir um carro, e nunca estar em casa. Sempre fora!

A esta altura eu já estava na faculdade e passava o dia fora bem longe, e meu pai também no trabalho dele.

Mas, mesmo assim, a empregada foi necessária pois ela nunca lavaria um banheiro depois do trabalho, à noite.

Pensei nisso, hoje, quando ela me comunicou que decidiu que Ivanice não ficaria trabalhando mais na nossa casa após 10 anos.
Ela não quer, e não precisa mais de empregada.

Está aposentada e não precisa.

Lógico, que se eu não vivesse na Europa e dissesse para ela sempre que eu não posso falar no telefone às 6h da noite, pois estou cozinhando, ou que não liguei no final de semana porquê limpei a casa e saí logo em seguida, ela estaria até hoje com Ivanice.

Também aprendeu que não valia muito a pena ter empregada, porquê queria mandar Ivanice tirar todas as teias de aranha dos cantos da casa enquanto eu reclamava que ela trabalhava demais, e que quando eu fazia limpeza ganhava mais por menos trabalho.

Ela pensava em mim fazendo limpeza na casa dos outros e ficava com vergonha da sua burguesia.

Eu hoje em dia, vivendo no Brasil não conseguiria ter empregada, porquê eu consigo fazer tudo sozinha. Limpo banheiro de noite de joelhos, aspiro e passo roupa, cozinho meu jantar e vou fazer compras no supermercado andando, pois não tenho carro. Minha sacola de palha é chiquérrima, no entanto.

Eu faço tudo por mim mesma. Tristan também fazia tudo por ele mesmo e nunca aceitou que eu limpasse suas coisas, pois ele fazia melhor do eu.

Agora, reclamar que a empregada não faz direito é de lascar.
Como eu dizia para mainha: Peraí, que é analfabeta mas não é escrava, né?

1 comment:

Princess Deluxxe said...

tenho nojo de mim mesma, pequena burguesa. mas com criança pequena em casa, trabalhando o dia inteiro, é impensável sem empregada. ou sem creche. sou toda incomodada com minha relação com Nenê. pago auxílio creche pra ela ter com quem deixar o filho pequeno. eu pago uma mulher (ela) e ela paga outra. sim, é ela é a dona da minha casa. muito mais do q eu. e ela não lava q roupa q mando pra lavandeira, nem passa pq tem a passadeira q vai fazer isso uma vez por semana. e não tira mais a teia de aranha ou ajoelha pra lavar o banheiro pq tem a outra faxineira q faz. já passei da fase de sentir culpa por não arrumar minha própria casa. minha culpa tá na relação trabalhista, q tento não deixar torta demais. mas por mais q eu me esforce, sempre sinto q ainda sou injusta. mas é foda ligações pra celular, cada uma de R$ 80. isso, nem eu faço