Ele acompanha você de longe, e quando você sente que alguém te olha e encara de volta, ele tira a vista.
E você duvida - 'será que eu tô viajando? eu e o meu ego!'
Aí, você pega a bandeja, põe a sua comida e os seus tomates, paga a conta e senta.
E ao sentar, finalmente, entre duas colunas de sustentação do prédio, os olhares se trocam.
Você come. Pára de pensar e come, na sua mesa, sozinha.
E, de repente, da coluna surge ele, que pergunta:
'Tá sozinha?'
Você responde: 'Tô!'
Ele senta. Não pergunta se pode, porquê ele já acha que pode.
Você quebra o gelo: 'Vou pegar um guardanapo...'
E respira dois segundos...
Volta para mesa, e não tem como fugir.
É cara na cara.
Entre garfadas e mordidas.
Você continua: 'A comida tá horrível. Fazer o quê, né? Vamos comer.'
Ele começa o teste das perguntas. 'Será que essa é para casar?', ele deve pensar, já que nem sabe que eu já casei e não preciso mais dessa validação.
Faço questão de não passar no teste. Já tinha resolvido ser do contra e agora, eu desafio mesmo.
Ele começa: 'E você sabe cozinhar?'
Eu: 'Não! Não faço questão de cozinhar, mas sobrevivo na cozinha!'
Ele: 'Você gosta de morar aqui?'
Eu: 'Sim, eu não sofro querendo voltar! Vivo o presente. Para mim o que vale é agora!'
Ele: 'Você vai à academia?'
Eu: 'Não! Gosto de esporte ao ar livre. Academia não rola, não gosto!'
Ele: 'Quando você vai ao Brasil agora?'
Eu: 'Não sei, mas vi uma passagem barata ontem para ser utilizada até o começo de dezembro!'
Ele: 'Não posso nessas datas! Só posso ir por 3 dias!'
Eu, pensando : ??????????????? Quem te chamou ?????????????
E eu mudei o rumo da conversa, pois o teste teve as perguntas idiotas de um homem à uma mulher e eu já não estava interessada. Prova de que uma conversa ruim acaba com qualquer resto de tesão no mundo.
Falamos de outras coisas: da gravidez da irmã dele, do nosso aniversário no mesmo dia do ano, e de que aquela era a nossa primeira conversa já que passamos meses brigando e dando foras um no outro.
Ele pediu o número do meu telefone, e eu disse que não queria dar.
Ele ficou surpreso. No final, dei o número mas avisei que não sabia o dele, deletado nos tempos de guerra entre nós dois.
Ele não acreditou, e eu jurei por Deus.
Ele, católico, acreditou, enfim.
No final do almoço, ele me deu dois beijinhos e me pegou no braço tão forte que o que senti depois foi igual à sensação de levar uma benzetacil. Uma pegada com uma olhada no olho. Em público.
Foi o jeito dele de me dizer: 'Feel me?'
Sim, eu sinto!
Mas, eu também sinto muito.
Você disperdiçou a chance que teve comigo.
E eu, impaciente, não volto atrás.
Wednesday, 27 August 2008
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