Friday, 2 May 2008

Fora de moda.

Ontem foi uma quinta-feira, dia de lojas abertas até às 20 horas da noite em Brighton, a cidade mais pequena deste mundo.

Decidi dar uma volta pela cidade e comprar um perfume novo!

Para abrir os caminhos!
Um cheiro novo de esperança, para atrair novas vibrações.

Que esta vida anda parada demais.

E todos os lançamentos ilimitados de verão estavam lá, os tais perfumes sem álcool, meio oleosos, para hidratar a pele. Dizem as vendedoras!

Após uma hora de indecisão, fui de Jean-Paul Gaultier versão verão e limitada.
Um cheiro bom de banho com flor.

Então, empolgada com o cheiro de novo que eu levava, fui às outras lojas atrás de um vestido para mostrar as pernas um pouco mais e ver o que as lojas tinham.
Não me lembrava da última vez que tinha ido ao centro comercial.

E dentro das lojas, eu senti-me em Recife.
As roupas parecem de chita, flores enormes, cores berrantes, neon e estilo C&A brasileira.
Aqui já é São João! Xadrez e flores em todos os lugares.

E foi quando eu notei que ando muito fora de moda.
Eu e minha parka branca, a mochila cheia de papel nas costas, minha calça de escritório com barra de lama de chuva e meu sapato surrado de trabalho e topadas.
Eu sou uma operária e trabalho tanto que não vi o tempo passar.

E apesar de ter até um dinheirinho extra para um luxo em uma loja feminina, recebi um olhar de desprezo da vendedora, que me viu de mochila e me tirou por uma cliente econômica e não-feminina. Daquelas com as quais não se deve fazer muito esforço.

Saí da loja na hora.

E olha que eu queria aquele cachecol que eu finalmente encontrei, depois de ver minha amiga Aline usando-o e tão charmosa enrolada nele.

Ia repetir o estilo dela.
Mas não tive paciência.

Eu fico fora de moda, mas não dou meu dinheiro a quem me olha de cima a baixo.
Não dou, mesmo!

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