Tuesday, 13 November 2007

A transição

A transição da solidão ao amor sempre é doce.

Neste último mês, tenho acompanhado várias transições no comportamento do italiano solitário e vizinho de mesa no trabalho.

Ele recebe mensagens de texto o tempo todo e diz: ah, é minha mãe de novo.
Ele é filho único.

Mora sozinho em um apartamento no centro, passa os finais de semana em um quarto escuro revelando fotos e come croissants de chocolate todas as manhãs. Ele não cozinha.

Queria uma namorada há muito tempo, porém acho que ele cheirava a desespero. Quanto mais o tempo passava, mas desesperado ele ficava. E isso se sentia de longe.

Mas alguém resolveu ajudá-lo e, como dizia minha mãe, cortou uma jaca para ele.
Apresentaram-lhe uma inglesa em seu curso de francês e ela aceitou um convite para sair.

De encalhado transitou para um com alguém para sair.

E na semana seguinte ao encontro, estava nos ares....
Olhava as janelas e admirava o sol e o céu, ria muito e com frequência.

O começo da empolgação, da excitação do amor.

E transitou de solitário a apaixonado.

Porém, não viu muita resposta da inglesa, e olhava o celular com frequência atrás de uma mensagem de texto. Nada.

E voltou a exalar desespero novamente.
Sentia-se de longe. E pegou uma gripe violenta em dois tempos.
A paixão o enfraqueceu.

Até que voltou ao trabalho depois de três dias de cama.
Disse que nada tinha acontecido, e assim parou de sorrir.

Transitou de desesperado a solitário mais uma vez.

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