Friday, 2 November 2007

10.000 passos no celular.

Como eu não tenho contas, e odeio contas, somente conto com o dinheiro que tenho.

A lição de um cheque sem fundos que saiu de Recife e foi a São Paulo me trazendo uma ameaça de inclusão do meu nome no SPC em 2000, foi suficiente.

Odeio cheques, aliás são antiquadíssimos.
Não há coisa pior do que procurar uma nova carteira e só ver trambolhos com espaço para o talão de cheques. Quem usa isso hoje em dia?
Por aqui, somente mães. Elas precisam do crédito extra.

Cartões de crédito, também. Eles não andam na minha bolsa.
Só trazem problemas. Principalmente, por que o meu banco escolheu a data de vencimento como a de três dias antes do meu salário.
E isso aqui não se muda.
Então, é um desastre.

Assim, também, é com a conta do celular. Eu, simplesmente, não a tenho.
Somente recebo chamadas, ou ligo da minha linha direta no trabalho.
E todos os meus celulares são pré-pagos.

Uns feinhos, simples e sem nenhum motivo de status. Eles apenas recebem chamadas e mensagens de textos. Tenho vários. É uma compulsão. Jurei que nunca mais compraria um outro celular, visto que eu já tenho 4 diferentes.

Porém, eu vi um Sony Ericsson lindo na semana passada.
Branco, prata e roxo! Lindo! E no modelo que eu mais gosto, o que abre como um sanduíche. Adoro este formato de celular.
Pumba: comprei!

O lindinho tem: bluetooth, video, walkman, camera 2mp, envia fotos, jogos (monopoly!), tem headphones, cabo usb para transferência de arquivos e .... fitness!

Ele conta as distâncias de corrida e andada com seu pedômetro imbutido. Vem com um bracelete de velcro e o seu suporte, para o uso na andada.

Ao olhar o visor, vejo: hora, data, quem ligou e passos dados durante o dia.
Um lembrete constante.

E decidi aproveitar esse embalo!
Já perdi 2 kg esta semana com uma meta que me pûs: um mínimo de 10000 passos a serem andados por dia.
Sim, trabalho 7h30 sentada, porém tenho que andar 10.000 pelo menos, todos os dias.

E, ontem, veio o elogio.

O iraniano ao meu lado, é professor de salsa e kung-fu.
Bruce Lee tem ainda muitos fãs e seguidores por aqui.

Fala de saúde o tempo todo e conta os cafés que tomo durante o dia.
Um sa-co!

Mas, ontem ele virou para mim e para a gerente italiana, enquanto conversávamos e disse:
'Eu fico impressionada com vocês duas. Vocês não têm problemas, são dois violões!'
E fez o contorno feminino com as mãos.
Um elogio sexista e iraniano.

Nós nos olhamos chocadas com o comentário em meio a um departamento cheio e respondemos:
'Obrigada...', em tom murcho e desconfiado.

Imediatamente, culpei os 10.000 passos e o iogurte pela cintura e pelo elogio.
Mas, o celular continua lá, bonitinho.

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