Eu resolvi que devo fugir da minha realidade com frequência, daqui para frente.
E não dar satisfações a ninguém.
Porquê é hora de crescer e não dar muita satisfação à ninguém mesmo.
Então, fugi do trabalho, e fugi do marido.
Fugi!
E para me soltar mais no mundo, resolvi começar a fazê-lo pertinho de casa.
Na França.
Embarquei no novo serviço 'bio-green' St. Pancras International - Paris Nord.
Um final de semana prolongadíssimo em Paris.
A segurança na nova estação redobrou.
Para completar, eu resolvi viajar com uma mochila preta, à la 'suicide bomber' , o que complicou as coisas ainda mais....
Fiquei 30 minutos na vistoria tecnológica por conta de uma mochila.
Até minhas calcinhas reviraram. Horrível!
Conselho: comprem bolsas de outra cor e tamanho.
Mochila é coisa do passado. Passado negro.
E cheguei à Paris.
E como é diferente!
Os amigos estavam na estação.
Doces brasileiros. Salve simpatia!!
Como era um sábado à noite, andamos o percurso inteiro. O amigo homem carregou a bolsa pelo percurso.
E eu, com a minha couraça de mulher independente, fiquei meio desconcertada.
Muito bonito tudo isso.
Paramos num bar lotado de um senhor de origem árabe.
Couscous e carne com vegetais de graça, ao pagar pela bebida.
Lindo!
Mesas abarrotadas e 'adeus' ao espaço pessoal entre uma pessoa ou outra.
E os franceses fumam na sua cara.
Não tão lindo, tudo isso.
De lá, andamos mais e mais, e foi bom mexer as pernas por mais de 30 minutos.
Sem transporte, todos nós seríamos mais ativos.
E seguimos para outro bar, pois sem beber, não se fica em mesa alguma em um sábado à noite em Paris.
Entramos numa festa privada para um bar.
Meu amigo tentou argumentar docemente, ou ignorando a confusão: e funcionou!
A francesa dona da festa deixou os com cara de turista, devido à minha mochila e ao português, ficarem por lá.
Mas, nós não aguentamos a fumaça.
Os olhos ardiam.
E fomos para a andada final até a casa deles.
Entre todas estas paradas, o tema era a França contada por eles, estudantes de doutorado em Paris.
E a conclusão do primeiro dia foi:
É lindo morar em Paris, uma cidade de arquitetura linda. Mas, como é difícil arranjar um emprego temporário
E ser estrangeiro.
Tendo em base, esta conclusão, eu risquei Paris da minha lista de 'lugares para se morar no futuro'.
Por quê sou estangeira, e porquê sem trabalho não tenho dinheiro.
Se eu ficar rica, compro um apartamento por lá e visito de vez em quando.
Passei os três dias andando.
Greve em todos os lugares....
O amigo francês cumpriu à risca o meu ditado pessoal sobre os franceses. Ditado formulado por mim após três diferentes relacionamentos com namorados franceses e amigos franceses:
-Franceses fora da França apreciam você e aceitam qualquer gentileza, inclusive a de ficar na sua casa.
-Franceses na França somem quando você diz que vai chegar, e por tabela, nenhuma gentileza é oferecida.
Resultado: mesmo após marcar encontro, ele sumiu!
Tudo bem. Sem surpresas e sem desapontamentos!
Passamos por uma feira em uma manhã de domingo, os amigos brasileiros me disseram:
'Cuidado com a bolsa'.
Não é lindo isso!
Fiquei tensa.
Na volta, a feira já tinha acabado e os amigos me disseram:
'Olha os chineses comendo o resto das frutas no chão. Pois é! O tráfico de chineses é feito na maioria das vezes por eles mesmos.'
Muito feio isso! Mas é a realidade.
No último dia, eu já estava habituée.
Duas lojas esqueceram de retirar a tarja de segurança da mercadoria, uma delas sendo a livraria do Centro Georges Pompidou.
E eu fiquei lá nas portas das duas lojas, para todos com a cara de ladra estrangeira, escutando um francês em tom assertivo.
Depois da mostra do recibo, escutei o mesmo francês em tom doce.
Mas eu já não estava interessada nas desculpas.
Protestei com o típico bufar de cavalo francês e saí em silêncio.
Muito chato tudo isso. Irritante!
Aproveitei meu desapontamento e não gastei minhas suadas libras. Não dou meu dinheiro a quem me trata com diferença.
Comprei uma agenda 2008 japonesa, uma bolsa artesanal em Clignancourt e um creme anti-rugas Caudalie.
Suficiente.
E chegou o fim dos dias na França.
Peguei o meu trem ultra-rápido e voltei para Londres.
E quanto mais viajo, ou fujo, noto que quando volto para Inglaterra, volto para casa.
E o nome fuga, fuga do 'normal' britânico, realmente, se aplicará daqui para frente.
Monday, 26 November 2007
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