Monday, 3 November 2008

A dívida.

Eu nunca contei muito da minha vida para a minha mãe.

Não somos amigas, aquele carnaval de união 'eu conto tudo para minha mãe, ela é minha melhor amiga'. Porra nenhuma.
Fomos inimigas por anos. Sempre batendo de frente por sermos muito diferentes, mas muitas coisas eu devo à ela.
Como a capacidade de nunca ter dívidas.

Ela até hoje diz: 'Eu não devo dinheiro! Você já viu alguém batendo na minha porta pedindo dinheiro? Se não tem, não compra!'

E foi com essa frase de sempre que em um quiosque de café em um shopping centre no ano 2000, ela me comunicou:
'Abri uma carta sua do banco 'urgente'! Você está com um cheque sem fundos na praça. Vamos achar este cheque agora e pagar em dinheiro. A quem você passou esse cheque?'

Eu fiquei branca.
Mas fomos ao restaurante ao qual eu passei o cheque e o dono disse que ele tinha sido enviado para São Paulo. Falamos que pagaríamos o cheque no mesmo dia assim que o cheque voltasse.

Depois de resolvido, entregamos o cheque no banco. Por um triz meu nome não entrou no SPC.
Foi bom ter a mãe que puxa pelos cabelos e diz 'vamos resolver isso agora!'.
Sem psicologia nenhuma, mesmo sendo ela uma psicóloga para crianças.

E até hoje, piro com pessoas que me dizem que têm dívidas. Como?
Como? Irrita-me profundamente ouvir falar de dívidas. Nem respeito a pessoa, acho de uma estupidez incrível. Assim como pôr um cigarro na boca e achar chique. Burrice do caralho.

Valei-me!

Lembrei dessa história ao ir à minha depiladora de anos, que me disse:
'Tenho que dar um esporro na minha filha: 19 anos, com um cartão de crédito, sozinha em Londres e com dívidas. Pensa que está cheia de dinheiro.'

Eu: 'Realmente, se tem alguém que saberia ensinar o valor do dinheiro à ela, seria você; trabalhando de segunda à sábado, com negócio próprio, casa quitada, 2 filhos sozinha. Eu você dava um puxão de orelha nela!'

Ela: 'É ! Não vai ter jeito. Eu vou atrás e vou resolver essa situação.'

Tomara que ela resolva com pulso forte. Senão, o tiro pode até sair pela culatra e ela cria uma dependente que não sabe nunca pescar e espera o peixe na boca.

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