Não teve jeito.
Eu tentei Yoga no centro budista, academia no centro da cidade, corrida na beira-mar, natação na piscina comunitária e poluída do clube....
Mas, acabei na Capoeira de Brighton.
O professor de Fortaleza deu um preço mensal legal, e eu fui.
Comuniquei aos meus pais que não me encontravam em casa durante a noite e ouvi um sonoro:
'É cada uma!'
Já dos ingleses, eu ouvi:
'Vive aqui há tanto tempo! E porquê nunca veio antes?'
Aliás, vou para aula suar, e, efetivamente, o treinamento quase-militar faz-me suar a camisa e saio moída.
No segundo dia, não andei direito.
Antes, eu chegava mais cedo... ficava observando a 'paisagem'.... fui a todas as aulas da semana!
Um processo de observação.
Para saber quem era quem, como eles se comportavam na roda, quem era violento, quem era rápido, quem era fraco como eu, e acima de tudo, com quem eu podia me juntar.
Todos tem um nome de guerra.
Uma tática ótima para os que não lembram nomes com facilidade....
E um motivo de orgulho para os ingleses ter um nome em português.
Mesmo que seja um adjetivo.
'Cabelo de Mel', 'Avexado', 'Amizade', 'Estante'...
Ai, deus!
Respira, Maria!
E eu respiro!
Por quê do contrário não aguento a bateria de perguntas, que me fazem.
Virei a consultora para assuntos brasileiros no grupo.
E nunca vi tanta bandeira do Brasil junta.
Não me contive e perguntei se eles sabiam me dizer qual era o significado das cores na bandeira.
E obtive silêncio.
Perguntei se eles sabiam o que significava a 'Vadiação', que eles tanto pregam no grupo.
E me disseram: 'Liberdade!'
Um pouco confuso, o grupo está.
O líder chama-se 'Boneco'.
Um índio cearense típico com um filho chamado Jacir. Um menino de três anos filho dele com uma portuguesa chamada Joana.
'Boneco' é generoso e risonho em meio a um grupo que não se toca, não se fala muito, porém se considera uma família.
Todos me olham de lado, perguntam o que eu faço por aqui.
Encurtei a resposta no segundo dia de aula:
'Vivo aqui há 7 anos, e sou residente.'
E saio em seguida.
Para essas pessoas que amam Salvador, a cultura negra, Capoeira, sol e mar, educação conta muito pouco.
Aliás: não significa nada!
Brasileiros que REALMENTE são brasileiros são como 'Boneco', ou bonecos.
São simples, humildes, sorriem, não falam bem inglês e tem dificuldades em sobreviver na Europa.
E com isso, eles se identificam. E ajudam muito!
'Boneco' consegue apoio de graça.
Um deles me perguntou:
'Então, a educação física nas escolas brasileiras é a capoeira?'
E, de repente, imaginei os filhos dos artistas que estudam na Escola Americana do Rio de Janeiro tendo aulas de capoeira no currículo escolar.
E notei como a visão deles continua romântica.
Um deles está indo em março por três meses para ficar em Salvador.
Porém, aprendeu com 'Boneco' que deve ser livre, e ficou na defensiva quando eu perguntei se ele iria se 'batizar' na roda baiana:
'That's bullshit! Eu não preciso de um cordão para dizer que eu sei capoeira.'
Detalhe: ele quer ser um professor de capoeira!
Opa!
Aí, o romantismo vira utopia.
Aí, neguinho fala merda e desrespeita quem se dedica ao 'métier'.
Aconselhei o sujeito a ouvir mais e falar menos.
Ele olhou para baixo. Ficou com vergonha da minha voz leve!
Mas, tenho certeza de que alguém vai dizer isso a ele quando ele chegar por lá.
Fiquei me perguntando se eu teria paciência para lidar com todas essas expectativas por mais tempo.
E me lembrei do objetivo:
Perder peso em tempo rápido e fazer o corpo mais ágil!
O mês está todo pago, e agora é só continuar.
Esse ano, será assim:
'Mind over matter'.
Mesmo na Capoeira de Brighton.
Monday, 14 January 2008
Subscribe to:
Post Comments (Atom)

No comments:
Post a Comment