A gente se ilude.
Essa é a conclusão à qual eu chego.
Não acreditamos que alguém possa ser tão tacanho e intransigente, ou com uma cabeça pequena...
E tentamos de novo.
E aí, quebramos a cara.
Mas, só que tem o seguinte: com ilusão a gente só pode lidar duas vezes.
Uma vez por ser o início da história. E vem o desapontamento.
Outra segunda vez existe, por ser a chance de um novo acerto, ou compreensão mútua entre as pessoas.
Se entrar no terceiro turno de expectativas frustradas em qualquer relação, é porquê, realmente, eles não prestaram atenção em nada do que aconteceu antes.
Este final de semana, chegou a vez da segunda tentativa de encontro com um grupo de amigas.
Eu cheguei na porta e a dona da casa disparou:
'Mas tu é muito louca mesmo, né? Some por tanto tempo!
Eu fiquei em silêncio.
Era o mesmo tema....
Ah, os loucos e os normais. Quanta diferença no mundo....
Fui na contra-resposta:
'E vocês, bem? Novidades?'
E todas dispararam rajadas de notícias ao mesmo tempo.
Até que a dona da casa parou novamente e perguntou:
'Oxe, e cortou uma franja?'
Eu, em silêncio....
Respira, Maria!
Fui na contra-resposta:
'Pois é! Seu cabelo está bem grande.'
E mais blá-blá-blá.... Rápido, alto e em multi som.
Fiquei em silêncio, resolvi ouvir.
Comemos, bebemos, até que anunciei:
'Não posso ficar muito. É domingo, tenho que passar minhas roupas no ferro para a semana que vem...'
Foi a primeira coisa que me veio à mente com a qual elas iriam se identificar. Trabalho e responsabilidade doméstica.
E pensei ao mesmo tempo que o dia até não estava indo mal.
Mas, aí chega a hora dos favores forçados e a dona da casa sacou um tarô de marselha com o qual ela aprende sozinha a jogar por 6 meses:
'Vamos fazer uma rodada de cartas?'
Chego à conclusão, também, de que devo ter o nome 'otária' em letras garrafais na testa.
E que o silêncio não leva às pessoas à reflexão.
Ao contrário. Leva às pessoas a passarem por cima do que você pensa, acha, acredita ou faz.
Você não fala, eles falam por você.
Respondi, assertiva:
'Eu não quero, não vou fazer, sinto muito.'
Então, a dona da casa começa:
'Ah, então eu boto! Tu olha, tá?'
Silêncio.....
Realmente, eu tenho a reputação de 'manobrável'.
Está claro, agora.
Então, olhei....
E vi a dinâmica de conselho de alguém que quer aconselhar, mais do que sabe aconselhar.
Para mim, irresponsável.
Anos são anos. Não são momentos!
Então, chega o irmão da dona da casa e diz:
'Cuidado com essa macumba!'
E assim, acabaram de matar o objeto de estudo de Carl Jung ali mesmo, naquela sala de jantar.
Todos riram.
Eu ri junto!
Ri.
Ri porquê eu me meto em cada uma, viu? E a culpa foi somente minha!
Sinceramente...
E chegou a hora de ir embora!
E a chance acabou.
A chance de fazer bonito nessa relação de amizade.
Deles tentarem entender porque eu sumi por 6 meses, e de eu tentar falar que eles não estavam tão certos....
E fui embora.
Dessa vez, certamente, sei que o próximo encontro será por acaso.
Por quê toda ilusão tem limite.
E antes só, que mal acompanhada.
Tuesday, 11 December 2007
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