Monday, 20 October 2008

Um remedinho?

Eu voltei para casa pensando nisso...
Tentando entender.

Sim, eu sei o efeito de um 'remedinho' e o que eu tomei foi metade de um lexotan.
A ocasião que levou ao remédio foi uma noite na qual a vizinha da nossa casa em Olinda bateu na porta perguntando pelos meus pais.
Tinham assassinado o nosso outro vizinho e o corpo tinha acabado de ser encontrado na piscina.

Em choque, eu saí andando por Olinda às 11 da noite de um sábado até achar os meus pais em um dos bares da cidade.

Ao voltar e sem conseguir dormir, apresentaram-me àquela metade de comprimido que faz você esquecer o mais absurdo dos problemas. Você é sedada.
E por quê houve um motivo.

Mas hoje em dia, parece moda.

Principalmente, entre as brasileiras sozinhas por aqui.
Mulher sozinha pira de tanto pensar. Ah, eu sei bem....

E a solução hoje em dia para estas é um 'quarto' de um 'remedinho'.

Uma me ligou um dia desses e falou:
'Eu não entendo, Maria! Esse povo tem muito tempo livre para ligar para psiquiatra, duas hoje me vieram com essa história. A vida da gente não é fácil, mas a gente não toma remédio.'

Concordo inteiramente!

Tenho um emprego em período integral, duas turmas de português, e um quarto solitário.
Não tem ninguém me beijando ou abraçando, não tenho família em cidade próxima e não tenho planos maravilhosos.
E ainda assim me recuso a tomar remédio.

Quando me desespero, vou andar um pouco... Respirar! Falo sozinha, choro copiosamente, corro ou brigo mesmo. Brigo com qualquer um!

E eu pensei, pensei... E chego à conclusão de que as pessoas hoje não sabem sofrer.
E um 'remedinho' camufla as decepções.

Ainda mais para as que têm uma vida solitária e não sabem o que fazer quando estão sozinhas.
Ficar sozinha é uma arte!
E ainda tem gente que acha você uma pobre mulher por não ter muitos por perto.

Antes sozinha e satisfeita, do que sozinha tomando remédio.

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