Friday, 7 March 2008

O abrir da porta!

Sábado!
Doce sábado....

Sagrado é: acordar tarde, não fazer nada, não trabalhar dobrado, ler o que eu quiser, dar uma andada longa sozinha, comer algo gostoso e assistir um filme!

Na maioria da maioria dos sábados, é a mesma rotina.
E eu adoro!

Quem me telefona no sábado, receberá um agradecimento da lembrança via secretária eletrônica, e se o recado for tentador eu vou ligar de volta.
Do contrário, não há contato com o mundo externo. O sábado e o final de semana serão somente meus.

Mas, eu fiz besteira, e meio sonolenta, às 10h35 da manhã, passei pelo telefone que tocava e o atendi:

'Maria Hilda, minha filha, que voz é essa? Dormindo, de novo? Ai, mulher, acorda... Sabia que dormir envelhece? Uma médica em NY acabou de me dizer isso. Dormir muito envelhece mais rápido...'

E pensei no por quê de ter atendido àquele telefonema....
Foi um erro fatal.

O outro lado da linha continuava:
'Hoje vou aí e vamos ao cinema, vamos ver algo positivo! Sem filmes de terror, ou tristeza, ou drama... algo leve!'

Porquê a vida é bela....

Mais um pouco:
'Chego aí à tarde e fazemos algo..'

E então, ela chegou mesmo!

Falou da última ida ao Tate Modern e de como foi divertido. Nesta visita, o seu filho de 5 anos perguntou ao amigo de passeio se podia tocar as esculturas, e o amigo brasileiro concordou, deixando o menino 'pintar e bordar'.
Eis que chega um curador da exposição e pede que não façam isso, porém o amigo retaliou que era artista e acreditava em arte livre, não podendo assim se contradizer à criança e lhe dizer não.

Resultado: foram seguidos durante todo o percurso por um guarda, para que a baderna não fosse repetida.

E eu escutando estupefata....

Depois, deu uma ordem, quando a fome bateu e eu comuniquei que não iria ao cinema:
'Vamos cozinhar, então!'

Eu: 'Sinto muito, porém não fiz compras. Aqui não tem criança e ninguém para alimentar, então é comum ter a geladeira vazia!'

Ela me olhou quase com nojo, pela minha falta de educação doméstica.

Enfim, saiu da minha casa às 9 da noite, e eu, finalmente, respirei pensando que tinha perdido o meu precioso sábado.

E de quem foi a culpa?

Apenas minha por ter aberto a porta e atendido àquele metido telefonema.

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