É inevitável.
No dia dos nossos casamentos achamos tudo um mar de rosas, não pensamos em fracasso, estamos positivas e acreditamos que, finalmente, estaremos em paz em um relacionamento.
Finalmente, achamos a tampa da nossa panela.
Eis que um dia, sem preparo, a decisão da separação chega, e ficamos sem saber o que fazer.
Homens e mulheres lidam com esse fato de maneiras diferentes, também. E a prova vem do que vejo do lado de cá, desta tela de computador.
Homens que decidem se separar fazem a bagagem mais rápido, coletam com eficácia as coisas mais importantes à curto prazo, como um carro ou os discos e livros preferidos.
Decidem com rapidez e saem com rapidez, como se não houvesse amanhã em suas vidas. Eles querem viver, não querem sofrer.
Não amargam tempo em choros, não se sentem mal pela tentativa frustrada.
Foi bom, mas passou.
Próxima- eles gritam! E, de preferência, que ela seja leve e fresca como uma brisa de verão, para apagar as memórias da última relação pesada que tiveram.
Mulheres que decidem se separar demoram a se decidir. Hesitam na hora da bagagem, e pensam se haverá alguma outra pessoa paciente o suficiente para lhe aturarem, ou lhe amarem.
Pesam, justamente, quem ficará com o quê por direito, não levam o carro, e os discos são secundários. O sofrimento está acima de tudo. Procuram a ajuda de um outro homem que carregue suas coisas com ela.
Mas antes disso tudo até podem deixar uma carta, depois de várias conversas frustradas.
Sentem-se mal em ter um homem no mundo a odiá-las. Querem que tudo esteja bem desde o fim imediato, para que se sintam sem culpa pelas infinitas tentativas.
Decidem, em inúmeras ocasiões que ficar sozinha por um tempo é a melhor pedida.
Os dois indivíduos sofrem.
Sofrem sim, porém, não acredito que com a mesma duração de sentimento.
O sofrimento masculino tende a ser objetivo e facilmente esgotável. Há que se mover o barco adiante.
O feminino tende a queimar em fogo brando, um modo de limpar-se por dentro fervendo as emoções, tal qual se ferve uma roupa usada em uma pele contaminada.
Há que se limpar bem, descontaminar-se.
No entanto, o mundo gira, existem muitas outras pessoas nesse mundo, de nacionalidades, costumes, cores diferentes.
E a tampa da sua panela pode nem ser de aço, porém, quem sabe, de madeira, ou ferro.
Ah, se todos pensassem assim...
A dor da separação é inevitável, porém tem que passar.
E é até bom que ela exista, pois um pouco da ingenuidade descabida nos relacionamentos se vai, e o próximo, sabe-se lá, será o melhor da sua vida inteira.
Ou pelo menos, o melhor naquele momento.
O melhor naquele momento presente, e sem amanhã, mais uma vez.
Monday, 24 March 2008
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