Wednesday, 6 February 2008

Bucho de lama.

Ontem, gritaram meu nome:

'Maria, vem cá! Olha, ... esses três aqui são de Recife!'

Eu: 'E é? Que massa....'

Mas, não precisava ter perguntado. Era lógico, que eram de Recife....

Um de boné e cabelo malamanhado com uma camisa de maracatu, outro com barba por fazer e um com um bico abusado do tamanho do mundo e acima de tudo: os três com um bucho de lama!

Os três tinham namoradas.
Sim, eu perguntei.

E, animados, eles me disseram: 'Porquê a pergunta?'

Eu respondi: 'Pela boa nutrição! Estão bem alimentados!'
Tirei uma onda....
Eles riram.

Porém, até hoje é um mistério na minha cabeça...

Eu sei que a cerveja dá um buchinho legal, sei que a genética nordestina é de porte-médio, mas não entendo o descuido!

O descuido com o corpo.
Tão novos, tão desleixados....

E pensei na minha avó...
Cheia de idéias, mente ativa, e nenhum corpo para agir.

Meu pai...
Cheio de energia, doido para trabalhar, e o coração não deixa.

Não entendo quem pensa que juventude dura para sempre.

É o mesmo pensamento de uma menina tcheca que ontem não tinha um puto furado no trem, por que já tinha gastado tudo:
'somos jovens, temos que viver a vida e aproveitar'

Eu tive que rebater:
'então, aproveita e tira bem muitas fotos para lembrar, porque quando a velhice chegar e não conseguir trabalhar, pagar um aluguel vai ser foda!'
Ela riu!

É tudo humor!

Só não deve ser humor quando tá na hora de injetar a insulina, ou fazer a fisioterapia, ou esperar quem carregue a cadeira de rodas.
Só não é humor quando a doença chega e se fica em uma cama de hospital.

Encerrei com os recifenses dessa maneira:
'Garotos, eu sei que buchinho de lama é sinônimo de livro lido e intelectualidade, e que nós não viemos do Rio de Janeiro. Mas bora virar esse jogo, né?'

Eles: 'É.... É o kebab!'
Pronto, botaram a culpa no árabe!

Eu: 'Eu sei, eu sei...'
A culpa é sempre dos outros.

Eu tô fora!

Quero ação e energia!
Agora!
Já!

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