Sabe quem era Joaquim Cesário?
Era o meu terapeuta.
Filhos de psicológos 'têm' que ter uma terapia, assim como os próprios pais.
Tentei uma tal outra no começo da minha adolescência, mas não adiantava muito voltar para casa e ouvir 'gastamos muito com você' enquanto você está tentando curar a cabeça!
Então, a deixei...
Encontrei Joaquim através da minha própria mãe, no final da minha adolescência. Ela pesquisou um dos melhores, e achamos Joaquim, que sempre estava lotado...
E se eu estivesse em Recife, com certeza, ele ainda seria a minha muleta.
Joaquim toda vez me fazia chorar. E eu adorava.
Joaquim me ajudou em uma fase dificílima da minha vida, e mesmo assim eu resolvi contrariá-lo e o deixei.
Eu não aceitei o seu pensamento de que não deveria deixar o Brasil, porquê eu o pagava para brigar. E, naturalmente, também acabava a briga se eu quisesse.
Cheguei em meu primeiro dia com ele e ele perguntou a clássica primeira pergunta:
'Porquê você acha que precisa de um terapeuta?'
Eu respondi que queria pagar alguém para discutir com propriedade e inteligência, queria pagar para ter um 'amigo'. E fiz o sinal de aspas nas mãos.
Três coisas que eu aprendi com Joaquim:
- A pedir menos desculpas! Aqui na Inglaterra, isso somente se enfatizou quando me diziam: 'Why are you saying sorry?!'. Pura culpa católica. Joaquim dizia: 'Por favor, sem muito drama, seja direta. Aqui isso não é preciso!' Palmas para Joaquim!
- 'Seu sucesso é a melhor vingança que pode ser dada!'. Esse pensamento veio quando eu dizia que me sentia menosprezada por outros. Uns que se achavam mais e que me impediam de 'agir'. Até hoje, eu busco o meu próprio sucesso. Tira a vingança do meu pensamento e me dá satisfação pela minha própria conquista.
- 'Você é diferente dos seus pais e ainda assim completamente parte deles e como eles! É uma escolha ser quem se quer ser!'. Tão básico e ainda assim demorou anos para cair esta ficha na minha vitrola. Hoje a música toca! A ficha caiu! Não posso agradar a todos, nem os meus pais, e cabe a eles se conformarem com a filha que têm. Nâo quero ser amada por muitos. Ainda assim, aceito amor de muito bom grado.
E fico assim sem terapia por aqui, e com esse blog cheio de 'verdades', ao invés.
Aliás, morro de medo que o meu chefe pense por aqui que penso em ter uma terapeuta!
Ele me acharia incapaz!
A Inglaterra não se auto-conhece, é o lugar das aparências, puro status-quo. Há que se jogar com isso, conter suas emoções e extravasá-las no lugar correto.
Sim, uma vida bastante comedida.
Ganha aqui quem se conhece e não diz a ninguém como o faz.
Joaquim aqui comigo me faria, com certeza, mais vencedora em dias como este no qual me acho tão cagona.
Thursday, 18 December 2008
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